Ministro da Previdência Social afirmou que o tema deve ganhar protagonismo no debate eleitoral, mesmo em meio às investigações sobre fraudes
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– Tião Siqueira/JC Imagem
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O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, esteve presente na Conferência Estadual da Advocacia Pernambucana nesta quinta-feira (06), em Olinda. Segundo ele, a temática da Previdência será um grande debate nas eleições de 2026 e a dimensão do sistema previdenciário torna-se uma pauta difícil de não ser discutida em qualquer disputa eleitoral.
“Eu acredito que a previdência social é sempre um mote importante em qualquer disputa. Porque não é à toa que nós somos responsáveis por 47% do orçamento primário do governo federal. Então, os números da previdência social são enormes, a quantidade de pessoas que ela atende é gigantesca. A quantidade de segurados é quase 118 milhões, sendo 77 milhões de contribuintes. Portanto, você mexe com o Brasil inteiro quando mexe com a previdência social”, afirma.
Wolney também diz que o “governo está muito bem colocado nesse tema” e que possui entregas muito sólidas para apresentar à sociedade brasileira. Em meio às discussões sobre o escândalo do INSS, o ministro também fez questão de defender a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dizer que existe uma grande preparação para possíveis debates sobre o tema.
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“Nós descobrimos aquele roubo aos aposentados, que não começou no nosso governo, mas que descobrimos, desbaratamos, encerramos, devolvemos o dinheiro a 5 milhões de aposentados, 3,3 bilhões de reais. E a AGU bloqueou mais de 6 bilhões para trazer de volta esse dinheiro para cobrir e ressarcir os cofres do Estado. Temos boas entregas, estamos preparados para esse debate na campanha eleitoral”, destaca.
Ele também promete que, durante os próximos meses, o maior objetivo do governo é zerar a fila do INSS, classificando a iniciativa como inédita na história do país.
Ao ser questionado sobre a definição do vice na corrida eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), o ministro preferiu se abster de avaliações. “Cada um vota no seu time e o jogo só começa dia 16. Que vença o melhor. E eu sei que o melhor é aquele que mais faz”, rebate.
O anúncio de que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) irá compor a chapa presidencial ocorreu na última quarta-feira (05), após especulações de que ele teria uma vice mulher. Gaspar é ex-promotor de Justiça, foi procurador-geral de Justiça e também secretário de Segurança Pública do estado.
Eleito em 2022 para a Câmara, o nome dele ganhou destaque nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no INSS. O parlamentar também é alvo de um pedido de investigação sob suspeita de estupro de vulnerável. Gaspar nega, afirmando que “há uma perseguição política” pela atuação como relator da CPMI do INSS.
Vale lembrar que o relatório do deputado não foi aprovado na CPMI porque os governistas não deram os votos necessários, mas, durante o anúncio oficial da candidatura, ele alegou que possui as informações de que necessita para “abrir o bico” sobre esse assunto durante a campanha eleitoral. O candidato diz mostrar os caminhos e os nomes do escândalo.
Ainda sobre o assunto, o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, deixou a campanha do petista após a imprensa revelar empréstimos recebidos da empresária Roberta Luchsinger, lobista de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele alegou ter obtido R$ 249 mil da lobista, mas afirmou que se tratava apenas de “natureza estritamente privada”.
O Supremo Tribunal Federal (STF) também autorizou a abertura de três inquéritos contra o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), para apurar suspeitas de tráfico de influência com o operador financeiro do esquema, Careca.
Assim, o braço direito de Lula decidiu sair da equipe, a fim de não prejudicar a campanha eleitoral do presidente. Segundo informações do Estadão, alguns ministros já esperavam a saída de Marcola, pois Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, já começava a explorar o assunto nas redes sociais. E a indireta de Gaspar pode ter dado um gás ainda maior às especulações.
Relembre o escândalo do INSS
Conhecido como a “Farra do INSS”, o escândalo consiste em um esquema bilionário de fraudes que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos ilegais aplicados diretamente nas folhas de pagamento.
Segundo informações da Polícia Federal, associações e sindicatos de fachada inseriam mensalidades indevidas nos contracheques de idosos sem consentimento. Isso foi possível pois contou com a facilitação da própria cúpula do órgão, que vendia dados sigilosos dos beneficiários em troca de propinas. As investigações apontam o envolvimento de mais de 100 empresas suspeitas e lavagem de dinheiro em espécie.
O caso resultou na incriminação de dezenas de envolvidos, incluindo o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, acusado de receber repasses mensais de R$ 250 mil; o ex-procurador-geral Virgílio de Oliveira Filho, de receber mais de R$ 6 milhões; e o ex-diretor de benefícios André Paulo Félix Fideles, mais de R$ 3 milhões.
Já no âmbito político, as apurações avançaram na Operação Sem Desconto, atingiram o entorno do senador Weverton Rocha (PDT), além de inquéritos no STF que apuram suspeitas de tráfico de influência.
Em resposta ao rombo e para proteger os cidadãos, o Congresso aprovou uma nova legislação que proíbe estritamente o desconto direto de qualquer mensalidade associativa nos benefícios do INSS, mesmo com alegação de autorização prévia. A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) também movem dezenas de processos judiciais para tentar reaver e bloquear o patrimônio das entidades envolvidas.












