Para ficar bonzinho com Deus e o Diabo, o pré-candidato Flávio Bolsonaro só assinou o requerimento da CPI quando já não era mais preciso
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CPI PARA QUÊ?
Para investigar as ações de um grupo que se apropriou do aparelho do Estado — ou da negligência deste — para agir em benefício próprio. Dos 81 senadores, 35 assinaram o pedido da CPI da Toga/Master. Nenhum dos três senadores de Pernambuco apoiou a CPI, que está pronta para ser instalada e “apurar a existência, a natureza e a extensão de eventuais relações pessoais, financeiras ou de outra ordem entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master”, como diz o requerimento do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
EFEITO AVESTRUZ
O pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), só assinou o requerimento depois que viu que Alessandro Vieira tinha conseguido assinaturas de sobra. Era necessárias 27. A assinatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é a de número 29. Pura conveniência
CANTANDO A PEDRA
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, prestou mais um dos serviços que lhe são próprios. Ele criticou a exposição de conversas pessoais do banqueiro Daniel Vorcaro.
— Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal (…) Ao transformar o que deveria ser uma investigação técnica em um espetáculo e em um verdadeiro ato de linchamento moral.”
BEM LEMBRADO
Da articulista Lygia Maria, em sua coluna no UOL:
— Só numa república bananeira como o Brasil um juiz da corte constitucional que tem relações com o líder de uma organização criminosa ainda não foi — e tudo indica que não será — investigado.
APARECEU A MARGARIDA!
Primeiro não havia contrato; depois, o contrato apareceu com tantas atividades — mas tantas — que, no mundo corporativo, quem leu o relatório do escritório de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advogados vai concluir que trabalharam muito. Mas, comparando datas, atividades e eventos, as inconsistências são gritantes.
NÃO CUSTA LEMBRAR
Qualquer bom assessor de imprensa analisa a nota que lhe for encomendada antes de enviá-la à imprensa. Assim também faz um bom criminalista, passando pente fino nas palavras e nos itens desnecessários. Ao negar metade das informações, a outra metade passa a ser o destaque, entra em evidência.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
Em setembro de 1969, um grupo de guerrilheiros brasileiros — integrantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e da Ação Libertadora Nacional (ALN) — sequestrou o embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Charles Burke Elbrick foi trocado por 15 presos políticos, entre eles José Dirceu, deputado que foi cassado como chefe do Escândalo do Mensalão do PT, em 30 de novembro de 2005.
O SEQUESTRADOR
No fim de semana, um dos sequestradores, Franklin Martins, entrou no Panamá e de lá foi deportado. Foi mandado de volta para o Brasil. A ficha do ex-ministro do governo Lula da Silva (PT) continua suja lá fora.
PENSE NISSO!
Ao ler o comentário do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, quando ele diz que “A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional”, logo fiquei pensando: o que houve com o STF?
O tribunal passou dos limites? Gilmar chegou a dizer que “ao permitir a divulgação dessas mensagens, o Estado transforma o que deveria ser uma investigação técnica em ‘espetáculo’ e ‘linchamento moral’”.
Barbárie institucional, ministro, é dois de seus colegas terem envolvido a secular instituição Supremo Tribunal Federal a ponto de o cidadão médio não saber diferenciar quem é o ministro e até onde vai o seu poder — e acabar colocando tudo no mesmo saco.
Isso é barbárie institucional: dois de seus colegas maculando o nome da instituição.
Pense nisso!

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