Presidente do PT-PE aposta em atos de rua, mobilização digital e articulação com prefeitos para reverter vantagem de Flávio Bolsonaro no 2º turno
Ryann Albuquerque
Publicado em 13/10/2026 às 10:35
| Atualizado em 13/10/2026 às 10:49
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Com Lula atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, o PT intensifica a mobilização para tentar reverter o resultado até 25 de outubro. Em Pernambuco, a estratégia passa pela ampliação da votação no interior, pela disputa nas redes sociais e pela tentativa de atrair lideranças políticas, como a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD), que ainda não declarou apoio a nenhum dos candidatos.
Em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta terça-feira (13), o deputado federal Carlos Veras, presidente do PT em Pernambuco e coordenador da campanha de Lula no estado, afirmou que os contatos com Raquel já foram feitos e cobrou um posicionamento da gestora.
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“Todos os movimentos que pudessem ser feitos foram feitos. Agora está na consciência dela, para ela orientar os pernambucanos que ela vai governar por mais quatro anos”, declarou Veras.
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Segundo o parlamentar, lideranças petistas que já demonstraram alinhamento com a governadora em determinados momentos têm procurado Raquel Lyra nos bastidores para discutir o segundo turno. Entre elas estão o senador Humberto Costa (PT), o deputado estadual João Paulo e os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira.
A cobrança ocorre em meio à disputa das campanhas pelo apoio de Raquel, que também foi procurada por aliados de Flávio Bolsonaro. Para Veras, a escolha tem implicações para a relação do governo estadual com a União e para a continuidade de investimentos federais em Pernambuco.
“Você pode ver o que é que eles orientam, o que é que eles aplaudem. Uma criança com uma arma na mão em cima de um carro. Isso é o que tem Flávio Bolsonaro para Pernambuco”, afirmou.
O deputado citou obras de infraestrutura, abastecimento de água, contenção de encostas, habitação e ações de saúde como áreas em que, na avaliação dele, a continuidade do governo Lula seria importante para o estado.
Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação por tentativa de golpe de Estado, terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado levou as campanhas a intensificar a busca por novos eleitores e pela redução da abstenção.
Atos de rua e disputa nas redes
A tentativa de reação petista ganhou visibilidade no último fim de semana, com manifestações em apoio à reeleição de Lula em diferentes cidades. No domingo (11), apoiadores ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, em um ato que contou com a presença do presidente e reuniu movimentos sociais, estudantes, torcidas organizadas e comunidades de admiradores de artistas.
No Recife, a mobilização começou à tarde no Parque 13 de Maio, no Centro, e seguiu em caminhada em direção ao Marco Zero, no Bairro do Recife. Já na segunda-feira (12), apoiadores realizaram outra manifestação na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, sem a presença de Lula.
Os atos ampliaram a visibilidade da militância petista em um momento em que a campanha tenta recuperar terreno também no ambiente digital. Após o primeiro turno, apoiadores passaram a investir em canais de comunicação e na circulação de vídeos, mensagens e publicações favoráveis ao presidente.
Um dos exemplos é o canal “Exército do Lula”, organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que chegou a milhões de integrantes e se tornou parte da estratégia de mobilização para a etapa decisiva da disputa.
O movimento ocorre em meio à avaliação, entre aliados do presidente, de que a campanha precisa ampliar sua presença nas plataformas digitais para disputar a atenção de eleitores que não acompanham diretamente a política. A atuação inclui novas páginas, grupos e perfis, além do incentivo para que apoiadores compartilhem conteúdos e atuem como multiplicadores das mensagens da campanha.
Veras reconheceu que o campo petista teve dificuldades nas redes durante o primeiro turno, mas disse perceber uma mudança neste momento. “Nós perdemos nas redes sociais. Nós viramos o jogo no segundo turno nas redes sociais”, assegurou. O parlamentar citou a mobilização em torno do canal de Janones e defendeu que a atuação digital seja acompanhada pelo trabalho presencial.
“Vamos ampliar a nossa vantagem nas ruas. No corpo a corpo, no tête-à-tête, no olho a olho, a gente é muito bom nisso”, declarou.
Segundo ele, a orientação é intensificar visitas domiciliares e conversas com eleitores sobre direitos trabalhistas, emprego, renda, saúde e políticas sociais. A aposta é transformar o engajamento nas plataformas em votos e ampliar o diálogo com quem ainda não definiu a preferência eleitoral.
PT tenta ampliar apoio de prefeitos no interior
A articulação política também é uma das frentes da campanha. Veras afirmou que dirigentes petistas e aliados já conversam individualmente com prefeitos de diferentes partidos para estimular o engajamento na candidatura de Lula, inclusive entre gestores que apoiaram Raquel Lyra na eleição estadual, mas não necessariamente aderiram à campanha de Flávio Bolsonaro.
O deputado citou a atuação de Humberto Costa e da senadora Teresa Leitão (PT) na interlocução com prefeitos e mencionou uma reunião com gestores da região da Mata Sul, em Palmares. O objetivo, segundo ele, é ampliar a votação do presidente no interior e mobilizar lideranças com influência direta nos municípios.
A campanha também cobra medidas para garantir o transporte gratuito dos eleitores no dia da votação. Veras afirmou que o partido já acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e cobra do governo estadual e das prefeituras a oferta do serviço sem redução da frota, para evitar dificuldades de acesso às urnas.
O parlamentar atribui parte do resultado desfavorável de Lula no primeiro turno à abstenção, embora reconheça que o desempenho eleitoral depende de outros fatores. Ele relatou dificuldades enfrentadas por eleitores que tentaram votar, como filas e problemas de transporte, e defendeu que a campanha trabalhe para ampliar a participação no segundo turno.
Questionado sobre a ausência do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) nas últimas movimentações locais, Veras afirmou que o socialista está em São Paulo acompanhando a esposa durante o tratamento de saúde da mãe dela. Segundo o deputado, João também foi chamado para colaborar com a coordenação nacional da campanha de Lula, após ter participado da articulação de palanques no primeiro turno.
Veras disse que o ex-prefeito continua contribuindo com a campanha pernambucana por meio do contato com prefeitos, vereadores e integrantes do PSB, embora esteja dedicado também às articulações em outros estados. A explicação busca afastar a interpretação de que a ausência física de João nos atos recentes represente um afastamento da candidatura petista.
Apesar da intensificação das atividades no estado, Veras afirmou que ainda não há data definida para uma nova visita de Lula a Pernambuco. Segundo ele, a coordenação nacional avalia a agenda do presidente conforme as necessidades eleitorais de cada região.
O deputado defendeu que os próprios apoiadores assumam a tarefa de ampliar a votação, com mobilização nas ruas, nas redes e nas cidades do interior. “Cada um aqui em Pernambuco é mais um Lula”, afirmou.
A estratégia petista reúne, assim, a pressão sobre lideranças como Raquel Lyra, a articulação com prefeitos e a tentativa de ampliar o alcance da campanha entre eleitores ainda não convencidos. O desafio é converter o crescimento da mobilização em votos suficientes para superar a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.














