Para Jeferson Tenório, escrever é experiência existencial, e quando se abre mão dessa experiência em prol do ambiente digital, todos saem perdendo
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Em depoimento para a coluna Literária durante a quarta edição do Festival Literário Internacional de Paracatu – o Fliparacatu, o escritor Jeferson Tenório comentou o aumento do uso da inteligência artificial para a escrita literária. “A gente vive num mundo digital, cada vez mais acelerado, com ferramentas que num primeiro momento parecem nos ajudar. Mas que talvez estejam tomando um protagonismo importante e talvez irreversível nas nossas vidas. E um desses lugares em que tem tomado bastante espaço é a escrita. Principalmente a escrita literária”.
Segundo ele, as inteligências artificiais têm sido treinadas para tentar dar conta de algo que é extremamente humano: a criação de histórias. “A gente escreve por um motivo muito simples. Escrevemos por angústia, porque sabemos de nossa finitude, e o que a gente tenta é presentificar o tempo. Aprisionar o tempo para ter a sensação de que a gente vai continuar para além da nossa morte. Para que uma IA consiga chegar nisso, precisaria ter uma espécie de consciência. Se a IA tivesse alguma consciência, pediria para ser apagada – porque imagine um ser que lembra de tudo, que não esquece nada, sabe de tudo. O que nos faz escrever é justamente aquilo que a gente esquece e o que a gente lembra”, compara.
Para o autor de “De onde eles vêm”, publicado pela Companhia das Letras, desse modo olha-se para a escrita como uma produção. “A escrita literária serve para que possamos refletir sobre temas mais profundos. No momento que um escritor abre mão dessa experiência da escrita, na verdade está abrindo mão de sua própria experiência enquanto pessoa. A escrita literária é uma experiência existencial. Quando se delega isso para o ambiente digital, está se abrindo mão daquilo que faz um artista. Todos saem perdendo, o escritor e os leitores”.
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Prêmio Pallas
Ademir Barbosa Junior é o vencedor do terceiro Prêmio Pallas de Literatura, com o livro “A pombagira do fim do mundo e outros contos”. A obra concorreu com mas de 150 outras inscrições, e será publicada no ano que vem pela editora Pallas. Segundo Eliana Alves Cruz, integrante do júri, o autor mostrou “coragem de incluir elementos do panteão das religiões de matriz africana misturados com cotidiano de um país rico em tipos populares”.
O coração é desses pormenores
Lançamento do selo Auroras, da Litteralux, o romance de Ana Paula Moreira está em pré-venda. Com edição de Dani Costa Russo, texto da orelha por Camila Maccari e projeto gráfico de Karina Tenório, “O coração é desses pormenores” passa a integrar o catálogo do selo exclusivo para publicações de autoria feminina. A 47ª obra do Auroras conta a história de quatro gerações de mulheres, em que o leitor encontra “a elaboração de vínculos numa base sustentadora de metáforas raras”, de acordo com a divulgação. Mais informações no Instagram @seloauroras.
Homenagem a Homero
A Academia Pernambucana de Letras (APL) presta homenagem ao jornalista e escritor Homero Fonseca, falecido há poucos dias. Na ocasião, o acadêmico George Cabral fará palestra sobre a Confederação do Equador, tendo também como referência o livro “Jornais em guerra: o papel da imprensa na Confederação do Equador”, de Homero Fonseca. Nesta segunda, 31, a partir das 3 da tarde na sede da APL, no Recife.
Quando
Carla Madeira é a convidada do Sempre Um Papo na terça, 1º de setembro, no Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte. A escritora está lançando “Quando”, novo romance pela Record, e conversa com Giovana Madalosso a partir das 7 e meia da noite. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos a partir das 5 e meia da tarde na bilheteria. Em 2026, o programa Sempre Um Papo faz 40 anos de entrevistas com escritores.
Entre Cobras, Leões e Timbus
Sidney Niceas leva seu novo livro, “Entre Cobras, Leões e Timbus – narrativas de uma mulher, como uma Fênix, à frente das ambulâncias nos estádios de futebol” para dois momentos de lançamento em São Paulo: no sábado, 5 de setembro, no Quinto Pecado Bistrô, na Vila Madalena. E na segunda, 7, na Bienal do Livro de São Paulo, Arena Escreva, Garota, com a participação de Odi Veiga e mediação de Ricardo Mituti.
Casa Flor
A nova Outono Editora lança o infantil de Janaína de Figueiredo, com ilustrações e projeto gráfico de Duda Oliva. “Casa Flor” conta a trajetória do artista Gabriel Joaquim dos Santos, que fez arte de cacos e objetos descartados em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro. As crianças são convidadas a conhecer um “artista autodidata que encontrou a matéria-prima para criar um universo próprio nos materiais desprezados pelos outros”.

Janine Meira lançou no Recife – Divulgação
Coleção de medos
Janine Meira Henriques lançou seu primeiro romance, “A menina que colecionava medos”, no sábado, 22, no Recife. A escritora mora na Irlanda. Com ilustrações de Tiago Bione, publicada pela editora Pedrinhas de Brilhante, de Caruaru, a obra “une literatura e arte em uma experiência visual e emocional que convida o leitor a refletir sobre perdas, recomeços, esperança e afeto”, segundo a divulgação.












