São Paulo
Neste fim de semana, a Federação Paulista de Esgrima Histórica realiza um torneio da modalidade armas mistas na Biblioteca de São Paulo, em Santana. O espaço também recebe a batalha de rimas Carandirap. No sábado (25), a Biblioteca Mário de Andrade sedia mais uma edição de sua feira de trocas de livros e recebe ainda um concerto de música chinesa.
Ter um cardápio variado de eventos se tornou comum para bibliotecas públicas e privadas da cidade, que encontram na oferta dessas atividades e de serviços uma boa forma de atrair público. A estratégia é adotada por instituições de todos os portes, das que têm acervos especializados às que são verdadeiros centros culturais.
Biblioteca Parque Villa-Lobos, em Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo
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Rafaela Araújo/Folhapress
Funciona. Após a queda de público decorrente da pandemia, o número de frequentadores de bibliotecas na cidade vem aumentando, segundo Juliana Lazarim, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. “Muito se dizia que as bibliotecas iriam acabar, e a gente é prova viva de que não. São espaços cada vez mais procurados”, diz. O município tem mais de cem bibliotecas, parte delas dedicadas a temas específicos, como poesia e música.
De acordo com Lazarim, o planejamento da agenda parte de um estudo sobre o que é buscado pelo público da região. “A programação é muito importante, assim como o ambiente ser de acolhimento e as pessoas sentirem que pertencem ao território”, diz. Ainda assim, os eventos são opções adicionais para atrair o público —o foco é a leitura, afirma. Além dos eventos propostos pela secretaria, frequentadores e organizações sem fins lucrativos podem sugerir atividades.
Luiza Thesin, diretora da Biblioteca Mário de Andrade, diz que a oferta de programação aumentou bastante por lá nos últimos anos. “Fazíamos eventos duas vezes por semana. Começamos a ter dois por dia, e atividades que eram mensais passaram a acontecer semanalmente”, afirma.
Também defende a ênfase em eventos Wellington Custodio, coordenador de atendimento ao público da SP Leituras, organização que administra as duas maiores bibliotecas estaduais da cidade, a do parque Villa-Lobos e a Biblioteca de São Paulo, além de cuidar do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (Siseb) e do Biblion, biblioteca gratuita de livros digitais.
“A biblioteca já não é mais aquela tradicional, com um monte de livros e onde não pode fazer barulho”, diz. “É um espaço acolhedor, onde o foco são as pessoas. Quando construímos a programação cultural, partimos da necessidade do público.”
Quietas ou agitadas, públicas ou privadas, veja seleção de bibliotecas para conhecer na cidade.
Biblioteca da Faculdade de Direito da USP
Mais velha do que a própria instituição que a abriga, é a biblioteca pública mais antiga da cidade, com 200 anos completados no ano passado. O acervo tem mais de 300 mil livros, em especial obras ligadas ao direito. A biblioteca não empresta livros, salvo sob condições especiais, mas grande parte dos títulos pode ser consultada dentro do espaço —é preciso pedir a um bibliotecário para pegá-los. O espaço justifica a visita pelo apelo histórico do prédio, antigo convento franciscano. Também vale ir atrás: a rede de bibliotecas da USP tem diversos acervos especializados, em geral, abertos ao público para consulta. Há as que focam teatro e saúde.
Lgo. São Francisco, 95, Vila São Francisco, região central. Seg. a sex., das 8h às 20h. Acervo em dedalus.usp.br. @biblioteca_fdusp
Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista
Com mais de 20 mil itens, é dedicada a obras de e sobre fotografia, disponíveis apenas para consulta. Há coleções especiais de nomes como Stefania Bril, pioneira da crítica de fotografia, e Thomaz Farkas, um dos primeiros fotógrafos modernos do país. Ponto disputado para estudo e trabalho, tem mesas com tomadas, sem wi-fi ou computadores. É permitido acessar o espaço com bolsas pequenas e abertas —pertences maiores devem ficar no guarda-volumes. De quebra, dá para ver a exposição “O que Elas Viram“, com fotolivros de fotógrafas mulheres.
IMS – av. Paulista, 2.424, Bela Vista, região central. Ter. a dom. e feriados, das 10h às 20h. Acervo em acervos.ims.com.br. @bibliotecadefotografiaims
Biblioteca de São Paulo
Está desde 2010 no parque da Juventude, onde funcionava a Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Além do vasto acervo de livros para empréstimo, disponibiliza DVDs, jogos físicos e eletrônicos, brinquedos, jornais e revistas. Sua estrutura foi pensada para a acessibilidade, com mesas de
tamanho ajustável para cadeirantes e aparelhos que facilitam a leitura de deficientes visuais, além de livros falados e em braille. Também tem computadores, mesas e wi-fi grátis. Há armários com tranca para guardar pertences. É preciso ter um cartão da biblioteca, que pode ser feito de graça online (bsp.org.br) ou na recepção do espaço com um documento e foto. A agenda por lá é variada. Neste mês, além de clubes de leitura, filmes e palestras, também recebe a Copa SP de Esgrima neste sábado (25), às 10h.
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, Santana, região norte. Ter. a dom., das 9h30 às 18h30. @bspbiblioteca. Acervo em acervo.bibliotecadesaopaulo.org.br
Biblioteca do Parque Villa-Lobos
É gerida pela mesma organização que cuida da Biblioteca de São Paulo, a SP Leituras, e compartilha várias características da coirmã —em especial, uma certa vocação de centro cultural, abrindo mão da especialização de acervo para acolher diversos usos do espaço. A programação gratuita inclui contação de histórias, clubes de leitura (inclusive um 60+), apresentações musicais, peças de teatro e exibições de filmes. Seu acervo possui mais de 30 mil itens, entre livros, revistas, jornais, livros eletrônicos, audiolivros, HQs, DVDs e CDs, livros em braille e falados. Há um amplo espaço para crianças na biblioteca, além de mesas, computadores e wi-fi gratuito. Como sua unidade irmã, também está equipada com vários recursos de acessibilidade. A carteirinha da biblioteca pode ser feita online ou presencialmente.
Av. Queiroz Filho, 1.205, Alto de Pinheiros, região oeste. Ter. a dom., das 9h30 às 18h30. Acervo em acervo.bvl.org.br. @bvlbiblioteca. contato@spleituras.org
Biblioteca Latino-Americana Victor Civita
Tem acervo especializado em conteúdos sobre a América Latina e começou a ser montado sob supervisão de Darcy Ribeiro, intelectual dos mais importantes do país. Hoje, supera 40 mil itens, em grande parte materiais de ciências sociais, literatura, artes, história, economia e cultura popular, que podem ser consultados no local. Tem também uma coleção de filmes de países da região. Os eventos que acontecem lá costumam seguir a temática da biblioteca. É o caso da mostra em cartaz “O Sertão É o Mundo”, que celebra a obra de Guimarães Rosa a partir de livros do acervo. Tem wi-fi gratuito.
Memorial da América Latina – av. Mário de Andrade, 664, Barra Funda, região oeste. Seg. a sex., das 10h às 17h. Sáb., das 10h às 15h. Acervo em biblioteca.sophia.com.br/6350. biblioteca@memorial.org.br. @memorialdaamericalatina
Biblioteca Mário de Andrade
É a principal biblioteca da rede municipal, e não à toa: nasceu como Biblioteca Municipal de São Paulo há 101 anos. Hoje, busca atender a um público diverso com o acervo como maior atrativo. Os livros mais buscados são os que caem em vestibulares, mas a instituição também busca autores que fazem algum sucesso comercial (caso de Édouard Louis, Chimamanda Ngozi Adichie e Annie Ernaux). Para retirar livros, é preciso fazer um cartão de leitor com um documento de identificação. No salão onde ficam os livros disponíveis para empréstimo ou consulta, passou-se a ter alguma tolerância ao barulho. Mesmo assim, trata-se do melhor lugar para estudar ou ler na casa, com cadeiras confortáveis e mesas amplas, mas é preciso guardar a bolsa para entrar. Existe ainda uma Sala Silenciosa para quem não quiser se separar da mochila. Oferece wi-fi gratuito.
R. da Consolação, 94, República, região central. Seg. a sex., das 9h às 21h. Sáb. e dom., das 9h às 18h. @ bibliotecamariodeandrade. Acervo em bibliotecacircula.prefeitura. sp.gov.br/pesquisa/index.xhtml
Biblioteca Paulo Emílio Sales Gomes
Localizada na Cinemateca Brasileira, tem acervo especializado sobre o audiovisual brasileiro, com livros, periódicos, catálogos, roteiros e filmes. Há ainda materiais sobre outros temas, como cinema mundial, televisão e fotografia. O acervo está disponível apenas para consulta no local, e alguns materiais mais exclusivos só podem ser acessados com visita agendada por email. O espaço tem rede de wi-fi e computadores à disposição.
Lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, região sul. Seg. a sex., das 10h às 17h. Acervo em cinemateca.org.br/acervo/biblioteca. biblioteca@cinemateca.org.br
Bibliotecas do Sesc
O Sesc tem 11 bibliotecas na capital e Grande São Paulo, todas com wi-fi gratuito (é preciso fazer um cadastro). Mesmo quem não tem direito à credencial consegue acessar o serviço se levar um documento com foto para fazer uma carteirinha. A melhor abastecida é a do Centro de Pesquisa e Formação, nos andares acima do Sesc 14 Bis. São 9.000 títulos e uma intensa programação ligada à literatura. A do Sesc Paulista é um pequeno salão com acervo mais sucinto, com bela vista de São Paulo e boa oferta de cadeiras e sofás. Essas e outras unidades costumam receber uma série de eventos, incluindo lançamentos de livros. Sesc 14 Bis – r. Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar, Bela Vista, região central. Ter. a sex., das 10h às 20h.
Sáb., das 10h às 18h. @cpfsesc Sesc Paulista – av. Paulista, 119, 15º andar, Bela Vista, região central. Ter. a sex., das 10h às 21h30. Sáb. e dom., das 10h às 18h30. @sescavpaulista. Acervos em sesc.com. br/bibliotecas
Centro Cultural São Paulo
O espaço comporta três bibliotecas que dividem o mesmo piso, onde há mesas para estudo Continuação da pág. C7 e wi-fi gratuito, um ambiente de trabalho compartilhado e uma discoteca. A maior das três é a Sérgio Milliet, que tem o segundo maior acervo público de São Paulo: são mais de 110 mil títulos de gêneros variados. Fazem parte dela a Coleção de Artes Alfredo Volpi, de artes plásticas, e a Sala de Leitura Infantojuvenil, espaço de convivência para os menores. A Biblioteca Henfil, por sua vez, é completamente dedicada aos quadrinhos. Por lá, é possível encontrar clássicos, como “Little Nemo”, e novidades do gênero. Louis Braille, a terceira, é planejada para atender pessoas com deficiência visual e tem mais de 5.000 títulos, entre livros em braille e audiolivros, além de ser equipada com ferramentas de acessibilidade. No momento, o guarda-volumes do espaço não está funcionando e está liberado entrar com mochilas.
R. Vergueiro, 1.000, Liberdade, região central. Sérgio Millet – Ter. a sex., das 10h às 20h. Sáb. e dom., das 10h às 18h. Henfil – Ter. a sex., das 10h às 20h. Sáb. e dom., das 10h às 18h. Louis Braille – Ter. a sex., das 10h às 19h. Sáb., das 10h às 18h. bibliotecaccsp@ prefeitura.sp.gov.br. Acervo em bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br
Fundação Japão
Em funcionamento desde 1994, a biblioteca do espaço vinculado ao Ministério das Relações Exteriores do Japão oferece materiais relacionados à história, à cultura e à literatura japonesa, além de livros sobre o ensino do idioma, revistas, jornais e materiais audiovisuais. Para levar itens para casa, é preciso criar uma carteirinha com um documento de identidade com foto e um comprovante de residência que ateste que o usuário mora na capital ou em outra cidade da Grande São Paulo. São liberados até sete empréstimos por vez, com algumas restrições.
Av. Paulista, 52, Bela Vista, região central. Ter. a sex., das 10h30 às 19h30. Sáb. (alternados), das 9h às 14h. Acervo em bibliotecafjsp.org.br.
Instituto Goethe
É especializada na cultura da Alemanha, e o acervo está, em grande parte, no idioma do país. Inclui livros de filosofia, literatura, história e artes, além de periódicos, vídeos, CDs, jogos e materiais para o estudo do alemão. Os itens podem ser retirados.
R. Lisboa, 974, Pinheiros, região oeste. Seg. a sáb., das 9h às 18h. @goetheinstitut_saopaulo
PUC Consolação
A biblioteca fica no campus da Pontifícia Universidade Católica, onde funcionam os cursos de exatas e tecnologia, e o acervo é especializado nesses temas. O espaço de estudos tem jeitão de colégio: mesas móveis pouco confortáveis, ao lado de uma pequena quadra esportiva. Durante o ano letivo, pode ficar barulhento nos intervalos de aula. Melhor é a sede. O imóvel que divide o muro com o parque Augusta é um prédio do começo dos anos 1940, com projeto do Rino Levi e paisagismo de Burle Marx. Antes, funcionou lá uma faculdade da Sedes Sapientiae, que passou a integrar a PUC nos anos 1970.
R. Marquês de Paranaguá, 111, Consolação, região central. Seg. a sex., das 8h às 22h. Sáb., das 8h às 13h. Acervo em buscaintegrada.pucsp.br













