Talvez, para quem começa a colecionar arte, seja mais convidativo comprar sua primeira obra numa feira de porte médio, onde circular entre os estandes é menos tumultuado, os galeristas têm mais tempo para conversar e os seus programas expositivos mostram no máximo três artistas.
Essa tem sido a aposta da ArPa, feira de arte que chega nesta semana à sua quinta edição, em São Paulo, orgulhosa de seu ritmo “menos frenético”, como diz Camilla Barella, a fundadora e diretora do evento.
“Faltava uma feira que não causasse ansiedade na hora que você entra, aquela sensação de que você não vai conseguir ver tudo”, ela afirma, acrescentando que queria um evento “com maior profundidade”, dado que, na ArPa, as galerias selecionam poucos artistas para mostrar mais obras de cada.
Este ano, serão cerca de 60 expositores na ArPa, dentre os quais galerias recém-chegadas ao mercado, como a Mazzucchelli Cardoso, e outras que estão no negócio há décadas —Luisa Strina, Nara Roesler. Para comparação, a maior feira de arte do Brasil, a SP-Arte, que também acontece na capital paulista, teve mais de cem galerias na edição deste ano.
De acordo com Barella, a ArPa formou novos colecionadores que antes não se identificavam com o perfil de outras iniciativas. “E esses colecionadores agora consultam, compram, muitas vezes indicam e voltam à feira. Quero que a feira continue sendo um lugar onde alguém que está comprando pela primeira vez se sinta confiante para isso.”
Uma pesquisa feita pela própria feira com mais de cem profissionais do mercado de arte do Brasil e da América Latina apontou que 59% deles percebem que há a chegada de novos compradores no mercado. O levantamento também mostrou que, para 38% dos galeristas, o maior desafio é ampliar e fidelizar este público.
Quem são estas pessoas? Barella conta ver dois perfis distintos. O primeiro é um pessoal mais jovem, entre os 23 e 30 e poucos anos, que já tem bagagem cultural e alguma aproximação com as artes e acaba comprando obras de valores mais acessíveis, como de artistas da mesma geração ou múltiplos.
E o segundo são compradores de mais idade, por volta de 45 a 50 anos, já com carreira estabelecida e fundos suficientes para apostar em artistas em meio de carreira ou consolidados. Segundo Barella, esse público —que inclui muitos médicos e advogados— é auxiliado por consultores de arte, hoje bem mais atuantes no mercado do que há poucos anos.
Para quem quer abrir a carteira, opções não vão faltar na ArPa. Ana Sario mostra na galeria Marcelo Guarnieri pinturas de campos de flores, enquanto o jovem artista Arthur Siebra leva para o estande da Luis Maluf telas de natureza informadas por sua criação no sítio de seus avós em Crato, no interior do Ceará.
A Pinakotheke, que acaba de inaugurar uma sede no bairro de Higienópolis, exibe uma seleção de obras do pintor e escultor Farnese de Andrade, que andava meio esquecido. Já a galeria Luisa Strina aporta com pinturas de Ana Prata, telas feitas com carvão, linha e cabelo por Bruno Baptistelli, e esculturas de clipes de papel de Pablo Accinelli, um artista da Argentina.
Do país vizinho estarão na feira cinco galerias, a maior representação internacional num evento que terá também casas da Venezuela e Estados Unidos. A aproximação com a Argentina, que vinha acontecendo desde a primeira edição, segundo Barella, se intensificou no ano passado, quando ela visitou Buenos Aires a convite de uma associação de galerias locais.
“Essa visita foi importante porque mostrou o quanto existe uma proximidade real de repertório entre as produções argentinas e brasileiras, que vai além da geografia”, diz.
Ela cita o exemplo da Calvaresi, galeria que, no ano passado, vendeu todo o seu estande na ArPa, onde mostrou obras do artista histórico Alfredo Stampinato. “Vários colecionadores faziam referência ao [pintor] Lorenzato ao falar dele. Há uma sintonia conceitual e estética que torna esse diálogo muito natural.”
Neste ano, a Calvaresi retorna com uma mostra de Dignora Pastorello, pintora de paisagens e lugares que dialogariam com Eleonore Koch. As outras galerias argentinas na feira são Hache Cott, Nora Fisch, Isla Flotante —que inclusive tem um escritório no Brasil— e Hache.












