Em defesa da vida livre

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Campanhas de conscientização contra a violência machista e medidas de proteção das mulheres retratam a necessidade do envolvimento da sociedade

Por

JC


Publicado em 10/03/2026 às 0:00

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Se a incidência da misoginia, do machismo e do culto da brutalidade contra as mulheres parece contaminar o Brasil, em casos de violência chocante, felizmente não faltam exemplos a mostrar que a sociedade brasileira se dispõe a rechaçar os ataques, e cuidar de proteger a maioria feminina da população. O aumento do feminicídio e do estupro desafia os governos e impõe abordagens que, ao mesmo tempo, alcancem a linguagem abusiva das redes sociais, sem deixar de passar a essência da mensagem em defesa das mulheres para a compreensão de todos, nas escolas, nas igrejas, no ambiente familiar, de trabalho e de lazer.
As iniciativas não partem apenas do poder público, embora seja essencial que as campanhas e os programas com essa finalidade continuem, e tragam o resultado da eficiência pela redução das estatísticas tenebrosas que fazem da mera condição de ser mulher um risco de assédio, opressão e de morte. Em Pernambuco, o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares deu início a uma campanha de conscientização diretamente nos estabelecimentos. Como o JC informou em reportagem de Anaís Coelho, o objetivo é padronizar procedimentos internos e reforçar a responsabilidade social do setor, além de garantir a segurança das mulheres nos locais de convivência e diversão. Faz parte da campanha substituir a cultura da violência pela cultura do respeito, nas pessoas e episódios em que a fagulha do desrespeito for detectada.
O protocolo inclui recomendações como observação atenta, abordagem preventiva, acolhimento imediato, escuta ativa, espaço reservado para a recomposição das vítimas, isolamento do agressor para impedir que se aproxime novamente da mulher agredida, registro interno do incidente e acionamento das autoridades, em especial, da polícia, para que o caso não termine com o estímulo da impunidade.
No âmbito do governo do Estado, as Delegacias da Mulher atendem 24h por dia na Região Metropolitana do Recife. Novas 37 viaturas foram designadas exclusivamente para a Patrulha Maria da Penha, que cuida dos casos de ameaça às mulheres. E as casas de passagem para o acolhimento das vítimas foram reformadas, melhorando as condições de receptividade. Por sua vez, a Prefeitura do Recife lançou uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) para identificar sinais de violência relacionados ao atendimento nas unidades de saúde.
A mobilização da família, dos amigos, e mesmo de desconhecidos que testemunhem agressões e assédios, é fundamental para evitar que o ciclo da violência contra as mulheres prossiga deixando as brasileiras assustadas. A liberdade de ir e vir, de ser como desejar ser, não pode continuar associada ao gênero masculino, como se fosse prerrogativa de um poder naturalizado pelo abuso. A cidadania não tem gênero, os direitos são de todos e todas, sem distinção. A disparidade sentenciada pelo machismo, desdobrada em ímpeto bárbaro de estupidez incontida, precisa ser combatida em todo o país, sobretudo num estado como Pernambuco e numa cidade como o Recife, onde a desigualdade escancarada reflete, muitas vezes, condições de dominação e violência usuais dentro dos lares, das escolas e dos locais de trabalho.



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