No embate público, governo Lula garante contas ajustadas em 2027, mas em privado reconhece que entre 2028 e 2030 não fecham sem ajustes

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No embate público, governo Lula garante contas ajustadas em 2027, mas em privado reconhece que entre 2028 e 2030 não fecham sem ajustes


Fazenda e Planejamento garantem que em 2027 o arcabouço fiscal suportará o pacote de bondades, inclusive a antecipação do pagamento do Bolsa Família.


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Em 2022, na reta final da campanha para reeleição, Jair Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, uma alta de 50%, acima da inflação, através de uma alteração na Constituição. Agora, em 2026, o mesmo benefício que voltou a ter o nome de Bolsa Família, o governo Lula eleva de R$ 600 para R$ 691 com o discurso de que recompõe a inflação acumulada, esclarecendo que isso só foi possível após uma revisão das despesas previstas para este ano.

O resultado disse que, assim como em 2022, são números de alta grandeza. E no caso do governo Lula, vem acompanhado de uma lista de outros benefícios cujos valores vão de R$ 260 bilhões a R$ 411 bilhões quando se considera o custo do programa Nova Indústria Brasil no valor de R$ 140 bilhões, bem como o Plano Brasil Soberano (R$ 15 bilhões), criado para apoiar exportadores brasileiros afetados pelo tarifaço dos EUA.

PEC ao contrário

O volume de recursos levou o candidato Flávio Bolsonaro a anunciar um tratoraço de cortes no valor de R$ 200 bilhões a ser negociado com o Congresso num movimento inverso ao que o próprio Lula fez ao ser eleito, quando, antes da posse, o Congresso Nacional aprovou uma PEC também no valor de R$ 200 bilhões para recompor o orçamento deixado por Bolsonaro. Ou seja, enquanto Lula obteve o direito de gastar mais de R$200 bilhões, Flávio propõe cortar R$200 bilhões.

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Mas assim como os economistas não conseguem entender como em um quatro governo Lula como esse pacote de bondades será pago no orçamento já enviado ao Congresso. Mais difícil é ter uma visão de onde, num governo Flávio Bolsonaro, será possível cortar esse valor com um orçamento pronto e engessado, onde as despesas discricionárias (não obrigatórias), ou seja, para a manutenção da máquina pública e investimentos, sem contar benefícios da Previdência Social, Bolsa Família e outros gastos previstos em lei.


Divulgação
Lula anuncia reajuste nos valores do Bolsa Família. Correção custará mais de R$ 28 bilhões em 2026 e 2027. – Divulgação

Haverá dinheiro

Entretanto, quando se questiona o governo, a resposta é: em 2027, não haverá falta de recursos, pois as despesas discricionárias e o espaço do arcabouço são de R$ 222,1 bilhões e o Orçamento do ano que vem já foi enviado. Ou seja: no primeiro ano do governo, o custo das novas bondades seria administrável.

E mesmo com os protestos sobre um ano de ajustes, somente agora o Ministério do Planejamento admite que, com 2027 equacionado, só haverá problemas nos anos seguintes, quando a diferença será de R$ 15,8 bilhões em 2028, R$ 14,9 bilhões em 2029 e R$ 23 bilhões em 2030.

Números não batem

O problema é que os números de 2027 já não batem. O Ministério do Planejamento, por exemplo, afirma que não há descumprimento do arcabouço fiscal nem expõe um desequilíbrio nas contas.

Segundo o governo, na verdade, os números antecipam, com alguns anos de antecedência, as escolhas alocativas que a elaboração e a aprovação de cada orçamento sempre envolvem. “Os orçamentos de cada exercício continuarão a ser elaborados dentro dos limites do Regime Fiscal Sustentável (arcabouço fiscal).”

De 2027 a 2030

Embora não reconheçam que o governo de 2027 e 2030 seja de dificuldades se não for feito um ajuste forte, os números internos do governo apontam para um crescimento maior de gastos obrigatórios, como aposentadorias e pensões, em relação aos investimentos. Enquanto as despesas obrigatórias têm projeção de crescimento acumulado nos quatro anos de 22,8%, as despesas discricionárias (como custeio da máquina e investimentos) têm estimativas de crescimento de apenas 8,0% no mesmo período.

Pode ser. Mas tem muita gente que questiona os números já de 2027. O Instituto Fiscal Independente (IFI), na sua avaliação do PLOA 2027, confirma que o cumprimento formal da meta fiscal permanece possível no próximo ano, advertindo que ele depende de premissas mais otimistas do que as adotadas por esta instituição e de uma margem de segurança bem mais estreita do que a apresentada pelo Poder Executivo.


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Ministro Dario Durigan diz que objetivo é votar junto com fim da escala 6×1 – Divulgação

Superávit primário

Enquanto o PLOA projeta superávit primário apurado de R$ 83,4 bilhões — R$ 10,1 bilhões acima do centro da meta —, o cenário da IFI é de um superávit apurado de R$ 900 milhões insuficiente até mesmo para atingir o limite inferior da margem de tolerância. A origem dessa divergência de R$104,8 bilhões (superávit de R$18,6 bilhões projetado no PLOA 2027 e déficit de R$86,1 bilhões estimado pela IFI) no resultado primário está tanto no otimismo da receita quanto na redução da despesa.

O IFI não está só. A Consultoria Geral de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Congresso diz no seu relatório de setembro que a expectativa de crescimento econômico considerada na proposta, de 2,5% em 2027, é superior à mediana das expectativas de mercado, de 1,43%, constante do Relatório Focus de 18/09/2026.

Projeções

A projeção de resultado primário do governo no PLOA 2027, de superávit de R$ 18,6 bilhões, contrasta com a mediana das expectativas de mercado apurada no Prisma Fiscal de setembro de 2026, de déficit de R$ 45,4 bilhões.

Além disso, o governo estima arrecadação com o Imposto Seletivo (IS) de R$ 42,0 bilhões e não considera o reajuste de 15,04% dos benefícios do programa Bolsa Família. Enquanto o PLOA 2027 prevê um gasto de R$ 155,8 bilhões para o programa, com o reajuste, ele subiu para R$ 178,5 bilhões.

Lula contra

Talvez o fato novo no comportamento do governo Lula seja a mudança de atitude do governo Lula, dos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, de que será preciso adotar uma política de “reavaliação de programas e da repriorização alocativa”, em um cenário que traduz “maior controle de despesas obrigatórias.”

Porém, isso não está na campanha. Enquanto a equipe econômica tem defendido limites e gatilhos para conter o crescimento de gastos obrigatórios, e assim abrir espaço para custeio de órgãos públicos e investimentos, o presidente Lula descarta.

O que explica atitudes como a de antecipar para esta semana o pagamento do Bolsa Família nesta quarta-feira (21), quando serão pagos 80% dos beneficiários. Em outubro, o PBF pagou R$ 15,06 bilhões a 19.299.199 beneficiários.


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Alcolumbre assina a promulgação da PEC do fim da escala 6 x1. – Divulgação

Olho da regulamentação

Com a promulgação pelo Congresso Nacional da Emenda Constitucional nº 141, originada da PEC nº 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6×1, reduz a jornada máxima semanal e amplia o repouso semanal remunerado para dois dias, sem redução salarial, a CNC iniciou a fase de acompanhamento da fase de regulamentação da emenda.

Durante a tramitação da proposta, a entidade manifestou preocupação com a aprovação da matéria em período eleitoral e defendeu uma discussão mais aprofundada sobre seus impactos nas empresas, nos empregos e na competitividade.

Agora a CNC pretende acompanhar as regras de transição para micro e pequenas empresas, a aplicação das novas exigências em escalas determinadas por negociação coletiva e o tratamento das atividades que demandam funcionamento contínuo, como ocorre em diversos setores do comércio, dos serviços e do turismo.


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BNDES financia o projeto Recaatingar. – Divulgação

Recaatingar

O BNDES em parceria com o Banco do Nordeste e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), deu início ao segundo ciclo de inscrições do Edital Recaatingar, que seleciona projetos voltados à recuperação socioprodutiva de terras degradadas na Caatinga.

A chamada pública conta com cerca de R$ 30 milhões nesta etapa e tem como foco ações que combinem restauração ambiental, produção sustentável, conservação da água, segurança alimentar, geração de renda e adaptação às mudanças climáticas em nove estados.

Ação prioritaria

Na primeira etapa foram selecionados sete projetos, que somam R$ 25 milhões, nos estados de Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará, Minas Gerais, Alagoas e Piauí. Agora mais de R$ 30 milhões poderão apoiar projetos de recuperação ecológica e socioprodutiva, conservação da água e combate à desertificação.

A iniciativa seleciona projetos em municípios prioritários de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, com foco nos territórios mais degradados.

Camila da Rio Ave

A empresária Camila Ferreira da Costa, representante da terceira geração da família fundadora da Rio Ave Construtora, levou sua experiência ao Fórum de Governança da Família Empresária, promovido pelo IBGC, no Recife.No painel “De Herdeiro a Protagonista: como as novas gerações reescrevem seu papel”, ela destacou a união e a disposição para enfrentar o trabalho sem perder a ambição de avançar com valores transmitidos pelo fundador, Alberto Ferreira da Costa. A Rio Ave Construtora tem 58 anos de história e uma continuidade da gestão familiar ancorada em profissionalismo e governança.


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Brasil se aproxima dos 100 milhões de passageiros em 2026. – Divulgação

Cem milhões

O Brasil segue batendo recordes na aviação civil. E se aproxima dos 100 milhões de passageiros no ano. No acumulado do ano (janeiro a setembro), o crescimento do setor aéreo é de 4,3%, com 99,6 milhões de viajantes em voos nacionais e para o exterior. Em setembro, o setor aéreo transportou mais de 10,8 milhões de passageiros em vôos domésticos e internacionais.

O mercado doméstico representa a maior parcela de movimentação até agora, com 76,8 milhões, alta de 3,4%. Já o transporte de turistas para o exterior teve um salto de 7,3% nos 9 primeiros meses do ano, com 22,7 milhões de passageiros.


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Mercado de carro eléctrico arreglador de carro eléctrico. – Divulgação

Veículos elétricos

Pernambuco atingiu a marca de 35.456 veículos elétricos e híbridos em circulação em agosto de 2026, garantindo a segunda maior frota do Nordeste. Segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), na comparação com agosto de 2024, quando somava 10.272 unidades, o estado registrou um crescimento de 245,2% no segmento. Recife concentra 50,9% do total registrado em Pernambuco, com 18.056 veículos eletrificados — a segunda maior frota entre as cidades do Nordeste.

A capital lidera a aceleração do mercado, onde, para cada 3,1 novos veículos não eletrificados incorporados, foi registrado um novo veículo eletrificado. Em Recife, a fatia dos elétricos e híbridos já atinge 2,26% da frota total, segundo Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste.

 






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