A dor no peito tornou-se quase um arquétipo do perigo cardiovascular. Ela é o alarme clássico, o sinal que mobiliza familiares, unidades de emergência
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
Há dores que assustam. Outras que ensinam. E há, ainda, silêncios que enganam. Na Medicina, aprendemos desde cedo a valorizar o sintoma. A dor no peito tornou-se quase um arquétipo do perigo cardiovascular. Ela é o alarme clássico, o sinal que mobiliza familiares, ambulâncias, unidades de emergência. É o grito do coração pedindo socorro. Ao longo da formação médica, repetimos à exaustão a tríade dos sinais clássicos, descrevemos o aperto retroesternal, a irradiação para o braço esquerdo, o suor frio, a náusea. A dor, nesse contexto, é linguagem. É mensagem inequívoca.
Mas nem todo sofrimento cardíaco grita. Existe uma condição intrigante — e, por vezes, traiçoeira — chamada isquemia silenciosa. Trata-se da redução do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco sem que o paciente experimente dor ou desconforto significativo. O coração sofre, mas o indivíduo não percebe. Não há aperto, não há opressão torácica, não há a angústia descrita nos livros clássicos de clínica médica. Apenas silêncio. E o silêncio, em Medicina, pode ser perigoso.
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}
A isquemia silenciosa é mais frequente do que o senso comum imagina. Ocorre com maior incidência em pessoas com diabetes mellitus, nos idosos e naqueles que acumulam fatores de risco como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade e tabagismo. Em muitos desses pacientes, alterações nos mecanismos de percepção da dor — especialmente nos diabéticos, em razão da neuropatia autonômica — atenuam ou anulam os sinais clássicos da falta de oxigênio no músculo cardíaco. O organismo não emite o alerta esperado.
O paradoxo é inquietante: o órgão que pulsa vida pode adoecer sem aviso perceptível. Vivemos numa cultura que associa ausência de dor à ausência de problema. Se nada dói, está tudo bem — diz o senso comum. Contudo, o coração não obedece a essa lógica simplista. Ele pode estar lutando contra a insuficiência de suprimento sanguíneo enquanto o corpo segue sua rotina aparentemente normal: trabalha, caminha, ri, dorme. O indivíduo cumpre seus compromissos, planeja o futuro, celebra encontros — e, silenciosamente, o miocárdio pode estar em sofrimento. Essa dissociação entre sensação e realidade clínica nos ensina uma lição valiosa: nem sempre a experiência subjetiva traduz a gravidade objetiva.
É nesse ponto que se revela a importância da Medicina preventiva e da avaliação criteriosa dos fatores de risco cardiovascular. A consulta periódica deixa de ser mera formalidade para tornar-se instrumento de proteção. A aferição regular da pressão arterial, o controle glicêmico, a avaliação do perfil lipídico e a estratificação global do risco são atitudes que transcendem o protocolo — representam cuidado.
Exames complementares como o teste ergométrico, o ecocardiograma sob estresse e métodos modernos de imagem, como a cintilografia miocárdica e a angiotomografia coronariana, permitem revelar aquilo que o organismo tenta ocultar. A tecnologia, quando bem indicada, transforma o silêncio em dado objetivo; o dado, em diagnóstico; o diagnóstico, em oportunidade de intervenção. Identificar a isquemia silenciosa é abrir uma janela antes que a tempestade se instale.
O tratamento, em essência, não difere daquele destinado à doença coronariana sintomática. Exige controle rigoroso da pressão arterial, do diabetes e dos níveis de colesterol. Requer mudanças consistentes no estilo de vida — alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, abandono do tabagismo. Demanda adesão terapêutica, disciplina e acompanhamento contínuo. Em situações selecionadas, pode indicar procedimentos de revascularização miocárdica, seja por intervenção coronária percutânea, seja por cirurgia. Entretanto, talvez o aspecto mais profundo dessa condição não seja apenas técnico — seja simbólico.
A isquemia silenciosa nos recorda que o corpo nem sempre grita antes de adoecer gravemente. Às vezes, ele sussurra. E a sabedoria está em aprender a escutar esses sussurros por meio da prevenção e do acompanhamento regular. A Medicina contemporânea, cada vez mais tecnológica, não pode prescindir da escuta atenta, do raciocínio clínico e da visão integral do paciente. Em tempos de vida acelerada, nos quais exames são adiados e consultas postergadas sob o argumento da falta de tempo, lembrar que o coração pode sofrer em silêncio é um convite à responsabilidade. Não se trata de alarmismo. Trata-se de prudência. Não se trata de medo. Trata-se de consciência.
O verdadeiro cuidado não começa na emergência, diante do evento agudo. Ele começa muito antes — na consulta periódica, na avaliação criteriosa do risco cardiovascular, na orientação persistente sobre hábitos saudáveis, no diálogo franco entre médico e paciente. Porque, no fundo, a ausência de dor não é sinônimo de saúde. O coração raramente grita de imediato. Ele começa sussurrando. E talvez possamos aprender com ele que ouvir é uma arte que exige atenção e humildade. Como nos ensinou o filósofo Søren Kierkegaard: “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.”
Que saibamos olhar para frente com consciência — antes que o silêncio se transforme em urgência!
Antônio Carlos Sobral Sousa, Professor Titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras e de Educação
/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-vista-aerea-impressionant-2853918738.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-batatas-fritas-douradas-e-2851393467.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/previsao-do-horoscopo-do-dia.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)




/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-vista-aerea-impressionant-2853918738.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-batatas-fritas-douradas-e-2851393467.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)

