Ex-vereador do Recife será candidato a governador; Composição também terá Alice Gabino como vice e Paulo Rubem Santiago para o Senado
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A Federação PSOL/Rede apresentou, nesta terça-feira (14), a chapa majoritária que disputará as eleições de 2026 em Pernambuco. O ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) será o candidato ao Governo do Estado, com a advogada Alice Gabino (Rede) como candidata a vice-governadora e o ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago (Rede) como candidato ao Senado. A convenção da federação para homologar as candidaturas está prevista para o dia 2 de agosto.
O lançamento da chapa foi feito durante coletiva de imprensa realizada na Casa Marielle Franco, sede estadual do PSOL, no bairro do Derby, área central do Recife. Também participou do evento o presidente estadual da Federação PSOL/Rede, Jerônimo Galvão. Segundo a federação, um dos suplentes da candidatura ao Senado será indicado pelo PCB, legenda que declarou apoio à chapa.
Ao apresentar a composição, Ivan Moraes afirmou que a federação pretende ocupar um espaço alternativo na disputa estadual, contrapondo-se às pré-candidaturas da governadora Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que lideram o cenário eleitoral.
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“Ainda tem muita gente achando que só tem duas pré-candidaturas postas. E não tem só duas pré-candidaturas postas. A gente quer propor diferente, quer mostrar que Pernambuco tem uma alternativa de verdade”, afirmou.
O pré-candidato sustentou que os dois principais adversários representam um mesmo projeto político e defendeu que a federação buscará dialogar com eleitores que procuram uma alternativa no campo progressista.
“As duas pré-candidaturas fazem parte do mesmo projeto político. A gente quer oferecer à população a oportunidade de escolher um caminho diferente”, declarou.
Campanha aposta na militância e nos debates
Durante a coletiva, Ivan reconheceu a diferença de estrutura em relação aos principais concorrentes e afirmou que a campanha apostará na mobilização da militância, na circulação pelo interior do Estado e na participação nos debates eleitorais para ampliar o conhecimento do eleitorado sobre sua candidatura.
Segundo ele, pesquisas indicam que mais de 80% dos pernambucanos ainda não o conhecem, o que considera o principal desafio da campanha.
“Eu nunca vou ter mais recursos materiais do que eles (Raquel Lyra e João Campos) para fazer campanha. Mas existe um recurso muito potente na política, que é a força militante das pessoas que acreditam no projeto”, disse.
Paulo Rubem também relativizou o favoritismo atribuído aos adversários e afirmou que o resultado da eleição será definido ao longo da campanha.
“Ninguém ganha eleição de véspera. A eleição se constrói no debate.”
Apoio a Lula e palanques múltiplos para o presidente em Pernambuco
Os integrantes da chapa também reafirmaram apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas evitaram reivindicar para si o posto de representante exclusivo do lulismo em Pernambuco. Questionado sobre o peso do presidente na disputa estadual, Ivan Moraes afirmou que Lula será “muito bem-vindo” ao palanque da federação caso participe da campanha no Estado.
O pré-candidato, porém, defendeu que o apoio ao presidente não se transfere automaticamente aos candidatos por ele apoiados e disse que caberá ao eleitor definir essa relação nas urnas.
“Não existe um elo consolidado entre votar em Lula e votar em alguém que Lula apoie. Eu tenho toda certeza que aqui em Pernambuco Lula vai ter uma excelente votação, como sempre teve. Se isso vai respingar ou não nas candidaturas que o apoiam, o povo vai dizer.”
Na resposta, Ivan também buscou diferenciar a trajetória da federação da de outros grupos políticos que hoje disputam a associação ao presidente. Sem citar adversários nominalmente, afirmou que PSOL e Rede estiveram ao lado de Lula durante o impeachment de Dilma Rousseff, a prisão do petista e a campanha pelo “Lula Livre”.
“Agora parece que o nome de Lula ficou muito doce. A Federação Rede/PSOL sempre esteve ao lado da democracia. A gente estava nas ruas durante o golpe de 2016, estava na campanha pelo Lula Livre e sabe quem estava ao nosso lado.”
Para Ivan, o cenário eleitoral pernambucano difere do observado em outros estados por não haver, segundo ele, risco de uma candidatura competitiva da extrema direita ao Governo do Estado. Na avaliação do pré-candidato, isso permite que a federação apresente um programa mais identificado com a esquerda sem abrir espaço para o avanço do bolsonarismo.
“Aqui em Pernambuco a gente tem muita tranquilidade para propor um projeto mais ousado. O fascismo aqui está derrotado na eleição majoritária.”
Prioridades de campanha
Ao apresentar algumas diretrizes do programa de governo, Ivan Moraes afirmou que pretende formar um secretariado com maioria de mulheres e de pessoas negras, caso seja eleito governador.
“Um governo nosso será um governo em que, intencionalmente, pelo menos metade das pessoas do secretariado serão mulheres e pelo menos metade serão pessoas negras.”
A federação também reiterou posição contrária à concessão de serviços públicos à iniciativa privada. Entre as propostas apresentadas estão a manutenção da Compesa sob controle estatal, a oposição à privatização do Metrô do Recife e a defesa da implantação da tarifa zero no transporte público nas regiões metropolitanas do Recife, Caruaru e Petrolina.
Os pré-candidatos ainda defenderam políticas voltadas para o fortalecimento da participação social, a ampliação da diversidade na administração pública e um modelo de desenvolvimento que considere os impactos sociais e ambientais de grandes empreendimentos no Estado.












