Setor pagou R$ 10 bilhões de impostos em 2025 e foi o maior anunciante da Copa do Mundo, obrigando o governo a intervir após reclamação de entidades.
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Pouca gente lembra, mas o projeto que regulamentou as bets no Brasil foi aprovado no senado no dia 12 de dezembro de 2023 e já no dia 29 (no meio de um pacote de outras leis), o presidente Lula sancionou a Lei 14.790 que oficialmente dispõe sobre a modalidade lotérica denominada apostas de quota fixa. Foi divulgada apenas a foto dele assinando o texto.
O presidente se arrependeu da decisão. Em abril último disse que “Se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, depende de uma discussão.” A frase é um chiste de campanha. Lula sabe que no Congresso formou-se um lobby tão forte que na última votação que tratou do aumento da tributação dos jogos o governo foi derrotado.

Danos financeiros e psicológicos na mira da campanha – Divulgação
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Contornar o estrago
Ele vem tentando contornar o estrago especialmente entre mulheres e o público evangélico, que, desde que o projeto foi apresentado ao então ministro da Fazenda Fernando Haddad, tem havido forte resistência da bancada evangélica.
Ainda em junho, Lula assinou um decreto (nº 13.033), que cria mecanismos para bloquear recursos movimentados por empresas sem autorização no país (bets ilegais). Prevê o congelamento de valores, a interrupção de novas transações financeiras e a destinação de recursos apreendidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) após a conclusão de processo administrativo.
Novas restrições
E, finalmente, na semana passada determinou que a Secretaria de Prêmios e Apostas publicasse uma nota técnica sobre as restrições de ações de comunicação, de publicidade e propaganda e de marketing da loteria de apostas de quota fixa durante a Copa do Mundo.
A Nota Técnica obriga as bets a publicar três advertências na sua publicidade: “O Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”; “O Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência” e “O Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento.”

Presidenmte Lula critica impacto das betas nas familias. – Ricardo Stucker
Dominio na Copa
A nota decorre de uma dura constatação do governo. As bets dominaram as ações de comunicação do certame, praticamente ofuscaram os demais patrocinadores e se tornaram motivos da nota técnica em função do comportamento do apresentador Casimiro Miguel Vieira da Silva Ferreira dono da TV Cazé que fez publicidade de jogos específicos do campeonato o que não segundo legisladores não são permitidos.
Advertida pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que abriu uma investigação preliminar para apurar suspeitas de propaganda enganosa e abusiva durante jogos da Copa do Mundo, a vai informou que adotou um padrão mais conservador para a publicidade de casas de apostas em suas transmissões. Sua empresa é a única que adquiriu todos os 106 jogos da Copa do Mundo.
Gastos da família
Mas para o governo as apostas se tornaram um problema. Dados preliminares da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda informam que as apostas de jogos online faturaram R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre deste ano. Elas são as maiores anunciantes da Copa do Mundo, o que prejudica a imagem do Governo Lula que autorizou os jogos no Brasil.
Atacadas, as bets seguiram o padrão de contratar escritórios de advocacia para difundir o conceito de que reconhecem os efeitos causados pelas plataformas de apostas esportivas, como endividamento, dependência psicológica e operações fraudulentas e criminosas e que devem focar no controle rigoroso das plataformas irregulares e na criação de mecanismos de prevenção ao vício e ao endividamento.

Presidente Lula na assinatura da lei das bets em 2023. – Ricardo Stucker
Cresce a oposição
O problema é que na medida em que o sucesso das apostas se consolida cresce a oposição às atividades de um número cada vez maiores de entidades que não foram ouvidas em 2023 quando ocorreu o debate no Congresso.
Artistas, ONGs e especialmente instituições do varejo se queixam da perda de faturamento. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) afirma varejo deixou de faturar de R$ 103 bilhões ao longo de 2024 e que em 2025, os brasileiros gastaram cerca de R$ 240 bilhões com bets no ano passado e, pelo menos, 1,8 milhão de pessoas se tornaram inadimplentes por causa do jogo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o montante apostado pelos brasileiros ultrapassa a casa de R$ 70 bilhões ao ano.
Não pode parar
O problema é que o governo não tem mais como suspender a atividade legal no Brasil. Ano passado, as bets faturaram R$ 36,4 bilhões em apostas feitas por mais de 25 milhões de CPFs únicos que realizaram apostas em plataformas legalizadas, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas. Cada apostador brasileiro gerou, em média, cerca de R$1.431 em receita para as plataformas.
As empresas legais recolheram R$ 9,95 bilhões em tributação correspondente à alíquota de 12% sobre a receita bruta de jogos, a GGR (Gross Gaming Revenue), além do pagamento do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), da CSLL (Contribuição sobre o Lucro Líquido), do PIS (Programa de Integração Social) e das Cofins.
Empresa de TI
Não é muito sobre uma atividade que funciona com base em software sem grandes pacotes de TI, pode ter o PIX como porta de entrada de suas receitas e pagamento de prêmios, além do recolhimento dos impostos federais. Portanto, uma proibição simplesmente faria voltar os jogos feitos em plataformas fora do Brasil, especialmente em Curaçao, onde boa parte deles era registrada antes da lei assinada por Lula.
Nada comparável, por exemplo, ao cigarro, cuja indústria tem uma carga de impostos paga pelo consumidor de 83,32% do preço, tributo que, no ano passado, também recolheu aproximadamente R$ 10 bilhões em impostos (IPI e ICMS).
Embora o governo informe que, para cada real pago pelo setor, o Ministério da Saúde gasta R$ 8 com tratamento médico. No caso das bets, o tratamento de pessoas com vício em jogos (ludopatia) disparou em 140% e chegou a R$ 40 milhões em 2025, pago pelo SUS.

Pesquisa mostra que endividamento pode adoecer as pessoas. – Divulgação
Dificuldades financeiras
Pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), em parceria com o Instituto Axxus, que investigou a relação entre dificuldades financeiras e transtornos mentais em mil brasileiros com diagnóstico formal de ansiedade, depressão, estresse ou síndrome de burnout. O estudo mostra que, para 59,5% dos entrevistados, os problemas financeiros foram a causa exclusiva ou predominante do adoecimento psicológico.
Quando questionados sobre o principal gatilho para o surgimento do transtorno, 34,6% apontaram os problemas financeiros, índice superior ao registrado para dificuldades no trabalho (20,5%), problemas de relacionamento (11,0%), separação (10,9%), doenças (8,3%) e luto (5,0%).
Inadimplência de CNPJ
O Indicador de Inadimplência do SPC Brasil, de junho de 2026, mostra que a inadimplência empresarial se espalhou por todas as regiões do país. O número de dívidas em atraso de pessoas jurídicas cresceu 14,97% em relação a junho de 2025, ritmo superior ao avanço de 12,40% no número de empresas negativadas. O levantamento também aponta que o problema tende a se ampliar tanto entre empresas quanto entre consumidores. O tempo médio de atraso já soma 27,5 meses para as empresas e 29,1 meses para os consumidores, o equivalente a mais de dois anos de dívida em aberto.
Economia colaborativa
Com cerca de 60 associados na capital, o Clube de Permuta utiliza uma plataforma que permite a negociação de produtos e serviços entre empresas, contribuindo para a conservação do caixa, aumento da lucratividade, maior giro de estoque e abertura de novos negócios. Em âmbito nacional, a rede reúne 2.173 associados e já movimentou mais de R$ 569,9 milhões em negociações até junho de 2026, além de ter contabilizado mais de 140 mil negócios realizados, consolidando-se como uma importante ferramenta de desenvolvimento empresarial.

Conta de energia de graça da Neonergia. – Divulgação
Energia de graça
A Neoenergia Pernambuco está à procura de aproximadamente 176 mil clientes atualmente cadastrados na Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) que podem perder o benefício da gratuidade nos primeiros 80 kWh consumidos caso não atualizem seus dados. Isso significa 14,59% no número de inscritos no programa em todo o Estado.
A nova regulamentação do Governo Federal estabelece que a titularidade da conta de energia elétrica deve pertencer ao responsável familiar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) ou ao beneficiário do Benefício de Prestação Continuada (BPC) .
Liderança Feminina
O Instituto Engenheiro Joaquim Correia (IEJC) realiza, nesta quarta-feira (15), às 9h, o 4º Encontro do Projeto Gente que Cuida de Gente, com o tema “Liderança Feminina: do Labirinto às Mesas de Decisão”. O evento acontece na sede da instituição, no Bairro do Recife. Betinha Nascimento, vice-presidente da CBIC e diretora do Sinduscon-PE, e a psicóloga e advogada Juliana Mendes, especialista em comportamento e desenvolvimento humano, lideram o debate.
Cooperativa médica
A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Pernambuco (Coopanest-PE), que reúne mais de 800 anestesiologistas ativos, se prepara para celebrar meio século de atuação no Estado. É uma das mais antigas do Brasil e oferece gestão administrativa e financeira aos cooperados, além de representar os interesses da categoria no mercado da saúde. No campo da governança, é referência em boas práticas ESG, com reconhecimento nacional na revista InovaCoop, do Sistema OCB.












