Missão tripulada em órbita do satélite natural pode resgatar o gosto pela exploração humana fora do planeta – e valorizar ainda mais o nosso único lar
JC
Publicado em 01/04/2026 às 0:00
| Atualizado em 01/04/2026 às 7:27
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Em 20 de julho de 1969, o pouso do ser humano na Lua deixava a vida na Terra com jeito de ficção científica. A potência do conhecimento e da engenhosidade da civilização tecnológica parecia, então, dona de horizonte sem limites. E a bandeira de uma nação representava, ao mesmo tempo, a força ideológica da exploração de um território distante e desconhecido, e o sonho de desbravamento do espaço e de outros possíveis mundos, para toda a humanidade.
O nome do deus Apolo, deus da luz e da verdade, filho de Zeus, foi escolhido então para designar as espaçonaves que fizeram o trajeto de cerca de 400 mil quilômetros da Terra até o solo lunar. A que chegou lá pela primeira vez com astronautas a bordo foi a Apolo 11.
A última missão tripulada, que foi a sexta levando gente, teve a Apolo 17 como veículo, em 1972. Mais de meio século depois do “grande salto” para o astro vizinho, o nome da irmã gêmea de Apolo, Artemis, foi escolhido para nova missão de navegação espacial que tem a Lua como objetivo. É a deusa da vida selvagem, protetora dos animais.
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A Artemis 2 poderá partir da tradicional base de lançamentos de foguetes da Nasa no Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, nesta quarta, 1º de abril. Se as condições não estiverem ideais, a janela de decolagem permanece por alguns dias. Quatro astronautas estão na missão, os primeiros a mergulhar tão fundo no vácuo – mesmo que seja a uma distância tão rasa, em termos siderais – desde o fim da era Apolo. O objetivo é dar um giro próximo à Lua, e regressar à Terra, em cerca de dez dias de viagem. Não há pouso previsto em solo lunar, não haverá cenário para pegadas históricas. Mas o contorno bem-sucedido terá significados importantes para a nova corrida espacial.
Um deles é a prova da tecnologia. Da propulsão a hidrogênio líquido até o retorno em segurança para casa – o planeta-lar – a missão é um teste para o que está sendo feito na direção de viagens fora da atmosfera terrestre. A visualização e registro da face escura da Lua é outro foco do interesse científico – e da curiosidade dos terráqueos.
Tudo será um preparativo para a Artemis 4, que aí sim, deverá levar tripulantes a pisar novamente na Lua, em 2028, segundo o planejamento da agência espacial estadunidense. Dois anos antes da promessa da China, que também pretende enviar gente para lá, em 2030. Tanto chineses quanto norte-americanos pretendem construir uma base lunar, para fins de pesquisa e exploração econômica.
Em entrevista ao JC em março de 2024, a respeito de seu livro “O despertar do universo consciente”, o físico Marcelo Gleiser afirmou que “um planeta que tem uma biosfera com a incrível diversidade como a nossa merece ser celebrado e venerado. Esse é o sentido de sagrado. É esse cuidado, esse carinho com a natureza que precisamos para salvar o futuro da civilização”. Ao nos voltarmos, de novo, para a Lua como pista de pouso e alvo de conquista, a humanidade pode, quem sabe, prestar atenção no lugar onde está.
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