Menos de 24 horas depois do anúncio de cessar-fogo, Israel, Estados Unidos e Irã mostram desacordo – e as bombas seguem caindo e matando
JC
Publicado em 09/04/2026 às 0:00
| Atualizado em 09/04/2026 às 7:08
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As informações conflitantes e a falta de confiança mútua entre os líderes deixaram o acordo de cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos se transformar em declaração de boas intenções que não durou um dia sequer.
As conversas prosseguem, mas o bombardeio em ilhas iranianas e o duro ataque de Israel ao Libano, que matou mais de duzentas pessoas, resultaram em novo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção de petróleo no mundo. Para o Irã, o acordo foi desrespeitado – mas para Donald Trump e Benjamin Netanyahu, o front do Líbano não estaria nas negociações.
O problema é que as autoridades do Paquistão, que mediaram o acordo, confirmaram a versão iraniana de que todas as frentes de batalha estariam incluídas. E mesmo que não tenha havido combinação explícita neste sentido, a ofensiva israelense visando o Hezbolah – e atingindo cidadãos e edificações civis libanesas – atendeu a uma compulsão bélica que parece irrefreável e inadiável, unindo os chefes de governo irmanados no gosto pela violência dos mísseis.
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Democracias que põem em risco a liberdade sobre a qual se respaldam, e avançam cada vez com mais voracidade contra o direito internacional, EUA e Israel vão somando dificuldades para a diferenciação de seus objetivos e métodos, daqueles expostos pela brutalidade de regimes ditatoriais, como o Irã.
A complexidade da situação no Oriente Médio, após o presidente estadunidense ter ameaçado extinguir “uma civilização inteira”, em referência ao Irã, solicitaria aos israelenses um pouco mais de cooperação e prudência.
A continuidade e até aumento dos bombardeios no primeiro dia de cessar-fogo não suscitaria outra reação do Irã, que logo mencionou a possibilidade do rompimento do acordo, e fechou Ormuz, cuja liberação é parte essencial da expectativa de paz na região. Sem a retomada do fluxo de embarcações, cuja paralisia afeta milhões de habitantes, sobretudo na Ásia e no próprio Oriente Médio, a motivação econômica para a guerra se renova.
O novo horizonte para o diálogo é o próximo final de semana, quando iranianos e norte-americanos podem retomar a conversa, em solo paquistanês. Seria importante a inclusão de Israel, para evitar outros desconcertos. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, seria deslocado para a ocasião.
A Casa Branca tem repetido que seus objetivos no Irã foram cumpridos, mas a afirmação soa retórica vazia se as ofensivas ao lado de Israel não cessam. A imprensa e a população norte-americana, aliás, têm questionado Trump sobre tais objetivos, que permanecem obscuros na justificativa de gastos bélicos da ordem de muitos bilhões de dólares.
Se a compulsão pela guerra não for dominada, ou ao menos refreada, será difícil a conquista de uma trégua capaz de restaurar relações pacíficas na região.
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