Explosão desse tipo de transporte e crise na mobilidade pública faz com que 90% dos atendimentos de urgência no Grande Recife envolvam motocicletas
JC
Publicado em 26/05/2026 às 0:00
| Atualizado em 26/05/2026 às 6:58
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A falta de planejamento da infraestrutura de transporte público na Região Metropolitana do Recife vem causando danos cumulativos à população pernambucana, há anos. Desde o sucateamento do Metrô, passando pelos problemas repetitivos na oferta de serviços de ônibus, até o privilégio ao transporte individual – carros, motos e, sim, bicicletas, que apesar de solução sustentável, num contexto de saturação apenas acrescentam doses de insegurança ao trânsito caótico existente.
O ambiente de desarrumação e caminhos engarrafados se tornou cada vez mais arriscado, quando, no vácuo de uma mobilidade coletiva decente, os aplicativos de motos chegaram às ruas com tudo, tratando passageiros como delivery, em corridas que podem terminar antes do destino, no meio do trajeto, da pior maneira possível.
A frota de carros circulando no Grande Recife mais que triplicou desde 2001 – e se isso já seria preocupante, considere-se o crescimento de mais de 800% na quantidade de motocicletas na mesma região, no intervalo de 25 anos. Em vias de uso múltiplo, para todo tipo de veículo, de quatro ou duas rodas, sem estrutura adequada para o transporte coletivo, o resultado é o trânsito mais lento do país, e um alto custo para a saúde pública: graças à omissão que nos trouxe até aqui, o serviço essencial do SAMU está praticamente mobilizado para sinistros envolvendo motocicletas, com 90% dos atendimentos com vítimas tendo que se direcionar a essa demanda.












