Alterações bruscas nos horários, excesso de estímulos, podem desencadear ansiedade, irritabilidade e dificuldades de autorregulação emocional
JC
Publicado em 11/07/2026 às 9:29
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Enquanto para muitas crianças as férias escolares representam um período de descanso e quebra da rotina, para famílias de crianças neurodivergentes, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa mudança pode trazer desafios importantes.
Alterações bruscas nos horários, excesso de estímulos e a falta de previsibilidade podem desencadear ansiedade, irritabilidade e dificuldades de autorregulação emocional.
De acordo com a especialista em Desenvolvimento Infantil Elizabete Souza, sócia da Clínica Mundo da Aprendizagem, o ideal não é manter a rotina escolar de forma rígida, mas preservar uma estrutura que ofereça segurança à criança durante o período de férias.
“É importante que as férias sejam um momento de descanso e diversão, mas isso não significa abandonar completamente a organização do dia. Manter horários próximos para dormir, acordar e se alimentar ajuda a criança a se sentir mais segura e reduz os impactos das mudanças na rotina”, explica.
Segundo a especialista, também é possível aproveitar o recesso para fortalecer o desenvolvimento infantil por meio de atividades lúdicas.
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Brincadeiras sensoriais, jogos, leitura, culinária, contato com a natureza e momentos de interação em família contribuem para estimular habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais, respeitando sempre o perfil e os interesses de cada criança.
As viagens e passeios, comuns neste período, também podem ser planejados de forma a reduzir possíveis desconfortos. Antecipar o roteiro, mostrar fotos dos locais que serão visitados, explicar o que acontecerá durante o passeio e levar objetos de conforto da criança são estratégias que ajudam a tornar essas experiências mais tranquilas.
Além de preservar uma rotina organizada, outro cuidado importante durante o recesso é manter o acompanhamento terapêutico. Embora muitas famílias aproveitem as férias para viajar ou flexibilizar a agenda, a interrupção prolongada das terapias pode comprometer avanços conquistados ao longo do ano.
“Se a família precisar fazer uma pausa por causa de uma viagem ou passeio, o ideal é que seja algo pontual e planejado. Quando interrompemos esse acompanhamento por muito tempo, a criança pode perder habilidades que já estavam sendo trabalhadas, e muitas vezes precisamos retomar esse processo praticamente do início. As férias já oferecem momentos livres para passeios e lazer, mas as terapias continuam sendo fundamentais para o desenvolvimento”, orienta a psicopedagoga.
Volta às aulas
Outro ponto importante é não deixar para a última hora a preparação para o retorno às aulas. Segundo a especialista, nos dias que antecedem o fim das férias, a recomendação é retomar gradualmente os horários escolares, reorganizar a rotina diária e conversar com a criança sobre a volta ao ambiente escolar. Essa adaptação progressiva tende a reduzir a ansiedade e facilitar a transição.
“Cada criança é única e responde de forma diferente às mudanças. O mais importante é que a família observe suas necessidades, mantenha uma rotina flexível, mas previsível, e faça essa transição de maneira acolhedora, tanto nas férias quanto na volta às aulas”, conclui Elizabete.














