Na verdade, é difícil imaginar o final dessa novela que ganhou ares nunca vistos em Pernambuco
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Da mesma forma que o ex-prefeito João Campos decidiu ser candidato a governador em 2024 quando foi reeleito com 78% dos votos dos recifenses, a governadora Raquel Lyra também no mesmo período já manifestava nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas sua decisão de buscar a reeleição contando com o grande número de obras e ações que começavam a se concretizar em todos os recantos do estado.
Isso, porém, não se repetiu com os candidatos ao Senado que, como lembra o cientista político Adriano Oliveira, são os últimos a serem oficializados e também os últimos na escolha real do eleitor que primeiro define o candidato a governador, depois os deputados federal e estadual e só então se debruça sobre seus preferidos para o Senado.
João Campos começou a posar com pretendentes ao Senado no carnaval de 2025 em foto no litoral sul ao lado do então ministro Sílvio Costa Filho e do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho mas só definiu sua chapa de senadores em março deste ano, quando anunciou os nomes de Humberto Costa e Marilia Arraes. Até hoje a decisão dele é tida no meio político estadual como precipitada mas não se imaginaria que a governadora deixaria para bater o martelo nas vésperas de sua Convenção.
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Fato histórico
Esta sexta-feira o prazo largo se concretizou com a Federação União Progressista, que carrega uma grande celeuma sobre o nome que a representará na chapa da governadora, resolveu marcar sua convenção para o dia 1 de agosto – a Convenção de Raquel será um dia antes, em 2 de agosto – como adiantou a este blog o seu presidente, deputado federal Eduardo da Fonte. “Ainda posso fazer junto com a da governadora, se esse for o desejo dela”- completou ele.
Se a questão do Senado já estivesse resolvida a União Progressista poderia, de forma antecipada, fazer sua Convenção a partir desta segunda mas a adiou na espera de um consenso até a data limite. A antecipação exagerada de João Campos e o adiamento da escolha de Raquel são vistos pelo cientista político Felipe Ferreira Lima como incomuns na história politica de Pernambuco.
Polarização precoce
Felipe tem uma visão particular sobre a eleição deste ano no estado. Ele acha que Pernambuco vive uma polarização tão forte quanto a nacional, só que precoce: “já se sabia quais seriam os candidatos a governador de 2026 quando terminou a eleição de 2022 e Raquel foi eleita. Já estava claro que ela iria para a reeleição e que João, pela boa imagem que vinha carregando na comunicação da Prefeitura do Recife e pelo legado do PSB seria o candidato contra ela. Isso fez com que se afunilassem os caminhos para candidaturas e governador e as atenções se concentrassem no Senado”.
– “Além disso -adianta – João escolheu com muita antecedência Marilia e Humberto, esquerdizando demais sua chapa e empurrou o centro e a direita para o palanque de Raquel. A governadora, inteligentemente, escolheu colocar Túlio Gadelha para atender ao eleitorado de esquerda que quer votar nela e do qual não pode prescindir. E ficou uma única vaga para a Desunião Progressista do Brasil, a conhecida Federação União Progressista, que é um conglomerado de interesses de vários partidos encabeçados por Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, coincidentemente, os dois com histórico de idas e vindas com Raquel e que, sem consenso, empurraram o prazo até o limite”.
Palanque fraturado?
Ele acha que com a demora exagerada “há chances do palanque de Raquel ser fraturado, não só pelo tempo de indefinição mas pelos problemas que poderão ser criados pelo pré-candidato preterido”. Na sua opinião “João, que sofre por ter se precipitado no anúncio dos seus pré-candidatos ao Senado, neste momento, estrategicamente, pode ganhar com insatisfeitos que perderem essa briga pela vaga no palanque adversário”.
Na verdade, é difícil imaginar o final dessa novela que ganhou ares nunca vistos em Pernambuco. Precocemente candidatos, Raquel Lyra e João Campos vêm se estranhando desde a posse da governadora que acabou enfrentando maus bocados na Assembleia com o domínio das principais comissões pelo PSB, um partido que só elegeu 14 dos 49 deputados estaduais mas se aliou ao presidente da casa que virou oposição e o cenário só foi contido no início deste ano quando os governistas retomaram o poder nas comissões.
No auge do embate entre Governo e Oposição na Alepe, o PP, de Eduardo da Fonte, se aliou ao Palácio enquanto o União Brasil, de Miguel Coelho, através do deputado estadual Antonio Coelho, estava com a oposição, e comandou a resistência à governadora na poderosa Comissão de Finanças.
Pedidos de empréstimos da governadora foram adiados e a LOA – Lei Orçamentária Anual – deste ano só foi aprovada em abril, prejudicando o funcionamento do poder executivo. PP e União Brasil que hoje disputam uma única vaga, e estão agora federados, já estavam em lados opostos nessa época.











