Projeção global da UFPE, através do Pimes, faz da educação de pós-graduação em Pernambuco referência em pesquisa sobre questões sociais
JC
Publicado em 24/03/2026 às 0:00
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A realidade, tantas vezes, pede coragem para o enfrentamento. Num estado pobre do Nordeste, no país da desigualdade, o cotidiano de parcela considerável da população requer disposição dobrada, diante de adversidades que se repetem e se acumulam. Mas o enfrentamento também precisa ser assumido pelo lado de um aprimoramento do conhecimento. Quanto melhor se compreender a realidade que trava o desenvolvimento pessoal, familiar e coletivo, mais oportunidades podem surgir na direção de efetiva transformação. E isso pode ser feito aqui mesmo, a partir das informações e das experiências de que dispomos, como é prova o programa de pós-graduação em Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Conceituadas revistas acadêmicas de vários países vêm publicando os resultados de estudos feitos pelo Pimes, da UFPE. Como evidência do reconhecimento, alunos que saem daqui são muito bem-vindos no doutorado de grandes universidades no mundo, nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa. Trata-se de um reconhecimento que reforça a diversidade brasileira, saindo da concentração, comum até alguns anos atrás, em centros de formação e pesquisa no Sudeste, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. É neste cenário de excelência digno de Oscar que Pernambuco se destaca, contribuindo para a formação econômica em solo brasileiro, e ampliando o alcance da pesquisa nacional em economia no planeta.
Recente reportagem da Folha de S. Paulo mostrou a história e a importância da pós-graduação do Pimes para o Brasil. E devemos acrescentar – para Pernambuco. O investimento em centros de excelência na pesquisa, com participação ativa nos congressos internacionais, levando e debatendo resultados para a troca indispensável ao avanço do conhecimento, deve ser prioridade em variadas áreas, com a finalidade não apenas de fixar os valores acadêmicos no estado, mas também, fazer de Pernambuco, cada vez mais, um polo de recepção e irradiação do saber. A interlocução com outros centros é fundamental, disse o professor Breno Sampaio à reportagem: “Ajuda por ter mais feedback de outras pessoas, e aí o trabalho vai se aperfeiçoando. Acho que ajuda até em um aspecto psicológico, assim, de você expandir um pouco a fronteira do que você acha que consegue fazer”.
Em um dos artigos publicados há poucos anos numa das mais prestigiadas publicações de Economia do mundo, a Econometrica, o professor Sampaio e outros autores apresentaram análise a respeito do efeito do desemprego e da falta de recursos sobre a criminalidade no Brasil. A realidade forneceu os dados, e a inteligência pernambucana teceu as relações. O Pimes conta com cérebros de outros estados e de outros países, assim como a presença de seus pesquisadores passou a ser respeitada lá fora. “A diversidade é positiva não apenas como um valor em si, mas porque ela traz para a pesquisa gente capaz de perguntar coisas que não seriam perguntadas”, afirmou o economista Filipe Campante, atualmente professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.


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