C6 no Rock reúne geração anos 1980 em fim de semana nostálgico em São Paulo

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C6 no Rock reúne geração anos 1980 em fim de semana nostálgico em São Paulo


Primeiro veio um pedido de Ney Matogrosso para que o RPM incluísse no repertório do show uma música mais tranquila. Depois, “London, London” estourou nas rádios em sua versão ao vivo. E, assim, surgiu um dos maiores sucessos da indústria fonográfica brasileira, com mais de 3 milhões de cópias vendidas.

O álbum “Rádio Pirata ao Vivo”, lançado em julho de 1986, completou 40 anos neste ano, marco que será celebrado no festival C6 no Rock, nos dias 22 e 23 de agosto, no parque Ibirapuera, em São Paulo.

O festival reúne as principais bandas da geração 1980 do rock nacional, como Paralamas do Sucesso, Ira!, Titãs e Plebe Rude, que tocarão na íntegra os álbuns lançados em 1986. O evento também reunirá Blitz, Marina Lima, tocando “Fullgás” com Liminha e Lobão, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, além de homenagens a Rita Lee (1947-2023) e Cazuza (1958-1990).

No sábado, Paulo Ricardo, do RPM, tocará “Rádio Pirata ao Vivo”, a sensação radiofônica daquele 1986. Na época, ouvir as músicas do disco era quase uma unanimidade nas rádios, nos bailinhos ou em casa. E o selo “ouça alto” carimbado na capa do LP era quase uma licença para testar as caixas de som dos saudosos “três em um” –aparelho que reunia toca-discos, fita cassete e rádio AM/FM.

“Uma música que toca 20 vezes por dia no rádio é considerada um grande sucesso. ‘London, London’ tocava 70, 80 vezes por dia”, diz o vocalista e baixista do grupo.

A canção de Caetano Veloso tinha sido incorporada para os shows de “Revoluções Por Minuto”, álbum de 1985, após uma sugestão de Ney Matogrosso. Num festival em Porto Alegre, o show foi transmitido ao vivo para uma rede de rádios e a versão de “London London” caiu no gosto dos ouvintes. Na época, o sucesso também chamou a atenção da gravadora da banda, afinal, a música mais pedida não tinha sido gravada em estúdio —daí nasceu o disco.

Ricardo lembra que outras bandas já tinham pavimentado o caminho quando o RPM foi criado, mas jamais imaginava o fenômeno de vendas de “Rádio Pirata ao Vivo”. A banda teve de alugar todas as fábricas de vinil da América Latina para dar vazão à produção dos LPs.

Nem mesmo a censura da música “Revoluções Por Minuto” foi capaz de conter o sucesso do álbum. Paulo Ricardo disse que nunca soube o motivo do veto. Ele acredita que, talvez, tenha sido pelos versos “Ouvimos qualquer coisa de Brasília/ Rumores falam em guerrilha”, que continuam tão atuais como de outras músicas que serão celebradas no C6 no Rock.

Segundo o antropólogo Hermano Vianna, um dos curadores do festival, os discos que serão tocados trazem canções que continuam atuais. Ele cita as músicas “Teerã”, do álbum “Selvagem?”, dos Paralamas do Sucesso, ou “O Que”, de “Cabeça Dinossauro“, dos Titãs, que “poderia ser trilha para qualquer campanha contra fake news”, diz.

Para ele, a ideia de tocar o álbum na íntegra é um exercício para recapturar a atenção do público, que atualmente vive à mercê dos algoritmos. Além disso, é uma forma de revelar músicas menos exploradas nas rádios e até nos shows dos artistas.

As homenagens para Rita Lee e Cazuza encerrarão cada uma das noites do festival. No sábado (22), cantoras de diferentes gerações, como Alice Caymmi, Baby do Brasil, Fernanda Abreu e Letrux, vão interpretar os sucessos da roqueira paulistana.

Dirigido pelo músico Beto Lee, filho de Rita, o show reunirá os principais sucessos da cantora nas três principais fases de seus 60 anos de carreira: o início com os Mutantes, depois com o grupo Tutti Frutti e a fase principal em parceria com Roberto de Carvalho. A definição do repertório foi uma das tarefas mais difíceis, diz o músico, que também subirá ao palco com os Titãs.

“Como você vai sintetizar 60 anos de carreira em uma hora e meia, duas horas de show? É óbvio que muitas músicas ficam de fora. É minha mãe, e eu gosto não só do lado A, [gosto] do lado B, do lado C”, afirmou Lee, lembrando que este será o último show em homenagem à Rita.

Lee começou a fazer as apresentações para homenagear a mãe há quatro anos, quando Rita ainda estava viva. Agora, diz o músico, é hora de encerrar o ciclo.

Programação:

Sábado – 22 de agosto

14h15 – Plebe Rude — “O Concreto Já Rachou” (1986)

15h45 – Paulo Ricardo canta “Rádio Pirata ao Vivo” (1986) e Hits

17h15 – Titãs — “Cabeça Dinossauro” (1986)

18h45 – Paralamas do Sucesso — “Selvagem?” (1986)

20h15 – “Meu sonho é ser imortal”: homenagem a Rita Lee com Alice Caymmi, Baby do Brasil, Catto, Fernanda Abreu, Letrux, Marina Sena, Miranda Kassin e Sandra Sá.

Domingo – 23 de agosto

14h15 – Ira! — “Vivendo e Não Aprendendo” (1986)

15h45 – Blitz — “As Aventuras da Blitz” (1982)

17h15 – Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocam “Dois” (1986), da Legião Urbana

18h45 – Marina Lima com Liminha e Lobão — “Fullgás” (1984)

20h15 – “Todo amor que houver nessa vida”: homenagem a Cazuza com Arnaldo Antunes, Maria Gadú, Frejat, Lobão, Léo Jaime, Leoni e Johnny Hooker



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