Presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, diz que o governo dos EUA pode anunciar mais uma taxa sobre produos brasileiros na próxima semana
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O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, disse ontem que o governo dos Estados Unidos poderá anunciar na próxima semana uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas relacionadas ao trabalho forçado.
Ele também anunciou que a ApexBrasil lançará, no início de agosto, um plano de diversificação de mercados para os setores atingidos pelo tarifaço de 25% imposto pelos EUA, com orçamento de R$ 130 milhões.
“Parece que haverá alguma manifestação do governo americano na semana que vem sobre esse assunto, vamos ver”, disse Müller, durante entrevista coletiva, sobre a possibilidade de novas taxas. Ao todo, pelo menos 60 países estão na mira dos Estados Unidos sob o mesmo argumento, incluindo aliados como Israel, Austrália e Japão, mas também adversários, como a China.
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A alegação é de que todos esses países usam insumos produzidos com trabalho forçado, prejudicando a concorrência com itens americanos. As taxas são amparadas no mesmo dispositivo legal de 1974, a Seção 301, usado para tarifar o Brasil nesta semana. O mecanismo permite ações comerciais contra parceiros que os EUA considerem prejudiciais às empresas locais.
OUTROS MERCADOS
“Não temos outra alternativa, pelo menos não como agência de promoção de exportações, a não ser seguir preparando as nossas empresas e buscando novos mercados”, disse Müller. A estratégia, explicou, será desenvolvida em parceria com 57 entidades do setor privado.
Ele classificou o novo tarifaço como “absurdo do ponto de vista comercial”, lembrando que a sobretaxa atingirá US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras aos Estados Unidos, de um total de US$ 38 bilhões comercializados com o país. “Ela (a medida) não tem nenhuma lógica para quem trabalha com o comércio internacional.”
O presidente da ApexBrasil destacou ainda que as tarifas prejudicam não apenas o comércio bilateral, mas também elevam custos para empresas e consumidores americanos. Como exemplo, citou o mel orgânico, do qual 85% das importações dos EUA são provenientes do Brasil, fator que levou o produto a ficar isento da nova tarifa. Também mencionou o granito, responsável por 36% das importações americanas, e a madeira, que representa cerca de 30% do abastecimento externo dos EUA.
“Não há como, de uma hora para outra, o americano que tem 30% do seu suprimento de madeira para construção no Brasil buscar esse produto em outro local”, disse.
Segundo Müller, na primeira manifestação do governo americano cerca de US$ 20 bilhões das exportações brasileiras estavam isentos das novas tarifas. Com a divulgação da lista final de exceções, na quinta-feira, esse valor aumentou para US$ 23 bilhões.
NEGOCIAÇÃO
Apesar da estratégia de diversificação, o presidente da ApexBrasil ressaltou que o mercado americano continua sendo estratégico para o Brasil. Segundo ele, entidades e empresas americanas que mantêm relações comerciais com o Brasil atuaram para garantir a exclusão de diversos produtos da lista de sobretaxas.
Em termos regionais, São Paulo é o Estado mais afetado em valores absolutos, com cerca de US$ 3 bilhões em exportações atingidas, o equivalente a 20% das vendas paulistas aos EUA. Já Santa Catarina é o Estado mais impactado proporcionalmente, com 65% das exportações ao mercado americano sujeitas à nova tarifa.












