‘Comigo não terá vida fácil’, diz João Campos ao defender ofensiva contra facções em Pernambuco

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‘Comigo não terá vida fácil’, diz João Campos ao defender ofensiva contra facções em Pernambuco


Em reunião, João defendeu novo modelo de segurança, integração das forças policiais e rastreamento do dinheiro das organizações criminosas

Por

Larissa Aguiar


Publicado em 14/09/2026 às 20:25
| Atualizado em 14/09/2026 às 20:28


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O candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos, defendeu nesta segunda-feira (14) uma reformulação da política de segurança pública do Estado, com prioridade para o combate às facções criminosas, o fortalecimento da Polícia Civil e a criação de uma estrutura específica para enfrentar os crimes cibernéticos.

Durante encontro com representantes da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Pernambuco (Adepe), no Recife, o candidato afirmou que pretende ampliar a autonomia da corporação e classificou o avanço das organizações criminosas sobre territórios pernambucanos como uma das principais ameaças a serem enfrentadas pelo próximo governo.

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Os delegados apresentaram uma série de reivindicações, entre elas a ampliação das delegacias de plantão 24 horas, o fortalecimento da investigação de crimes patrimoniais e digitais, a criação de uma força integrada de combate às facções e melhorias na estrutura física das unidades policiais. A categoria também defendeu uma política permanente de valorização dos profissionais, com atenção à carreira, às condições de trabalho e à saúde mental.

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Ao responder às demandas, João anunciou a criação de um departamento especializado no combate aos crimes cibernéticos. Segundo ele, a estrutura existente é insuficiente diante do crescimento desse tipo de ocorrência. “Não adianta ter uma delegacia em Pernambuco para isso tudo. Quantas pessoas de Pernambuco não já foram vítimas de ataques cibernéticos?”, questionou.

Combate às facções

Para João, a mudança no perfil da criminalidade exige uma nova estratégia. O candidato afirmou que Pernambuco enfrenta uma escalada da presença de grandes organizações criminosas nacionais e que o Estado precisa recuperar o controle dos territórios onde esses grupos passaram a atuar. “O que a gente precisa é construir um novo modelo, que dialogue com a nova forma de crime e que construa uma polícia com força digital, com presença rápida, acessível”, afirmou.

Na avaliação do candidato, a repressão ostensiva, sozinha, não é suficiente para desmontar as estruturas criminosas. Por isso, defendeu maior capacidade de investigação e integração entre as forças de segurança e a Secretaria da Fazenda, sobretudo no rastreamento do dinheiro proveniente de atividades ilícitas e no combate à lavagem de dinheiro. “O crime precisa saber que aqui no Estado de Pernambuco vai ter uma integração de tal forma que o dinheiro do crime vai ser rastreado. A gente tem que ser um ambiente hostil à presença financeira do crime organizado”, declarou.

João também prometeu fortalecer o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracon), inclusive para investigar possíveis relações entre agentes públicos e organizações criminosas. “Não podemos tolerar. Tolerância zero, porque política não é espaço para crime”, afirmou.

João afirmou que, se eleito, pretende preservar a instituição de interferências políticas e garantir condições orçamentárias e administrativas adequadas para o trabalho investigativo. “Governador nenhum tem que estar interferindo na Polícia Civil, nos seus interesses. A Polícia Civil tem que ser preservada, respeitada”, declarou.

Funções administrativas

O candidato também propôs a criação de funções administrativas específicas nas delegacias, retirando dos profissionais responsáveis pela atividade-fim parte das tarefas burocráticas. A ideia é selecionar servidores, prioritariamente do próprio quadro da Polícia Civil, para assumir a gestão administrativa das unidades, com remuneração adicional.

João afirmou que pretende expandir a rede e integrar as políticas de segurança, assistência e saúde para atuar antes que os casos de violência cheguem às delegacias. A proposta considera também formas de violência patrimonial e psicológica, além da agressão física.

Outra promessa apresentada foi a criação de um centro específico de atenção à saúde mental dos profissionais das forças de segurança, com atendimento médico, psicológico e psiquiátrico. O candidato citou uma estrutura semelhante criada para trabalhadores da educação do Recife como referência para o projeto.

João defendeu a construção de um novo modelo inspirado na experiência do Pacto pela Vida, programa implantado durante o governo de Eduardo Campos. Para ele, Pernambuco precisa atualizar a estratégia diante das transformações ocorridas na atuação das organizações criminosas.

“A nossa tarefa é construir um novo modelo, que dialogue com a nova forma de crime”, afirmou.

O candidato também criticou a atual política estadual de segurança e disse que o programa passou por mudanças sem apresentar uma transformação estrutural. João defendeu que a política seja revisada periodicamente, com participação das categorias profissionais, prefeitos e demais setores envolvidos.

Fura-teto

Durante o encontro, João também foi questionado sobre a declaração da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), de que nunca teria ultrapassado o teto constitucional de remuneração. A discussão envolve valores recebidos pela governadora e a possibilidade de acumulação de remunerações decorrentes de vínculos públicos anteriores.

O candidato contestou a justificativa apresentada pela adversária e afirmou que a remuneração do governador de Pernambuco está submetida ao teto de R$ 22 mil. Ele citou o artigo 38 da Constituição Federal para sustentar que existe impedimento à acumulação mencionada.

“Não é questão de opinião. Eu não estou emitindo uma opinião aqui sobre isso. Estou simplesmente apresentando um fato concreto presente na Constituição do Brasil”, afirmou.

João também classificou como inconstitucional a legislação estadual utilizada para regulamentar a remuneração e disse que a norma teria sido apresentada pela própria governadora. “A lei apresentada pela própria candidata é uma lei inconstitucional”, declarou.






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