Sabatina foi realizada ao longo do dia nesta quarta-feira (29); Votação segue para o Plenário do Senado, onde são necessários pelo menos 41 votos
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*Com informações do Estadão
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 16 votos favoráveis e 11 contrários, após sabatina que se estendeu por cerca de oito horas. Para avançar ao plenário, Messias precisava de ao menos 14 votos no colegiado.
Com o resultado, o nome do indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue agora para análise do plenário do Senado, onde precisa de pelo menos 41 votos, entre os 81 senadores, para ser confirmado no cargo. A votação é secreta, assim como ocorreu na comissão. A previsão é que a apreciação final ocorra ainda nesta quarta.
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Durante a oitiva, o indicado abordou sua trajetória profissional e respondeu a questionamentos sobre temas sensíveis no debate público e jurídico. Entre os pontos levantados pelos senadores estiveram a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, a relação entre os Poderes, o inquérito das fake news e o marco temporal para demarcação de terras indígenas.
Messias também fez declarações sobre posicionamentos pessoais, afirmando ser evangélico e contrário ao aborto — tema que frequentemente aparece em discussões no Supremo.
Indicado por Lula, o atual advogado-geral da União foi escolhido para ocupar a vaga aberta na Corte, após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Papel do STF e limites de atuação
Ao longo da sabatina, Messias defendeu uma atuação equilibrada da Corte, com autocontenção e respeito à separação entre os Poderes. Segundo ele, o Judiciário deve exercer função “residual e complementar”, evitando protagonismo excessivo.
Messias criticou a ideia de transformar o Supremo em instância ampla de resolução de disputas políticas.
“O Supremo Tribunal Federal não deve ser o Procon da política”, afirmou, ao alertar para o risco de o Judiciário assumir funções próprias do Legislativo.
O advogado-geral da União também disse que pretende adotar maior transparência, com divulgação integral de agendas, e defendeu o fortalecimento da atuação colegiada da Corte.
Temas sensíveis: aborto, marco temporal e 8 de janeiro
Questionado sobre o aborto, Messias afirmou ser “totalmente contra” a prática, mas ressaltou que o tema deve ser debatido pelo Congresso Nacional. Ele também destacou o compromisso com a laicidade do Estado e disse que não pretende adotar postura ativista no tema.
Sobre o marco temporal, o indicado defendeu a necessidade de uma solução definitiva para a controvérsia envolvendo terras indígenas, sugerindo que o caminho passe por diálogo, mediação e eventuais compensações financeiras.
Em relação aos atos de 8 de janeiro, classificou o episódio como um dos momentos “mais tristes” de sua vida e afirmou que a violência não pode ser tolerada em uma democracia. Segundo ele, à época, adotou as medidas legais cabíveis dentro de sua função.
Sistema de Justiça e garantias
Messias também abordou o funcionamento do sistema de Justiça, defendendo a importância da ampla defesa, da proporcionalidade nas decisões e da individualização de penas. Segundo ele, o processo penal deve ser instrumento de justiça, e não de vingança.
O indicado criticou o que chamou de “linchamentos morais” e ressaltou que a proteção da democracia deve ocorrer dentro dos limites da legalidade.
Trajetória e articulação política
A indicação de Messias foi anunciada por Lula em novembro do ano passado. O envio formal ao Senado, no entanto, ocorreu apenas meses depois, em meio à articulação do Palácio do Planalto para garantir apoio suficiente à aprovação.
Caso seja confirmado pelo plenário, ele ocupará a vaga aberta na Corte e se tornará o 11º ministro indicado por Lula ao longo de seus mandatos.
Messias tem 45 anos, é procurador da Fazenda Nacional desde 2007 e comanda a Advocacia-Geral da União desde o início do atual governo. Formado pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), também possui mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília (UnB).
Ele ganhou notoriedade nacional durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, quando seu nome apareceu em diálogos divulgados no contexto da Operação Lava Jato, episódio que o tornou conhecido pelo apelido de “Bessias”.
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