Brasil levaria 173 anos para alcançar paridade de gênero nas prefeituras

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Brasil levaria 173 anos para alcançar paridade de gênero nas prefeituras


O Brasil levaria cerca de 173 anos para alcançar a paridade de gênero entre prefeitos eleitos caso mantenha o ritmo de crescimento da participação feminina registrado entre 2016 e 2024. 

A estimativa faz parte de um levantamento da Oxfam Brasil, que aponta a permanência de desigualdades raciais e de gênero no acesso aos cargos políticos. Nas eleições municipais de 2024, aproximadamente 87% das cidades brasileiras não tiveram nenhuma mulher negra na disputa pela prefeitura.

Os dados integram a segunda edição do estudo Desigualdades de Raça e Gênero na Política Brasileira, elaborado a partir de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as eleições de 2016, 2020 e 2024. A pesquisa foi divulgada às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para domingo (25).

Embora representem 51,1% da população brasileira, as mulheres conquistaram apenas 13,2% das prefeituras em 2024. A desigualdade é ainda maior entre as mulheres negras, que correspondem a 28,1% da população, mas ocupam somente 4,4% dos cargos de prefeita. Entre as capitais, apenas duas elegeram mulheres para comandar o Executivo municipal.

A participação feminina nas prefeituras apresentou crescimento de apenas 1,7 ponto percentual em oito anos, passando de 11,5% em 2016 para 13,2% em 2024. Para a Oxfam, os resultados mostram que o aumento do número de candidaturas não garante, por si só, condições equivalentes de disputa eleitoral.

“As eleições de 2026 recolocam em evidência uma pergunta essencial: quem consegue chegar aos espaços de decisão no Brasil? Os dados municipais mostram que o direito de se candidatar não significa, por si só, ter as mesmas condições de disputar e vencer uma eleição. Para as mulheres negras, os obstáculos são ainda maiores”, afirma Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil.

Leia mais: Nenhum município brasileiro oferece condições adequadas de vida para mulheres, aponta índice

Mulheres negras ocupam apenas 7,5% das câmaras municipais

A desigualdade também aparece na composição das câmaras municipais. Em 2024, as mulheres conquistaram 18,3% das cadeiras de vereador, contra 13,5% em 2016. Apesar do crescimento de 4,8 pontos percentuais, a presença feminina permanece distante de sua participação na população.

Entre os eleitos para os legislativos municipais, 4.347 eram mulheres negras, o equivalente a aproximadamente 7,5% do total de vereadores. O resultado evidencia a diferença entre a presença desse grupo na sociedade e sua representação nos espaços de decisão política.

O estudo também analisou a participação de outros grupos. Nas eleições de 2024, quando o TSE passou a registrar a autodeclaração quilombola, foram contabilizadas 3.384 candidaturas deferidas de pessoas quilombolas. Desse universo, apenas duas mulheres foram eleitas prefeitas e 71 conquistaram cadeiras nas câmaras municipais.

A pesquisa identificou ainda 225 pessoas LGBTQIA+ eleitas, das quais 222 assumiram mandatos de vereador e três conquistaram prefeituras.

Financiamento eleitoral influencia acesso aos cargos políticos

Além dos resultados das urnas, a Oxfam Brasil analisou como a distribuição dos recursos de campanha interfere nas oportunidades de eleição de mulheres e pessoas negras.

Segundo a organização, a existência de cotas e percentuais mínimos de financiamento contribuiu para ampliar a participação desses grupos, mas não eliminou as desigualdades.

A pesquisa aponta que a distribuição dos recursos dentro dos partidos, as diferenças patrimoniais entre candidaturas e a violência política de gênero e raça também influenciam as condições de disputa.

O levantamento destaca que a reserva de vagas e recursos precisa ser acompanhada de mecanismos que assegurem a aplicação das verbas e a participação dos grupos contemplados nas decisões partidárias.

“Não basta ampliar a presença de mulheres e pessoas negras nas listas de candidaturas. É preciso assegurar transparência na distribuição de recursos, condições reais de competitividade e proteção contra a violência política”, conclui Viviana Santiago.

Leia mais: Campanhas de homens e brancos receberam R$ 9,4 milhões de cotas de gênero e raça



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