Menos de 3% da malha viária total das 27 capitais é dedicada às estruturas segregadas para bicicletas – ou seja, ciclovias e ciclofaixas
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O Brasil, com exceção de poucas cidades, continua fingindo que se importa e prioriza a ciclomobilidade. Levantamento anual da Aliança Bike (Associação Brasileiras do Setor de Bicicletas) revelou que as ciclovias e ciclofaixas nas capitais brasileiras cresceram apenas 5,0% no último ano, alcançando um total de 4.266,27 km até julho de 2025.
Apesar dos ganhos evidentes na mobilidade urbana, economia e diminuição da poluição, a expansão da infraestrutura cicloviária segue em um ritmo muito mais lento do que o ideal – constata o levantamento. E mais: segundo o estudo, menos de 3% (2,77%) da malha viária total das 27 capitais é dedicada às estruturas segregadas para bicicletas – ou seja, ciclovias e ciclofaixas na prática, excluindo as ciclorrotas, que são espaços de compartilhamento com o tráfego de veículos motorizados.
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Os dados da Aliança Bike reforçam que a infraestrutura cicloviária do País permanece muito abaixo do potencial necessário para atender à demanda real por deslocamentos não motorizados e, principalmente, estimular a população a pedalar nos grandes centros urbanos. O estudo, realizado pelo quarto ano consecutivo, monitorou o período de julho de 2024 a julho de 2025, baseando-se em pedidos de informação feitos a todas as prefeituras das capitais via Lei de Acesso à Informação (LAI).
EXPANSÃO EM RITMO MUITO LENTO

Os dados da Aliança Bike reforçam que a infraestrutura cicloviária do País permanece muito abaixo do potencial necessário para atender à demanda real por deslocamentos não motorizados e, principalmente, estimular a população a pedalar nos grandes centros urbanos – JC IMAGEM
No período de 12 meses, o aumento total de quilômetros de ciclovias e ciclofaixas nas capitais foi de 204,1 km. A média de quilometragem por capital é de 158,01 km. É crucial notar que o levantamento considera somente estruturas segregadas e exclusivas para ciclistas, como ciclovias e ciclofaixas, excluindo estruturas compartilhadas como ciclorrotas e calçadas compartilhadas.
Pela primeira vez, a pesquisa introduziu a razão entre a estrutura cicloviária segregada e a malha viária total de cada capital. O diretor executivo da Aliança Bike, Luiz Saldanha, destacou que essa comparação ajuda a compreender o investimento nos modos motorizados versus as oportunidades para a infraestrutura cicloviária. “De acordo com a análise, nenhuma capital brasileira possui 10% do total de sua malha viária contemplado com ciclovias ou ciclofaixas, sendo que cerca de dois terços das capitais sequer atingem 3%. Isso é muito simbólico”, alerta.
AMPLIAÇÃO DA MALHA CICLOVIÁRIA DO RECIFE FOI INFERIOR A 3%
Recife, por exemplo, ocupa a 6ª posição no ranking das capitais com a maior malha cicloviária em relação à malha viária total do município, atingindo 4,46%. Mas em termos de extensão total, a capital pernambucana está na 9ª posição no ranking nacional, com 132,25 km de estrutura segregada.
A cidade também registrou um crescimento modesto – quase insignificante – de 2,72% na expansão de sua rede, passando de 128,8 km para 132,3 km entre 2024 e 2025.
RANKING DAS CAPITAIS COM A MAIOR REDE SEGREGADA

Considerando a extensão total, a capital pernambucana está na 9ª posição no ranking nacional, com 132,25 km de estrutura segregada – Wellington Lima/JC Imagem
São Paulo segue liderando o ranking nacional em extensão total, com 737 km de infraestrutura cicloviária. No entanto, é Fortaleza que se destaca como a capital com o maior percentual de ciclovias em relação à malha viária total do município (8,3%). O levantamento expõe grandes desigualdades, já que algumas cidades avançam na estrutura enquanto outras, como Macapá, permanecem com menos de 1% de suas vias dedicadas às bicicletas.
Confira o ranking das capitais com maior rede de ciclovias e ciclofaixas em quilômetros em julho de 2025:
1. São Paulo (SP): 737 km
2. Distrito Federal: 626,5 km
3. Fortaleza (CE): 477,6 km
4. Rio de Janeiro (RJ): 319,4 km
5. Salvador (BA): 308,59 km
6. Florianópolis (SC): 160,58 km [subiu 2]
7. Curitiba (PR): 155,73 km
8. Belém (PA): 150,58 km [desceu 2]
9. Recife (PE): 132,25 km
10. Belo Horizonte (MG): 116,28 km
Crescimento (%) de ciclovias e ciclofaixas implantadas – de 2024 a 2025:
1. Natal (RN): 69,3% (37,5 km para 63,5 km)
2. Brasília (DF): 13,6% (551,5 km para 626,5 km)
3. Maceió (AL): 12,9% (68,1 km para 76,9 km)
4. Florianópolis (SC): 12,8% (142,3 km para 160,6 km)
5. Fortaleza (CE): 7,8% (443,1 km para 477,6 km)
6. Curitiba (PR): 6,4% (146,4 km para 155,7 km)
7. São Paulo (SP): 3,7% (710,9 km para 737,0 km)
8. Porto Alegre (RS): 2,9% (80,6 km para 82,9 km)
9. Recife (PE): 2,7% (128,8 km para 132,3 km)
10. Belo Horizonte (MG): 1,2% (114,9 km para 116,3 km)
Maiores malhas cicloviárias em relação à malha viária total do município:
1. Fortaleza (CE): 8,3%
2. Salvador (BA): 7,1%
3. Florianópolis (SC): 6,9%
4. Vitória (ES): 5,4%
5. Belém (PA): 4,9%
6. Recife (PE): 4,5%
7. Aracaju (SE): 4,3%
8. São Paulo (SP): 3,7%
9. Distrito Federal: 3,4%
10. João Pessoa (PB): 3,0%

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