Fim da escala 6×1 exige responsabilidade e menos discursos demagógicos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Fim da escala 6×1 exige responsabilidade e menos discursos demagógicos


Reduzir a jornada de trabalho exige ganho de produtividade; caso contrário, pequenas empresas correm o risco de fechar as portas no Brasil.


Clique aqui e escute a matéria

O pedido dos empregadores para que o Senado deixe a discussão sobre o fim da escala 6×1 para depois das eleições revela o ponto mais sensível dessa pauta: o de que o Brasil precisa discutir o futuro com menos slogans e mais responsabilidade.

A pergunta real não é apenas se o trabalhador deve trabalhar menos, porque isso é óbvio.Mas quem paga a diferença enquanto a produtividade brasileira segue baixa, a informalidade continua alta e pequenas empresas têm pouca margem para reorganizar custos.

A redução da jornada fala com uma exaustão concreta do trabalhador, por isso tem força social e apelo eleitoral. Mas a conta final não vai desaparecer no plenário com os discursos demagógicos que são comuns e ficaram ainda mais frequentes nas últimas semanas. Ela volta em forma de custo por hora, preço, contratação adicional, informalidade, peso da folha ou perda de competitividade em setores que dependem de presença humana contínua.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

Quando empresários pedem para empurrar a votação para depois de outubro, admitem que o tema ficou popular demais para ser enfrentado em ano de campanha. Na votação ocorrida há algumas semanas na CCJ da Câmara, acompanhada de dentro da sala por este colunista. O próprios deputados comentavam que a aprovação do fim da jornada iria trazer prejuízos severos à economia do país e acabar gerando desemprego. Mas que, em ano eleitoral, nenhum deles teria “coragem de discutir o assunto”.

Cansaço

A escala 6×1 virou símbolo e base para discursos demagógicos porque traduz uma experiência simples de entender. São seis dias de trabalho para um de descanso. Para milhões de trabalhadores do comércio, dos serviços, da alimentação e de atividades presenciais isso significa pouca convivência familiar, dificuldade de estudar, quase nenhum tempo de recuperação física e um domingo que muitas vezes serve apenas para resolver a vida acumulada durante a semana.

A pauta entrou nas redes sociais com força porque não depende de grande explicação técnica. Ela parte de uma sensação cotidiana. Quem trabalha muito por salário baixo reconhece o problema antes mesmo de conhecer a proposta legislativa. A maioria nem trabalha na escala 6×1 e está lutando pela aprovação como se fosse beneficiada. Não é um raciocínio aprofundado, é a moda da vez nos algoritmos ou a dose de altruísmo fabricado que parte da população gosta de atribuir a si própria quando quer se olhar no espelho ao fim do dia.

Mundo

Outros países testaram modelos de jornada reduzida, mas a experiência externa não oferece uma receita pronta para o Brasil. Na Bélgica, por exemplo, a legislação permite concentrar a jornada em quatro dias, sem necessariamente reduzir o total de horas trabalhadas na semana. No Chile, a possibilidade existe, mas depende de acordo entre empregadores e sindicatos com representatividade suficiente. A França reduziu a jornada legal para 35 horas semanais, mas passou por longo processo de adaptação, resistência empresarial e compensações salariais indiretas.

Sem falar nos custos dos subsídios governamentais. O governo francês, por exemplo, gasta cerca de 12 bilhões de Euros por ano em ajuda às empresas para sustentar os empregos. Coisa que o governo brasileiro não tem condições de pagar.

Ainda assim, a França voltou a ver o desemprego aumentar, por causa da perda de produtividade nos últimos anos. E o crescimento do PIB francês em 2025 foi o menor desde 2020, menos de 1%.

Mas isso ninguém quer discutir por aqui, ainda mais em ano eleitoral.

Limite

O economista finlandês Petri Böckerman, que estuda o trabalho em países onde a jornada foi reduzida, aprofunda o ponto técnico que a política costuma simplificar por eleição. Ele deu entrevista recente a veículos brasileiros que o questionaram sobre o assunto. Jornadas menores, segundo ele, não produziram milagres econômicos nos países nórdicos, por exemplo. Funcionaram melhor onde já havia alta produtividade, negociação coletiva coordenada, maior formalização do emprego, qualificação profissional, confiança institucional e capacidade de adaptação das empresas. O Brasil, se você parar pra pensar, não é exemplo em nada disso.

Se o salário mensal é mantido e a jornada cai, a proposta feita pelo governo, o custo por hora sobe automaticamente e isso vai ter um impacto na economia que pode travar a economia, apontaBöckerman.

Conta

Esse é o ponto que o debate eleitoral costuma esconder. Reduzir jornada com manutenção de salário pode ser uma escolha social legítima, mas precisa de financiamento econômico. Empresas grandes podem reorganizar escalas, investir em tecnologia e absorver custos por algum tempo. Pequenas e médias empresas, especialmente no comércio e nos serviços, têm menos espaço para isso e podem quebrar. Um restaurante, uma farmácia, uma clínica, um supermercado ou uma loja de bairro não eliminam a necessidade de atendimento apenas com uma nova regra constitucional.

Em muitos casos, a alternativa será contratar mais gente, aumentar preço, reduzir margem, cortar benefícios e, em determinado ponto, ver sua própria operação ficar inviável.

É possível reduzir a jornada sem esses problemas e sem correr tantos riscos, mas é preciso discutir com seriedade e não apenas com uma urna eleitoral pela frente.






Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *