Lideranças alinhadas à direita e à extrema-direita concentraram 91,3% das interações entre os 30 perfis políticos de identidade evangélica com maior engajamento durante a campanha eleitoral. Cinco nomes — Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Pablo Marçal e Deltan Dallagnol — reuniram 60,2% do total.
Os dados integram um relatório especial da Casa Galileia, que reúne rankings referentes ao período de 6 de julho a 27 de setembro e examina as trajetórias e os resultados eleitorais das lideranças analisadas.
O estudo identifica que a projeção digital de candidaturas eleitas esteve associada, em grande parte, a trajetórias eleitorais anteriores, inclusive entre lideranças jovens. Lucas Pavanato, por exemplo, passou da atuação como vereador em São Paulo à condição de deputado federal mais votado no estado. A análise também registra casos de lideranças com engajamento expressivo que não se elegeram, como Hélio Lopes e Rodrigo Valadares.
“A projeção de lideranças jovens nas redes convive com trajetórias eleitorais que já vinham sendo construídas. Essas candidaturas ampliam sua visibilidade atualizando pautas conhecidas, como a defesa da liberdade religiosa e os discursos de proteção às crianças, que aparecem associados a ataques a pessoas trans. Olhar para essas trajetórias e narrativas ajuda a compreender como a direita evangélica mantém sua capacidade de mobilização de uma eleição para outra”, analisa Lorena Mochel, pesquisadora da Casa Galileia.
Entre as narrativas mobilizadas durante a campanha, o relatório destaca a associação do antipetismo a pautas de gênero, sexualidade, segurança pública e ataques ao Judiciário. Discursos sobre liberdade religiosa e perseguição aos cristãos acompanharam a defesa da presença evangélica no Estado.
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Já as narrativas de proteção às crianças incorporaram ataques a pessoas trans, com destaque para propostas de restrição do acesso de mulheres trans a banheiros femininos e de proibição da presença de crianças em paradas LGBT.
A esquerda esteve representada por cinco lideranças — André Janones, Carlos Bezerra Jr., Pastor Henrique Vieira, Marina Silva e Benedita da Silva —, que acumularam 8,7% das interações. Janones foi o único a aparecer nas dez primeiras posições. Entre as candidaturas desse campo presentes no levantamento, somente os homens se elegeram.
A desigualdade de gênero também marca o levantamento: mulheres responderam por apenas 5,9% das interações, e Michelle Bolsonaro foi a mais bem posicionada, em 14º lugar. Apesar da baixa participação no engajamento total, todas as candidatas de direita presentes no ranking foram eleitas: Michelle Bolsonaro, Clarissa Tércio e Ana Campagnolo.
A concentração se repetiu na distribuição partidária. O PL reuniu mais interações do que os outros nove partidos presentes no levantamento somados. União Brasil, Novo, Rede e Missão completaram as cinco primeiras posições entre as siglas.
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Como foi feita a análise
O relatório retoma os rankings de lideranças políticas com identidade evangélica registrados nos nove relatórios de monitoramento produzidos pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque antes do primeiro turno.
A análise relaciona o engajamento nas redes ao desempenho das candidaturas nas urnas, observando quais nomes se destacaram, como as disparidades de gênero apareceram nos resultados e quais pautas mais mobilizaram interações durante a campanha.














