Caso Heloysa: júri popular de PM acusado de matar menina em Porto de Galinhas segue indefinido

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Caso Heloysa: júri popular de PM acusado de matar menina em Porto de Galinhas segue indefinido


Defesa do cabo Diego Felipe de França Silva apresentou recurso contra decisão de pronúncia. A 4ª Câmara Criminal do TJPE vai avaliar o caso

Por

Raphael Guerra


Publicado em 29/08/2026 às 17:51
| Atualizado em 29/08/2026 às 18:01


Clique aqui e escute a matéria

O júri popular do policial militar acusado de matar a menina Heloysa Gabrielle, de 6 anos, durante uma perseguição policial na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco, ainda está indefinido. A defesa do cabo Diego Felipe de França Silva, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), recorreu da decisão de pronúncia – com o argumento de que o PM estava agindo em legítima defesa contra um suspeito de crime.

Desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) vão decidir, por maioria de votos, se mantém ou não o júri popular. Na última semana, foi aberto prazo para que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), responsável pela acusação, apresente as contrarrazões em relação ao recurso da defesa. Só depois disso, uma decisão será tomada na Corte.  

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

O policial militar responde pelo crime de homicídio qualificado (emprego de meio que pode resultar em perigo comum). Ele está em liberdade, mas cumpre medidas cautelares: proibição de ter contato com as testemunhas e familiares da vítima e a obrigação de comparecer a todos os atos processuais.

A morte de Heloysa ocorreu na tarde de 30 de março de 2022. De acordo com denúncia do MPPE, duas viaturas com sete policiais do Bope perseguiam um suspeito que estava numa moto, na comunidade de Salinas.

O homem acabou batendo em um veículo estacionado e tentou fugir do local a pé. Tiros foram disparados contra o suspeito, que não foi atingido. Uma das balas atingiu Heloysa, que brincava na rua. 

CONTRADIÇÕES E PROVAS 

Na época, os policiais do Bope alegaram que houve troca de tiros com o suspeito e que as viaturas chegaram a ser atingidas. Mas a investigação indicou que o suspeito não efetuou tiros. Isso foi comprovado, segundo a Polícia Civil, a partir dos depoimentos de testemunhas e por perícias realizadas nas armas de fogo entregues pelos policiais. 

As marcas na viatura teriam sido feitas pelos próprios PMs, num sinal de tentativa de fraude processual.

Os PMs contaram ter apreendido um revólver calibre 22 com três munições deflagradas e três intactas e atribuíram a arma ao suspeito que estava sendo perseguido e que conseguiu fugir. O suspeito se apresentou à polícia e afirmou nunca ter usado uma arma de fogo.


WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM

Perícia mostrou que a viatura do Bope não foi atingida por arma que teria sido apreendida com o suspeito – WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM

A perícia, em relatório final, também excluiu a possibilidade de o tiro que atingiu menina ter sido de uma arma calibre 22. Os exames apontaram que o mais provável é que tenha sido de uma arma calibre .40, a mesma usada pelo cabo Diego, que confessou ter disparado tiros na perseguição. 

DESDOBRAMENTOS

A morte de Heloysa resultou em protestos, fechamento do comércio e medo em Porto de Galinhas durante três dias. Foi preciso reforço de centenas de policiais para que a situação na praia ficasse mais tranquila e e a rotina voltasse, aos poucos, ao normal.

Em 26 de maio de 2022, outro fato chamou a atenção. Policiais do Bope mataram o suspeito que estaria sendo perseguido no momento da morte de Heloysa.

De acordo com a versão da Polícia Militar, Manoel Aurélio do Nascimento Filho e mais dois homens estavam em um carro e iriam realizar um atentado contra um detento do Presídio de Igarassu, que seria liberado. Uma equipe do Bope teria ido ao local para evitar o crime. Na suposta troca de tiros, o suspeito foi morto.

Os PMs envolvidos na morte do suspeito não foram os mesmos que participaram da perseguição que resultou na morte de Heloysa. Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil afirmou que “não foi encontrada relação entre as mortes de Manoel Aurélio e de Heloysa”.






Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *