Biólogo defende multa para banhistas que desrespeitam placas de alerta sobre tubarões: ‘Só dói quando pesa no bolso’

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Biólogo defende multa para banhistas que desrespeitam placas de alerta sobre tubarões: ‘Só dói quando pesa no bolso’


Biólogo defende punição financeira a banhistas que descumprirem normas e alerta para fatores ambientais que atraem tubarões ao Grande Recife


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A ocorrência de dois incidentes com tubarões no Grande Recife neste domingo (31) e segunda-feira (1º) reacendeu o alerta sobre as condições de segurança na costa pernambucana. Em entrevista ao programa Passando a Limpo, na Rádio Jornal, o biólogo Leandro Alberto criticou a imprudência de frequentadores e defendeu ações fiscalizatórias severas e punições financeiras por parte do poder público para conter novos casos:

“A gente só entende que as coisas são graves e a gente pode diminuir esses incidentes quando algo começa a doer no bolso, quando toca no financeiro. Faço esse apelo também para que isso seja revisto dentro de Câmaras de Deputados, dentro da parte governamental”, apela.

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Fatores que elevam o risco na costa

De acordo com o especialista, o período chuvoso e a lua cheia criam um cenário propício para a aproximação dos animais.

“Quando nós temos fatores como chuva, tanto o Capibaribe quanto o Beberibe deságuam no oceano e com isso acabam trazendo muito lixo, muita matéria orgânica e o tubarão é um animal especulador. Pelo odor, pelo próprio lixo de algumas cores vibrantes, de latas, esse animal vai procurar o que está acontecendo aqui”, detalha.

A dinâmica ambiental da região envolve os seguintes pontos críticos:

  • Água turva: o deságue dos rios reduz a visibilidade dos banhistas e dos próprios tubarões, que passam a se guiar por eletrorreceptores para detectar presença na água;
  • Influência da lua cheia: a atração gravitacional altera as condições do mar, deixando-o mais agitado e com maior formação de ondas;
  • Falsa segurança nos recifes: na maré alta, os animais de grande porte conseguem transpor as barreiras de corais e acessar áreas rasas.

O banho seguro só é recomendado no momento de maré muito seca, quando há formação visível de piscinas naturais.

O impacto histórico de Suape

O monitoramento oficial contabiliza 84 incidentes no estado desde 1992, ano em que os dados começaram a ser catalogados sistematicamente. A intensificação dos casos a partir da década de 1990 está associada a impactos ambientais causados pela construção do Porto de Suape.

As obras na região portuária provocaram o aterramento de áreas de manguezal e a eliminação de braços de rios locais, concentrando o fluxo hídrico remanescente no Rio Jaboatão. Esse processo alterou o comportamento das correntes marítimas no sentido sul-norte, direcionando os tubarões para um canal com declive geográfico de cerca de 6,5 metros de profundidade nas proximidades da igrejinha de Piedade.

A presença de espécies que integram a cadeia alimentar desses animais, como golfinhos e tartarugas marinhas, também contribui para mantê-los na costa.

Monitoramento e necessidade de fiscalização rígida

O especialista alertou que barreiras físicas utilizadas no exterior, como redes de proteção, podem falhar no litoral pernambucano devido ao acúmulo de resíduos trazidos pelos rios.

“A tela de proteção pode nos dar uma falsa sensação de segurança. A maré subiu mais do que o coral, o animal passou e atacou mais à frente. Pelo nosso desequilíbrio, essa rede pode trazer uma falsa impressão”.

Como alternativa científica, projeta-se para o período entre junho e julho a aprovação de um projeto para o retorno das atividades do barco Sinuelo, focado no mapeamento ecológico e no deslocamento das espécies.






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