Avanço entre os eleitores independentes favorece o candidato do PL, embora a estrutura política de Lula ainda faça grande diferença.
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A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) é boa para Flávio Bolsonaro (PL) porque registra algo que ele ainda não havia conseguido desde a divulgação dos áudios de Daniel Vorcaro: uma tendência de recuperação.
Não houve virada, empate e nem milagre estatístico. Lula continua à frente. Mas Flávio voltou a crescer justamente onde mais havia perdido com a sucessão de episódios negativos que atingiu sua candidatura. Entre os independentes, a vantagem do presidente caiu de 13 para apenas três pontos em um mês. É nesse grupo, e não entre os convertidos de cada lado, que a eleição será decidida.
Lula caiu quando o noticiário ficou negativo para ele, com aliados encrencados nos mesmos escândalos que filho de Jair Bolsonaro.
Retorno
No segundo turno, Lula oscilou de 45% para 44%, enquanto Flávio passou de 37% para 39%. A distância caiu de oito para cinco pontos. Na estimulada de primeiro turno, o petista foi de 40% para 39% e o adversário subiu de 28% para 30%. Já na espontânea, talvez o melhor termômetro da consolidação de uma candidatura, Flávio avançou quatro pontos, de 14% para 18%. Lula recuou de 26% para 25%.
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Os números isolados ainda cabem na margem de erro. O movimento conjunto, porém, tem direção. Pela primeira vez desde que os áudios de Vorcaro impuseram a Flávio um pesado custo de explicação, todos os sinais relevantes apontam para uma recuperação. Ele ainda está atrás, mas deixou de andar para trás.
Independentes
O ponto central está entre os eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. Em julho, Lula vencia Flávio nesse segmento por 40% a 27%. Agora, a vantagem desabou para 33% a 30%. O presidente perdeu sete pontos; Flávio ganhou três. Os demais foram para a indecisão, o voto branco, o nulo ou a disposição de não comparecer.
Isso significa que Flávio ainda não conquistou todo o eleitor que se afastou de Lula. Mas conseguiu voltar ao jogo no grupo em que o caso Vorcaro havia produzido o maior estrago. O independente não parece ter absolvido o candidato do PL. Apenas voltou a considerar a hipótese de votar nele. Em uma eleição apertada, ser novamente considerado já é muita coisa.
Esses eleitores são os mais importantes da disputa porque a polarização afetiva já resolveu boa parte do voto antes mesmo da campanha. Lulistas votarão em Lula. Bolsonaristas votarão em Flávio. Os dois campos tratam a eleição como uma escolha não apenas de candidato, mas de identidade, pertencimento e rejeição ao outro lado. Quem ama já escolheu. Quem odeia também. Sobra ao independente decidir quem governará o país.
Desgaste
A queda de Lula nesse segmento acontece justamente quando o noticiário negativo mudou de endereço. Durante semanas, Flávio precisou explicar os áudios, a relação com Vorcaro e as turbulências dentro do próprio bolsonarismo. Agora, são aliados do presidente, integrantes de seu entorno político e até seu filho que aparecem associados a denúncias e escândalos recentes. O eleitor independente, que não tem compromisso de fidelidade com nenhum dos lados, reage com mais liberdade a essa mudança de ambiente.
Outros números reforçam o alerta. A rejeição de Lula subiu de 50% para 52%, enquanto a de Flávio caiu de 57% para 54%. Ao mesmo tempo, o percentual dos que consideram que o presidente merece mais quatro anos caiu de 45% para 41%. Os que dizem que ele não merece subiram de 51% para 55%. Lula lidera, mas a ideia de continuidade perdeu força.
Calma
A melhora de Flávio, entretanto, esbarra em uma limitação que ficará mais visível quando a campanha ganhar as ruas. Ele tem uma base eleitoral barulhenta, mas pouca estrutura política para transformar simpatia em voto nos estados. Partidos que poderiam ampliar seu palanque preferem a neutralidade. Lideranças que poderiam pedir votos evitam dividir a fotografia com ele. E um candidato sem aliados descobre rapidamente que rede social e pesquisa não coloca cabo eleitoral em cada município.
Lula terá governadores, prefeitos, candidatos ao Senado e milhares de postulantes às câmaras federal e estaduais interessados em associar seus nomes ao dele. Quando a campanha começar de verdade, essa máquina política multiplicará a presença do presidente e compensará parte das dificuldades que ele enfrenta hoje entre os independentes.
A Quaest mostra que Flávio voltou à disputa após atravessar seu pior momento. Mostra também que Lula pode perder o eleitor sem lado quando o peso dos escândalos se aproxima de seu campo. A dúvida é quanto dessa recuperação sobreviverá ao início de uma campanha em que um dos candidatos terá palanques espalhados pelo país e o outro ainda procura quem aceite subir no seu.












