Candidato do PL deve passar por uma mudança de postura, com foco em propostas. Já Lula, a cúpula da campanha quer que o presidente adote tom mais duro
Estadão Conteúdo
Publicado em 20/10/2026 às 22:22
| Atualizado em 20/10/2026 às 22:31
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As campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm se concentrado, nesta reta final da disputa à Presidência da República, no último debate antes do segundo turno e na alta mobilização de apoiadores. O confronto, promovido pela TV Globo, está marcado para esta sexta-feira.
Diante do que muitos espectadores consideraram um “show de horrores” no debate Band/Estadão, no último domingo, o candidato do PL deve passar por uma mudança de postura, com foco em propostas. Do lado do petista, a cúpula da campanha quer que o presidente adote tom mais duro no confronto, sobretudo em temas como segurança.
Aliados de Flávio defendem que o senador seja mais propositivo, trate de suas promessas de campanha e apresente dados e números, com menos ataques pessoais e acusações contra Lula. E querem que ele repita a estratégia executada pelo rival no domingo passado, de questionar o oponente sobre temas delicados.
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Isso porque Flávio saiu do debate da Band/Estadão, para muitas pessoas, com a pecha de “ensaboado”, após se esquivar de perguntas como o destino dos R$ 134 milhões pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro, o caso Ana Clara (menina de 5 anos morta em 2021, no Rio, por um PM defendido por Flávio) e direitos das mulheres.
Integrantes da campanha do PL criticaram ainda o foco considerado excessivo na menção ao eventual Ministério da Prosperidade, à brincadeira de escrever “corrupto” na palma da mão para provocar o adversário e o “estilo Pablo Marçal” de obstrução do debate.
DESAFIO
Na campanha petista, a estratégia na derradeira semana da corrida eleitoral consiste em mostrar que Flávio não tem “preparo” para governar o País. Além disso, o presidente vai insistir, em entrevistas e nas redes sociais, para que o senador aceite o desafio de abrir os sigilos bancário e telefônico. A proposta foi apresentada no debate da Band/Estadão, marcado por trocas de acusações e pela ausência de propostas para o País.
Em reunião realizada anteontem, coordenadores da campanha de Lula admitiram que ele perdeu oportunidades de ser mais incisivo em várias situações, como na questão da segurança pública. A intenção agora é associar o candidato do PL a milícias e à defesa do policial denunciado pelo assassinato da menina Ana Clara.
Pesquisas qualitativas feitas pela campanha de Lula após o debate da Band/Estadão mostraram que eleitores consideraram desrespeitosa a forma como Flávio tratou o presidente. O senador andou atrás dele, fazendo gestos de desaprovação para a plateia e as câmeras, na tentativa de desestabilizá-lo. Os levantamentos indicaram que Flávio transmitiu uma imagem de arrogância.
As sondagens revelaram ainda que eleitores viram como “etarista” e “discriminatória” a atitude de Flávio, de 45 anos, ao pedir para Lula, de 80, olhar para determinada câmera durante o debate O objetivo do senador era mostrar que o adversário estaria perdido.
SIGILO
Ontem, durante agenda no Nordeste, Lula sugeriu que pode não haver debate caso Flávio deixe de apresentar uma autorização para a quebra dos próprios sigilos. “Se ele apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque, senão, ele não pode ir ao debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão”, declarou o petista.
A campanha do PT protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a divulgação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e de seus familiares. O documento condiciona a liberação das informações à concordância de Flávio em fazer o mesmo em relação a si próprio e à sua família. A autorização abrange os últimos oito anos e prevê a publicação dos dados no sistema do TSE ou em outro site de acesso público.
O pedido de Lula será relatado no TSE pelo ministro André Mendonça.
MARANHÃO
Mais cedo, Lula afirmou, em São Luís (MA), que esta é a sua última disputa presidencial e, por isso, pretende fazer um mandato “histórico”. O petista disse que, se reeleito, vai universalizar o Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio e criar modalidade do programa para os estudantes universitários.
Na capital maranhense, Lula visitou José Sarney, na residência do ex-presidente. Sarney, de 96 anos, deixou o hospital na manhã do último sábado, após ser submetido a uma cirurgia para tratar uma obstrução intestinal.
ESTRATÉGIAS
Nos próximos dias, a campanha de Flávio deve se ocupar de desmentir as acusações do adversário contra ele. Sua equipe tem se preocupado com declarações de petistas, inclusive do próprio presidente, alertando a população de que um eventual governo Flávio terá cortes de direitos e promoverá o desmantelamento do SUS e de programas sociais.
“O Lula está espalhando uma fake news cabeluda. Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até dois anos. É óbvio que isso é uma mentira”, disse Flávio em vídeo publicado anteontem.
O PL também decidiu pulverizar a campanha de rua nesta última semana. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) fará um roteiro pelo Nordeste sem Flávio, seguindo determinação do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e do marqueteiro Duda Lima.
CANAIS
Nikolas tem sido fundamental para o PL fazer frente à mobilização digital empreendida pela esquerda nas últimas duas semanas, a partir da iniciativa do deputado André Janones (Rede-MG) de criar um canal para coordenar a militância. O Exército do Lula reúne 6 milhões de seguidores, o que levou o PL a criar o Tropa do Flávio, que alcança hoje 2 milhões de pessoas












