A TV é a verdadeira joia de um ator, diz Anya Taylor-Joy, que lança a série ‘Lucky’

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A TV é a verdadeira joia de um ator, diz Anya Taylor-Joy, que lança a série ‘Lucky’


Policiais correm até um cassino de luxo, onde ocorreu um grande golpe. Eles barram as saídas para pegar o responsável, mas Lucky, papel de Anya Taylor-Joy, já conseguiu fugir.

“Quando ouvimos essas histórias, em que alguém enfrenta todas as probabilidades, o fugitivo costuma ser homem. É o tipo de narrativa que adoramos subverter”, afirma Lauren Neustadter, que produz a minissérie programada para estrear no dia 15.

Presidente da Hello Sunshine, voltada a filmes e séries estreladas por mulheres, ela defende que os limites entre o cinema e a televisão estão sumindo. “‘Lucky’ parece um longa de sete capítulos. Eles são filmados de modo cinematográfico e podem ser vistos quando e como o público quiser.”

Fundada em 2016 por Reese Witherspoon, a empresa escolhe parte dos projetos pelo clube de leitura da atriz. Foi lá que o livro de Marissa Stapley se destacou ao seguir uma vigarista que vê o mundo se voltar contra si.

A trama abre no topo do mundo. Com Cary, personagem de Drew Starkey, sua cara-metade e parceiro do crime, a protagonista revisa os próximos passos na cobertura de um arranha-céu. Falta pouco para suas vidas estarem feitas —se tudo funcionar, terão milhões nos bolsos e serão felizes no exterior.

O plano logo desmorona —na manhã seguinte, sem um tostão à vista, Lucky é deixada para levar a culpa. Treinada para enganar ricaços, resta a ela o apoio do pai, preso pela vida criminosa, enfrentar figurões do passado e, no processo, tentar poupar inocentes.

“Ela pena para abandonar suas raízes e é ótima em algo que prejudica os outros”, explica Taylor-Joy, que há dois anos criou a produtora LadyKiller, outra que assina o título da Apple TV. “Sempre quis entender como ela aceita sua natureza.”

A artista diz que a complexidade supera divisões de gênero e que a TV, onde há mais tempo para elaborar papéis, é a verdadeira joia dos atores. Não à toa, e apesar de ter colaborado com cineastas como M. Night Shyamalan e Robert Eggers e com sagas como “Mad Max” e “Duna“, teve a carreira alavancada por outra minissérie.

Lançada em 2020 pela Netflix, “O Gambito da Rainha” explorou os bastidores do xadrez e a fez brilhar em outro mundo tomado por homens.

Se na época a plataforma dominava o tabuleiro, hoje a Apple TV vira um oponente cada vez mais forte. Só este ano, o streaming recebeu 86 indicações ao Emmy, com destaque para títulos de vários gêneros, como a ficção científica “Pluribus” e o terror cômico “O Segredo de Widow’s Bay“.

“Como a plataforma não veio de um histórico no entretenimento, deu passos muito ousados desde o começo”, diz Jonathan Tropper, showrunner de “Lucky” ao lado de Cassie Pappas. “Nem tudo funcionou logo de cara, mas a qualidade virou prioridade, não uma lista enorme de opções.”

Não é a primeira vez que a dupla colabora com a plataforma. Se Tropper se destacou com “Seus Amigos e Vizinhos”, em que um gestor de fundos decide roubar casas próximas, Pappas acaba de lançar a terceira temporada de “Silo”, queridinha da crítica sobre uma realidade distópica.

Seja em bairros comuns, seja no espaço sideral, essas produções costumam ter seu ritmo definido pelas próprias personagens. “Queríamos que as cenas de ação fossem pautadas pelas emoções deles, e nunca parecessem gratuitas”, explica Pappas.

Ainda assim, Tropper cita o visual de Jonathan van Tulleken. Diretor do piloto e dos dois episódios finais, ele esteve à frente das perseguições alucinantes que levam Lucky ao limite.

“Nem sempre podemos iluminar as cenas da mesma forma, mas não há grande diferença entre a forma como filmamos nossas séries e filmes hollywoodianos.”



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