Equivalente a quase um terço do PIB, a carga tributária no Brasil é um peso para a população – sem o retorno de bons serviços pelo poder público
JC
Publicado em 11/04/2026 às 0:00
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Tudo que se paga em produtos e serviços traz na composição de preços e valores cobrados uma parte que vai para os governos: da máquina federal aos municípios, a arrecadação do poder público no Brasil engole, ao final de um ano, quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas no país. Esse percentual bateu novo recorde no ano passado, chegando a 32,4% do PIB, quase 0,2% a mais do que em 2024. O pior é que as queixas cotidianas dos cidadãos e cidadãs traduzem a insuficiência dos serviços prestados pelo Estado brasileiro a quem paga a conta – o povo. E numa realidade em que a desigualdade impera, a injustiça tributária domina, com o peso relativo muito maior da carga tributária sobre os ombros – e os bolsos – de quem ganha menos, ou sobre a classe média pressionada contra as dívidas e a necessidade de maior renda.
A arrecadação do governo federal cresceu no período entre um ano e outro. Ao lado disso, as despesas com a burocracia e um ministério inflado de cargos políticos – sem reflexos em benefícios para a coletividade – não foram reduzidas. A dívida pública continua altíssima, em parte, por causa da teimosia que mantém as despesas administrativas em patamares elevados, com muitos penduricalhos em todos os poderes. Enquanto isso, a parcela mais vulnerável da população sofre para sobreviver. Na ponta produtiva, o nível da carga tributária inibe investimentos privados, pois retira recursos que poderiam ser reaplicados diretamente nos negócios, gerando mais empregos e distribuindo melhor a renda.
Estados e municípios se mantiveram na mesma faixa de cobrança do ano anterior, com leve crescimento da carga estadual. Sempre que se fala em carga tributária, emerge a questão federativa: será justo o que os entes federativos recebem, em comparação com o que fica para o governo federal? Que mudanças poderiam ser feitas para permitir mais adequadas partições dos recursos financeiros, de modo a garantir mais efetividade na resposta dos níveis de governação mais próximos dos cidadãos? Em especial, devido à falta de responsabilidade fiscal, demonstrada repetidamente pelo Planalto, valeria retornar à questão, já que a carga não irá diminuir.
Em ano de eleições importantes, para o preenchimento de cargos no Executivo e no Legislativo, nas esferas estadual e federal, cumpre reiterar a importância da vigilância do eleitorado sobre o que governantes e parlamentares fazem com o dinheiro de que dispõem, em nome da representação democrática. O voto é um instrumento eficaz de fiscalização dos destinos dos recursos públicos, tantas vezes desviados de sua finalidade do bem comum, para os caminhos tortuosos da má gestão e da corrupção. Pior que o desperdício de água no Brasil – crime ambiental e social – é o desperdício de dinheiro público que não chega em resultados para a população.



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