VIOLÊNCIA
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Notícia
A produção britânica aborda temas como cultura incel, movimento red pill, bullying, cyberbullying e fortalecimento dos laços familiares
Mirella Araújo
Publicado em 28/03/2025 às 16:42
| Atualizado em 28/03/2025 às 16:55
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Com mais de 66,3 milhões de visualizações e transmitida em mais de 71 países, a minissérie britânica Adolescência, produzida pela Netflix, aborda questões atuais e relevantes, como a cultura incel, o movimento red pill, bullying, cyberbullying e o fortalecimento dos laços familiares.
Estreada neste mês de março, a produção tem provocado reflexões sobre os desafios enfrentados pelos jovens na era digital, destacando os perigos da exposição precoce e irrestrita a conteúdos que incentivam a violência, a masculinidade tóxica e discursos extremistas.
Composta por quatro episódios, a minissérie conta a história de Jamie Miller, um jovem de 13 anos preso sob a acusação de matar uma colega de escola. Ao longo da trama, duas grandes problemáticas se destacam nas relações entre os pais, a escola, os professores e os jovens envolvidos no caso: a comunicação e o nosso lugar social.
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“Nosso papel enquanto sociedade no cuidado com nossas crianças e adolescentes é fundamental. Às vezes, olhamos para a adolescência como algo distante, sem refletir sobre o que os adultos estão produzindo. O que estamos fazendo e deixando de exemplo para as crianças e os adolescentes?”, questionou Mayara Pérola, psicóloga e mestra em Educação, Culturas e Identidades pela UFRPE.
Em conversa com a coluna Enem e Educação, a pesquisadora no campo das infâncias, adolescências e parentalidades destaca que o termo adolescência é uma construção da modernidade, que não se refere apenas a uma faixa etária, mas a uma travessia emocional importante na formação da identidade, no processo de quem somos enquanto sujeitos no mundo e como nos relacionamos.
“A construção da identidade dos nossos meninos e meninas faz parte de uma conjuntura muito maior, que é política, social e de gênero. E os meninos, principalmente, não aprendem de forma aleatória a odiar as mulheres. Existe uma construção da narrativa pelo próprio patriarcado, que se manifesta como violência, sobre os lugares sociais que impomos a meninos e meninas desde muito cedo”, afirmou Mayara.
Ou seja, as meninas são colocadas sob uma ótica de fragilidade e passividade, enquanto os meninos precisam ingressar rapidamente em um circuito afetivo sexual para responder a um ideal de masculinidade. “Isso ocorre em um tempo que nem deveria acontecer: o tempo da infância”, complementou.
Mayara Pérola, psicóloga, Mestra em Educação, Culturas e Identidades pela UFRPE. Pesquisadora do campo de infâncias, adolescências e parentalidades – Josué Veloso
Disseminação do ódio
Na minissérie, Jamie Miller é classificado como um “incel” — termo originado das palavras “celibatário” e “involuntário”, utilizado de forma pejorativa para descrever um homem que não consegue estabelecer relacionamentos amorosos ou sexuais, culpando as mulheres por isso.
Esse sentimento de frustração encontra amplo espaço em fóruns virtuais que disseminam discursos extremistas, como o movimento “red pill”, que defende a superioridade dos homens em relação às mulheres, propagando ódio e desprezo por elas, algo que também é retratado na história.
“Precisamos ensinar nossas crianças e adolescentes a lidarem com as diferenças desde muito cedo. Isso aparece na minissérie quando Jamie é rejeitado por uma colega de escola, o que provoca uma explosão em que ele não consegue controlar a reação, pois a rejeição atinge sua masculinidade nas redes sociais”, destacou a psicóloga.
“A forma como reagimos às rejeições da vida, aos ‘foras’, fala sobre um lugar que precisamos lidar. A outra pessoa não é igual a mim, ela não vai sempre dizer o que quero. Mas como posso lidar com isso sem recorrer a experiências agressivas e violentas?”, afirmou Mayara Pérola.
Quebrando silêncios
É fundamental quebrar os silêncios, mas a construção de uma relação de diálogo aberto e respeitoso com os filhos vai além da simples restrição de conteúdos inapropriados no ambiente digital. Ela também depende dos exemplos que as crianças e adolescentes observam no cotidiano, fora da internet.
Pais e responsáveis devem refletir sobre os comportamentos que estão reproduzindo, pois não basta acreditar que limitar o acesso digital seja suficiente para proteger os jovens.
Nesse processo, é igualmente importante compreender o papel da escola e as ações e projetos que buscam enfrentar essas questões, sempre contando com a participação ativa dos responsáveis pelos estudantes.
A professora de Biologia Dairla Candido, da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) José Vilela, no bairro de Casa Forte, tem desenvolvido um trabalho interdisciplinar com seus alunos para combater o bullying. Entre as atividades, destacou-se uma oficina de percepção, cujo objetivo era entender se os estudantes realmente sabiam o que caracteriza o bullying.
A partir desse entendimento, foram organizadas rodas de conversa para proporcionar uma escuta qualitativa, permitindo que os jovens se sentissem acolhidos e à vontade para relatar suas vivências, sem julgamentos.
“É fundamental escutar o estudante e incentivá-lo a desenvolver empatia. Esses temas não podem ser abordados de forma meramente conteudista. O que buscamos na escola é sensibilizar o estudante para que ele aprenda a lidar com o próximo e se torne um cidadão consciente”, explicou a professora, em entrevista à coluna Enem e Educação.
Essa escuta exerce uma influência direta na maneira de se comunicar, pois é por meio dela que os estudantes aprendem a não normalizar a linguagem violenta.
Na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Lauro Diniz, localizada no bairro do Ipsep, existe um Núcleo de Combate à Violência Contra a Mulher, que desenvolve diversas ações sobre essa temática ao longo do ano.
A professora de Biologia Dinara Souza explicou que são realizadas rodas de conversa sobre a valorização pessoal, principalmente das meninas, e sobre as mulheres próximas a elas. Também foram realizados debates sobre os casos mais recentes de feminicídios.
“Aqui na escola, realizamos um trabalho importante de escuta com todos os alunos, prezando pelo respeito. O que percebemos é que esses estudantes já vêm com um repertório forte sobre a luta feminina”, explicou Dinara.
Outro ponto observado são os relatos de ataques na internet. Nesse contexto, a professora reforça a importância da presença das famílias. “Quando chamo as famílias para participar das reuniões pedagógicas, queremos mostrar a elas a importância de acompanhar o que seus filhos estão fazendo na internet”, ressaltou.
Estudantes da EREM Lauro Diniz participaram de caminhada pelo fim da violência contra a mulher, realizada no bairro do Ipsep, no dia 14 de março – Josimar Oliveira/SEE
Sinais de atenção
Segundo a Coordenadora Pedagógica do Colégio Marista Arquidiocesano, Simone Dias, é importante que os pais também assistam a minissérie, com intuito de participar da vida dos filhos, e com isso entender o tipo de conteúdo que estão consumindo e os sites que acessam.
“Os pais precisam monitorar o acesso às redes dos filhos, tanto o tempo de utilização quanto os sites. A série mostra conversas, símbolos e palavras dos quais nós muitas vezes não sabemos o que significam.”, reforça Simone.
Os pais devem se atentar a forma que os filhos se comportam em casa, se há algum tipo de comportamento que indique que estão evitando a escola, da mesma forma que o corpo docente deve se atentar a postura dos alunos para identificar situações de violência.
“Muitas vezes, os alunos apresentam sinais físicos, como dores de cabeça, náuseas ou dizem estar passando mal, para evitar de ir para a escola. Se isso estiver ocorrendo, recomendamos aos pais que venham e conversem com os responsáveis pedagógicos da escola, para que possa ser feito um trabalho em conjunto entre família e instituição para resolver essa questão”, afirmou Simone Dias.
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