São Paulo
A Feira do Livro volta à praça Charles Miller, no Pacaembu, de 30 de maio a 7 de junho com programação que reúne mais de cem autores em cerca de 200 atividades gratuitas.
Cheio de nomes já conhecidos do público, o evento também funciona como espaço para descobrir escritores nacionais e internacionais que podem estar fora do radar de muita gente.
Movimentação durante A Feira do Livro de 2025
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Rafaela Araújo/Folhapress
Em sua quinta edição, o festival literário promove debates, estreias de títulos e oficinas que atravessam literatura, jornalismo e ciências. Em 2025, recebeu mais de 84 mil visitantes. A programação se divide entre conversas com autores em três palcos principais e atividades nos chamados tablados literários, onde editoras e parceiros organizam lançamentos, debates e sessões de autógrafos.
Entre as novidades de 2026 está uma plataforma digital que centraliza a agenda do evento. Pelo site afeiradolivro.com.br, o público pode montar uma programação personalizada, salvar eventos no celular e consultar a lista de autores, editoras e livrarias participantes.
Nomes da literatura internacional participam, como a colombiana Pilar Quintana, autora de “A Cachorra”, que conversa com o público no domingo (31), às 18h. A programação também inclui o italiano Sandro Veronesi, autor de “O Colibri”, em encontro no sábado (30), às 16h15.
A literatura brasileira ocupa espaço central na programação, com debates com a escritora Ana Maria Machado (5/6, às 11h), o compositor Nei Lopes (4/6, às 18h) e o escritor e crítico Silviano Santiago (6/6, às 16h15).
Assim como na última edição, o evento terá uma programação dedicada a crianças, o espaço Rebentos, com oficinas ministradas pelos autores Ilustralu, Odilon Moraes, Aline Abreu e Paty Wolff.
Em ano eleitoral, o jornalismo terá destaque. Parceira da Feira do Livro desde a primeira edição, a Folha promove o programa “Folha na Praça”, com discussões e entrevistas. No sábado (30), às 14h30, a fotógrafa Gabriela Biló e o jornalista Eduardo Scolese, profissionais da Folha que acompanharam de perto o governo Jair Bolsonaro, conversam sobre os bastidores do período.
Veja, a seguir, seleção com dez debates com presença de autores para conhecer na Feira do Livro.
A Feira do Livro
Pça. Charles Miller – Pacaembu, São Paulo, região oeste. De 30/5 a 7/6. Seg. a qua., das 14h às 21h. Sáb., dom. e feriados, das 10h às 20h. Entrada gratuita
Adriana Negreiros
A jornalista e escritora paulistana se dedica à investigação histórica e cultural, com foco nas relações entre gênero, poder e violência. Em seus livros, combina apuração e relatos pessoais, como em “A Vida Nunca Mais Será a Mesma”, em que ela alterna seus depoimentos sobre um estupro sofrido em 2002, com casos verídicos de outras mulheres, noticiados na imprensa ou investigados por ela. Na feira, faz parte de uma edição ao vivo do podcast 451 MHz e lança a biografia “Dercy: A Diva Debochada”, em que revisita a trajetória da atriz Dercy Gonçalves, evidenciando machismo, censura e conservadorismo que marcaram sua carreira.
Palco da Praça, ter. (2/6), às 15h30
Charles Duhigg
Nascido nos Estados Unidos, é jornalista e autor de não ficção, conhecido por traduzir pesquisas complexas em narrativas acessíveis sobre comportamento, produtividade e tomada de decisão. Ex-repórter investigativo do New York Times e vencedor do Prêmio Pulitzer, o autor de “O Poder do Hábito”, sua obra mais famosa, examina como padrões de comportamento se formam e podem ser transformados Durante a apresentação, Duhigg detalha este e outro livro, “Supercomunicadores”, que mostra como conversar e se conectar melhor com as pessoas no dia a dia.
Palco da Praça, seg. (1°/6), às 19h
Chico Mattoso
Nascido na França, o escritor Chico Mattoso viveu em São Paulo a vida toda. Estreou como romancista em 2007 com “Longe de Ramiro”. No ano passado, publicou “O Hipopótamo”, história de formação sobre uma criança paulistana que cresce observando em seus pais separados as marcas da ditadura militar. O autor conversa com Maria Brant, de “O Ano do Cometa”, sobre a infância no fim da ditadura e cercada pela cultura dos anos 1980. Patrícia Ditolvo intermedeia a conversa.
Palco da Praça, sex. (5/6), às 16h15
Chukwuebuka Ibeh
O escritor nigeriano estreia com o romance “Bênçãos”, narrativa de formação ambientada na Nigéria pós-ditadura militar. O livro acompanha o amadurecimento de um menino gay em confronto com instituições que criminalizam o desejo e regulam masculinidades. Na Feira, Ibeh leva esse campo de tensões ao debate ao discutir masculinidades negras e LGBTQIA+ na ficção, com o escritor brasileiro Stefano Volp.
Auditório do Museu do Futebol, dom. (31), às 16h45
Daniela Catrileo
É escritora, professora de filosofia e ativista do povo mapuche —etinia presente no centro-sul do Chile, onde ela nasceu. Em poesias, contos e romances, explora identidade, desigualdade e território a partir de experiências indígenas e urbanas. Autora de “Chilco”, que narra a história de um casal que muda para uma pequena ilha na América Latina e se reconecta com a sua ancestralidade, Catrileo conversa na Feira com o autor paraense Daniel Munduruku sobre cultura indígena, colonialismo e literatura.
Palco da Praça, qui. (4/6), às 14h30
Dona Rosinha
Ela chegou à cena literária aos 66 anos, concatenando o que viu e ouviu em sua vida em “Memórias do Meu Quilombo”. O livro, sobre o qual ela fala na festa, conta sobre uma vida machucada pela orfandade na infância, pela pobreza e pelo racismo, mas também marcada por afetos e pequenas alegrias. Conversa com ela a escritora e jornalista Bianca Santana.
Auditório do Museu do Futebol, dom. (7/6), às 11h30
Egana Djabbarova
Russa de origem azerbaijana, é poeta, ensaísta e romancista. Sua obra articula poesia e prosa a partir de perspectivas feministas e decoloniais, tratando de memória familiar, pertencimento cultural e as marcas do espaço pós-soviético. Em “As Mãos das Mulheres da Minha Família Não Serviam para Escrever”, livro que ela lança no Brasil durante o evento, o gesto da escrita surge como resposta ao silenciamento sofrido por suas parentes, que passaram por experiências de violência e resistência. No debate, a autora vai relacionar exílio, deslocamento e literatura ao lado do escritor Alberto Martins.
Auditório do Museu do Futebol, sáb. (30), às 16h45
Julia Kumpera
A historiadora examina a vida das mulheres, especialmente as lésbicas, e sobre as ditaduras americanas. Ela está para lançar “Na Noite Lésbica: O Levante do Ferro’s Bar”, que conta a história da primeira manifestação protagonizada por mulheres lésbicas do Brasil, em 1983. Ela conversa com Erika Palomino, jornalista que mapeou a cena clubber paulistana dos anos 1990, e com Renan Quinalha, professor, advogado e ativista LGBTQIA+.
Palco da Praça, sáb. (6/6), às 12h45
Kauê Lopes dos Santos
O geógrafo pesquisa as dinâmicas econômicas de nações em desenvolvimento. É autor de “Africano: Uma Introdução ao Continente”, livro dedicado a dispersar os ares de exotismo, tragédia e homogeneidade que recobrem a visão de muita gente sobre o continente, explorando como diferentes territórios da região adentraram o século 21. Na feira, conversa com a ensaísta argentina Paula Sibilia sobre o consumismo na era digital. A mediação é de Tati Bernardi, colunista da Folha.
Auditório do Museu do Futebol, sex. (5/6), às 11h30
Stefano Mancuso
O botânico italiano é pioneiro da neurobiologia vegetal, que analisa a forma como as plantas adquirem informações e as comunicam. Ele apresenta, em conversa mediada pela jornalista Maria Guimarães, “Fitópolis”, sobre como as plantas podem inspirar novas formas de organizar as cidades. Ele defende que a solução para os centros urbanos não é priorizar o bem-estar das pessoas, mas pensar a humanidade como parte de um ecossistema mais amplo. Usa exemplo de um olival na Sardenha e arborização de Curitiba.
Palco da Praça, qui. (4/6), às 16h15













