Crítica: Minions homenageiam e dessacralizam reis da comédia em novo filme

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Crítica: Minions homenageiam e dessacralizam reis da comédia em novo filme


Não é de hoje que os Minions sabem que Hollywood funciona na base do caos. Ainda no início de “Minions e Monstros”, os simpáticos personagens amarelos invadem Los Angeles por acaso, enquanto sequestram um trem desgovernado e perseguem um ladrão de banco que parece saído de uma história de faroeste.

Para a surpresa das criaturas, o bandido, na verdade, é um ator. Na sede para encontrar um vilão para servir, elas não percebem que o assaltante faz parte de um filme gravado na região. Azar mesmo só o da cidade, que na confusão vê uma avenida inteira destruída pelo trem raptado, em plena década de 1920.

A sequência é muito divertida, cheia das boas sacadas de humor físico que definiram a reputação dos Minions nas últimas duas décadas. Mas ela também vem com um detalhe atípico, desses que ajuda a continuação a reforçar ao público a grande brincadeira que são as aventuras desses personagens.

Isso porque os Minions, durante o seu passeio de destruição, acabam por azucrinar também Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, os três grandes nomes da comédia da era de ouro de Hollywood.

O estranho encontro termina com os Minions massacrando o trio, ao se apropriar de algumas das cenas mais icônicas de seus filmes. Os personagens espantam Chaplin das engrenagens da máquina de “Tempos Modernos“, derrubam a fachada da casa de “Marinheiro de Encomenda“, de Keaton, e quase fazem Lloyd cair do relógio de “O Homem Mosca“.

A piada até soa como homenagem, mas serve melhor como dessacralização. É como se naquele momento os seres amarelos fossem alçados ao patamar de grandes mestres do humor, tão desenfreados e anárquicos quanto os antecessores que rebaixam por acidente.

Nessa provocação rasteira, “Minions e Monstros” aproveita para seguir os passos desses artistas e organizar melhor a comédia dos personagens, sobretudo a nível narrativo. A continuação da vez é construída em torno do humor, com a história amarrando os mais diferentes cenários por meio de desculpas simples, em um vai para lá e vem para cá sucessivo.

O fiapo de trama é um filme dentro do filme, que funciona como a grande invenção do momento das criaturas. A sequência também escolhe novos protagonistas nos minions Henry, James e Ed, bagunceiros que prosperam a partir da invasão do grupo em Hollywood.

Graças a eles, a tropa amarela vira um fenômeno da era silenciosa de Hollywood, mas se dá mal em seguida com a chegada do som à indústria. Para reverter o problema, o trio resolve produzir uma aventura por conta própria e, no processo, liberta monstros perigosos de um antigo livro de feitiços.

Como o tema do longa é o próprio cinema, o roteiro bate todo tipo de referência no liquidificador. Além dos três comediantes hollywoodianos, os tais monstros citados envolvem uma miniatura de Cthulhu, a assustadora criatura inventada pelo escritor H.P. Lovecraft, que serve de vilão à história.

O filme também inventa uma subtrama com um alienígena robótico, que lembra o estranho ser metálico do clássico “O Dia em que a Terra Parou”, e seu romance com uma moça do movimento feminista da época. Já o prólogo revisita a origem dos Minions em tom de odisseia, com gigantes, múmias e feiticeiros aparecendo no caminho dos bichinhos.

Entre sets de filmagem e criaturas místicas, “Minions e Monstros” dá a impressão de que ruma para a bagunça completa, mas nunca perde o gingado. Muito porque a continuação sabe apostar no humor dos personagens, com a trama dedicada às esquetes e esgotando piadas em vez de forçar o andamento por acontecimentos bombásticos.

A continuação assim vira uma sequência imensa de “nickelodeons”, os filmes da alvorada do cinema americano, ligando historietas das criaturas sem discrição.

Nisso, chama a atenção a decisão do diretor, Pierre Coffin, de reduzir o ritmo da aventura. Este terceiro “Minions” claramente abdica da hiperatividade sensorial que definiu a série “Meu Malvado Favorito”, usando bem menos das montagens aceleradas que definiram o antecessor de 2022, por exemplo.

O encaixe funciona, e os Minions ganham de vez o protagonismo que parecem circular a esmo e sem sucesso desde a sua invenção em 2010. O filme ora ou outra corre o risco de ficar desanimado, em especial quando deixa de lado o glamour hollywoodiano, mas o público ganha tempo para se envolver com os protagonistas.

Com isso, a animação diverte também pelas especificidades e intransigências de cada criaturinha, seja em suas teimosias, limitações ou belos sonhos infantis —matéria-prima da contação de histórias do cinema.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *