Gabriela Duarte publicou um vídeo nas redes sociais, na noite deste domingo (23), criticando a condução e a edição da entrevista que ela e a mãe, Regina Duarte, deram a este jornal na semana retrasada. Publicados na última quinta, reportagem e vídeo trouxeram as duas falando de diversos assuntos, como política, a parceria na novela “Por Amor” e a nova peça que estrelam agora, “A Filha da…”.
“Eu pensei bastante antes de vir aqui gravar esse vídeo, porque eu não queria que ele fosse uma resposta a um jornalista ou a um veículo de comunicação”, diz a atriz no início da gravação.
“Depois de mais de 20 anos sem atuarmos juntas, eu e a minha mãe estamos voltando aos palcos. E é, sim, um reencontro artístico, profissional e pessoal. Às vésperas de ela completar 80 anos de vida, após mais de seis décadas de carreira, nós aceitamos dar a nossa primeira grande entrevista juntas sobre esse momento para a capa do caderno de cultura de um dos maiores jornais do país”, segue Gabriela.
“Claro que nós sabíamos que outras questões poderiam surgir. Um jornalista pode e deve fazer perguntas difíceis, ainda que a abordagem tenha sido bastante deselegante nesse caso. Mas tem uma diferença entre perguntar e insistir até provocar uma reação. Quando o desconforto se torna mais importante que a resposta e a busca parece ser por uma frase, um corte, uma manchete, aí eu acho que vale a pena perguntar: ‘O que está acontecendo com o jornalismo? Com a comunicação?’.”
Cortes da entrevista viralizaram nas redes sociais nos últimos dias, com alguns internautas defendendo a liberdade do jornalismo para perguntar sobre quaisquer temas e outros criticando a maneira como a conversa foi conduzida.
“Uma conversa sobre cultura, teatro, trajetória, história e esse reencontro de duas atrizes acabou tendo constrangimento como protagonista. O jornalismo pode incomodar, contradizer, questionar, mas ele também precisa ouvir e respeitar, inclusive quando a resposta não entrega a manchete que ele queria, a manchete esperada. Quando o entrevistado entra preparado para se defender, como aconteceu comigo, e não para conversar, alguma coisa já se perdeu”, prossegue Gabriela.
Durante a entrevista com as duas atrizes, a reportagem perguntou sobre o reencontro nos palcos, na peça que estreia agora em São Paulo, e sobre outros temas. Quando a conversa mudou de foco para a breve passagem de Regina pela então Secretaria Especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro, Gabriela e outros presentes tentaram impedir Regina de responder. Ela chegou a dizer que não aceitaria voltar a ser secretária ou ministra.
A atriz, por sua vez, tentou falar sobre o assunto e chegou a verbalizar a vontade de responder às perguntas, mesmo sob os protestos de Gabriela, do diretor da peça, de sua assessoria de imprensa e de uma biógrafa que acompanhava a entrevista. Regina não se manifestou sobre a repercussão da reportagem e do vídeo nas redes sociais, em que é figura ativa.
Gabriela disse ainda, em seu vídeo, que o jornalismo estaria vivendo um paradoxo. “Na tentativa de sobreviver, ele pode estar destruindo justamente aquilo que o mantém vivo, a confiança. Insistir em política partidária num caderno de cultura, quando a pauta deveria ser o teatro, a arte, a trajetória, esse reencontro, também merece reflexão”, afirma.
“Se o clique vale mais que o contexto, se a repercussão vale mais que a escuta, aí a gente está diante de um problema muito maior do que uma simples entrevista”, continua. “Não me resta mais nenhuma dúvida que no final das contas tudo o que eu e a minha mãe fazemos é um sucesso, e a nossa nova peça vai seguir esse caminho.”
“Agora, é importante lembrar: a imprensa não precisa ser protegida das críticas, mas sim do sensacionalismo. O jornalismo deve ser louvado pelos bons profissionais, aqueles que sabem perguntar, ouvir e respeitar, não por quem transforma o constrangimento em espetáculo e a audiência em medida de qualidade”, diz, antes de encerrar desejando um bom domingo a seus seguidores.












