Não vai ser fácil assistir a “A Odisseia” do jeito imaginado por Christopher Nolan. A adaptação, afinal, é o primeiro longa filmado inteiramente no formato Imax, e não são muitas as salas que carregam a tecnologia —no Brasil, são 12.
Conhecido por seu rigor técnico, Nolan tinha o sonho de filmar um projeto assim havia anos, mas limitações tecnológicas o impediam. Quando decidiu adaptar “Odisseia”, porém, percebeu que esta era a história perfeita, épica e fantástica, para justificar o investimento de tempo e dinheiro.
“Eu comecei a filmar em Imax em ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’, quando fomos meio que pioneiros dessa ideia de já filmar no melhor formato possível”, diz ele, em referência a um momento da indústria em que os longas eram rodados em câmeras comuns e adaptados para telas Imax.
Nesse formato de exibição, pensado para permitir uma experiência mais imersiva, as telas são significativamente maiores e os projetores e sistemas de som são mais potentes.
Quando se filma uma cena com câmeras desenvolvidas pela empresa canadense, ainda é possível capturar uma porção maior do que está na frente das lentes, já que o enquadramento em Imax é mais verticalizado.
“A imagem é mais nítida, a reprodução de cores é mais fiel, mas o problema é que essas câmeras são barulhentas. Ninguém era capaz de filmar cenas de intimidade, rostos, diálogos, momentos dramáticos”, segue Nolan. Era como atuar com um liquidificador na sua cara, segundo o ator Matt Damon.
“A solução foi desenvolver uma caixa supertecnológica, que armazena a câmera e abafa o som. Conseguimos capturar a textura dos rostos dos atores de forma mais viva.”
O resultado foi a The Keighley, nome da nova câmera envolta numa carcaça antirruído, batizada em homenagem a David Keighley, executivo da Imax morto no ano passado.
Filmar com as câmeras se provou uma tarefa ainda mais hercúlea, porém, já que cada uma pesa cerca de 140 quilos e consegue armazenar o equivalente a três minutos de filme.
Por isso, o diretor de fotografia, Hoyte van Hoytema, montou uma equipe para trocar os rolos de filme com rapidez. Ele também desenvolveu um jogo de espelhos para ajudar os atores, que, distantes devido à caixa das câmeras, tinham o contato visual bloqueado.
“A Odisseia”, com suas quase três horas, exigiu 640 quilômetros de filme em 70 milímetros, quase o dobro da distância entre São Paulo e Rio de Janeiro.
“O desafio para os cinemas é proporcionar uma experiência que seja melhor que a da sala de casa”, diz Nolan. “O Imax é um dos elementos que podem ajudar a mostrar a diferença de ir até o cinema para assistir a uma história.”
O jornalista viajou a convite da Universal Pictures













