A primeira batalha da eleição em Pernambuco é definir sobre o que ela será

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A primeira batalha da eleição em Pernambuco é definir sobre o que ela será


João tentará usar a força de Lula enquanto Raquel buscará convencer o eleitor a decidir o governo pelos resultados obtidos em Pernambuco.


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Pernambuco realizará várias eleições ao mesmo tempo. Elas vão se encontrar nos palanques, nas propagandas e na urna, mas não estarão necessariamente submetidas ao mesmo comando. Concluída a montagem das chapas, começa neste domingo (16) uma batalha.

E cada candidato tentará definir sobre o que o eleitor estará votando quando votar nele.

A eleição para o Senado tende a ser nacionalizada. A própria função empurra o debate para Brasília. Senadores votam reformas, indicações para tribunais superiores, processos de impeachment de ministros do STF e matérias decisivas para o governo federal. Seus candidatos precisam responder como se posicionarão diante do próximo presidente e procurarão referências nacionais capazes de identificá-los perante o eleitor.

Humberto Costa (PT) deverá explorar sua relação histórica e direta com Lula. Sua candidatura possui dinâmica própria. Antes de participar da agenda coletiva com João Campos (PSB) e Marília Arraes (PDT), Humberto esteve sozinho com o presidente e gravou um vídeo exclusivo para sua campanha. Depois retornou para produzir o material da chapa completa.

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Marília também buscará o eleitor lulista, embora esteja filiada ao PDT e tenha trajetória eleitoral própria. Na chapa adversária, Túlio Gadêlha (PSD) tentará reafirmar sua identidade progressista e sua proximidade com Lula. Eduardo da Fonte (PP) poderá explorar as relações nacionais e a estrutura de seu partido sem transformar sua campanha numa extensão ideológica da governadora.

No campo alternativo, Mendonça Filho (PL) terá uma referência igualmente clara. Sua candidatura buscará ligar o voto para o Senado ao apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Com isso, a disputa pelas duas cadeiras poderá ser organizada em grande parte pela polarização nacional, ainda que os nomes estejam espalhados por diferentes palanques estaduais.

Nacionalização

Candidato a governador, João Campos tem interesse em aproximar a eleição estadual da disputa presidencial construindo nacionalização. Lula oferece ao candidato do PSB identidade política, memória da Frente Popular e acesso a um eleitorado historicamente lulista. Quanto mais a escolha estadual se parecer com uma extensão da eleição nacional, maior será a possibilidade de João aproveitar a força do presidente em Pernambuco.

As fotografias e gravações feitas na sexta-feira serão utilizadas para apresentá-lo como o candidato de Lula. A campanha também tentará associar Raquel ao antipetismo e aproximá-la do bolsonarismo, mesmo que a governadora não apoie Flávio.

Há, entretanto, uma diferença entre possuir o apoio gravado e o eleitor ser envolvido no ambiente nacional para uma eleição local. Vídeos e fotografias ajudam a definir o campo político de João, mas não produzem necessariamente o mesmo efeito de uma visita, um comício ou uma carreata. Se Lula não vier a Pernambuco, caberá ao candidato do PSB transformar sozinho a declaração presidencial em transferência efetiva de votos.

Estado

Raquel trabalhará no sentido contrário. Sua campanha deve tentar separar a avaliação do governo estadual da disputa entre Lula e Flávio. A governadora levará o debate para obras, saúde, segurança, educação, abastecimento de água, infraestrutura e relações com os municípios. A pergunta que interessa ao seu palanque é se Pernambuco melhorou e se a gestão merece continuar.

A estadualização também permite que Raquel dialogue com grupos contraditórios. Ela precisa ser uma opção aceitável para antipetistas e bolsonaristas, mas não pode abrir mão dos petistas e lulistas que formam uma parcela majoritária do eleitorado pernambucano. Para isso, terá de defender sua relação institucional com Lula sem permitir que a eleição para o governo seja transformada num plebiscito sobre o presidente.

A chapa da governadora ilustra essa estratégia. Túlio pode pedir votos entre lulistas, Eduardo da Fonte pode trabalhar sua rede partidária e Raquel pode evitar assumir uma candidatura presidencial. Cada integrante procura seu eleitor sem exigir que ele faça todas as escolhas na mesma direção.

Disputa

O resultado será uma campanha submetida a movimentos contrários. O Senado puxará Pernambuco para o debate nacional. João tentará levar a eleição para governador pelo mesmo caminho. Raquel resistirá e buscará manter a decisão dentro das fronteiras do estado, tendo as necessidades dos prefeitos como base para isso.

É bem possível inclusive que o eleitor adote critérios diferentes para cada cargo e nacionalize o voto para o Senado enquanto estadualiza a escolha para governador.

A primeira batalha da campanha, portanto, não será apenas entre candidatos. Antes de convencer os pernambucanos sobre em quem votar, João e Raquel precisarão convencê-los sobre qual assunto deve orientar o voto. O conteúdo da eleição também está em disputa no primeiro momento, nos primeiros dias da campanha que começa neste domingo.






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