Mauro Wainstock diz que vivemos era da TRANSIDADE e devemos nos preocupar menos com os nossos anos de vida e mais em colocar mais vida em nossos anos
Fernando casttilho
Publicado em 30/03/2026 às 7:00
| Atualizado em 30/03/2026 às 14:25
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Com que idade você acredita que está? Não a que está na sua certidão de nascimento e que serviu para seu CPF que agora no Brasil é o número de identificação. Com que idade você se sente ao acordar e iniciar sua rotina de atividades?
Nos últimos anos, quando o ser humano de uma forma geral passou a viver mais anos, cada vez mais pessoas começam a se perguntar qual a idade em que se sentem e agir a partir dessa percepção seja para ter uma qualidade de vida melhor, seja para se relacionar com sua família, seja para trabalhar.
A questão do envelhecimento populacional foi o tema da palestra do consultor e especialista em etarismo Mauro Wainstock que esteve no Recife para falar no JCPM Trade Center, por ocasião dos três anos da revista Viva a Vida 60+, onde falou sobre os desafios e oportunidade da diversidade etária na qual defendeu uma mudança de comportamento da sociedade a começar pelo público e mais idade.
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A sociedade tem que mudar determinadas posturas trazendo um viés muito menos preconceituoso em todos os aspectos.disse. Particularmente sobre o etarismo. Falo de mudar tanto a sociedade como o próprio mundo corporativo, de inclusão, recrutamento, de seleção. Contratar muito mais pelas habilidades e pelo perfil do que pela idade, e isso para a idade mais nova ou mais velha, disse o consultor que abordou a questão do etarismo no mercado de trabalho.
A carreira tradicional hoje é multimídia
Por outro lado, adverte Wainstock, é necessário que do outro lado, qualquer tipo de profissional entenda que o mercado mudou. Aquilo que se fazia no passado não faz mais sentido hoje. E temos vários exemplos de profissionais que estavam há 30 anos no mundo analógico e se reinventaram totalmente no mundo digital. A carreira tradicional hoje é multimídia. Não é questão de se atuar na área em que se tem formação.
Os dados mostram que “A Década do Envelhecimento Saudável”, como a OMS definiu o período de 2021 a 2031, tem desafios. Frequentemente o fato de o Japão ter idosos 29,1% de sua população com mais de 65 anos que naquele país 10% já terem mais de 80, esquecendo no Brasil segundo o IBGE o país ter 15,6% da sua população com mais de 60 anos que será 37,8% em 2070. Estudos recentes mostram que em apenas 83 anos o Brasil agregou 31 anos de vida a mais de sua população.
No mercado de trabalho já existem reflexos econômicos. Cresceu em 3.000% o números de reclamações de empregados por etarismo. Isso em 2018 representou um custo para as empresas de R$ 1,57 milhão. Em 2023 subiu para R$ 174,64 milhões.
Mas a questão do trabalho já atinge os jovens que se sentem igualmente discriminados. Wainstock lembrou que entre 2021 e 2024 cresceu em quase 500% (493%) o número de afastamentos do trabalho por burnout.
Entretanto, qual é o limite se continua a trabalhar? Tânia Maria, do filme O Agente Secreto, virou atriz de cinema aos 70 anos. Fernanda Montenegro está estrelando um novo filme com mais de 95.

Especialista em etarismo Mauro Wainstock. – Divulgação
O desafio de cuidar dos filhos e dos pais
Mas afinal, quem são esses brasileiros com mais idade? Onde estão? O Que Fazem? Como se Alimentam? Como se comportam?
Uma parte dela agora vive o novo desafio. Cuidar dos filhos e dos pais. Não raro eles com mais de 50 anos, a chamada geração sanduíche é um bom caso, segundo Mauro Wainstock, lembrando os desafios de um país que não enriqueceu para se sustentar quando chegasse à velhice.
Ele abordou a questão de como o público com mais anos de vídeo se percebe na sociedade fazendo a pergunta: Qual seria a sua idade, se você não soubesse quantos anos você tem?
Temos as pessoas movidas pela curiosidade, com a cabeça aberta, que nunca param de aprender e que veem a vida como uma linha do tempo, mas como uma rede de conexões e experiências. E temos aqueles que se identificam com uma idade muito menor. É o que o consultor chama de TRANS IDADE (junta as duas palavras mesmo).
Ele defende o conceito de que antes de incluir é indispensável não excluir, porque os brasileiros com mais de 40 anos já somam 87 milhões de indivíduos. O que leva a uma pergunta perturbadora faz sentido classificar de velho um profissional aos 40 anos? Mas segundo pesquisa recentes da consultoria Inforjobs 70% dos trabalhadores nessa faixa relataram já ter sentido preconceito etário na hora da entrevista.
Mauro Wainstock pergunta: no mundo de hoje faz sentido o conceito de aposentadoria
compulsória? Lembrando que a média de idade dos CEOs das empresas da bolsa de valores é de 55 anos e de conselheiros, 58 anos. Ou seja, para comandar a empresa é bom ter mais idade, para trabalhar nela, não.
O desafio brasileiro quando se trata da questão do etarismo é que desconhece a realidade do Brasil no trabalho. 76% das residências são sustentadas pelos 50+. Mas afinal, quanto valem os aprendizados conquistados com os erros cometidos no passado?

Consultor Mauro Wainstock entre Luciano Moura e Sergio Moury Fernandes da Revista Viva a Vida 60 . – Divulgação
O custo de perdas geradas pelo turnover
Mas na empresa isso tem custo na conta de perdas geradas pelo turnover e absenteísmo: menos produtividade operacional, mais substituição e reposição, redução de receita e performance comercial, custos administrativos, menor qualidade e retrabalho e redução de clima e engajamento. No fundo advertiu que precisamos de uma inclusão real com harmonia geracional.
O consultor atenta para a perda de oportunidades do mercado 50+, 60+ e mais faixas etárias. Aparentemente, as empresas ainda não perceberam o potencial desse segmento. Estamos falando de US$ 22 trilhões de dólares no mundo. Ou de um mercado de R$ 2 trilhões no Brasil. Estamos falando de um público que é o maior consumidor que tem no mundo virtual e no mundo presencial. De um público de maior poder aquisitivo.
Ele faz um questionamento bem pertinente: Onde está a propaganda para esse povo? As agências colocam a propaganda lá voltada para o jovem, porque a gente não quer envelhecer a marca da empresa, a gente está perdendo dinheiro. Primeiro, porque esse público não tem renda para adquirir um produto mais caro. Depois perdeu o que tem esse poder aquisitivo. O marketing não está entendendo o recado. Está negligenciando este consumidor.
Apesar de tudo, Mauro Wainstock reconhece que existem mudanças, embora para a publicidade esse público seja um enorme desafio. Talvez pelo etarismo das agências de comunicação que dispensaram os criadores mais jovens
Encerrou sua conversa com uma mensagem bem estimulante: Precisamos nos preocupar menos com os nossos anos de vida e mais em colocar mais vida em nossos anos. “Certo, envelhecer não é para amadores, brincou concluindo que a imortalidade está nos livros que você escreveu, nos filhos que criou, mas também nos valores que transmitiu e no legado que você deixou”.






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