Lula reforça Transnordestina no Ceará com R$ 600 milhões e deixa Pernambuco sem previsão

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Lula reforça Transnordestina no Ceará com R$ 600 milhões e deixa Pernambuco sem previsão


Em agenda no território cearense, presidente inaugurou lotes e garantiu recursos. Impasse no Estado segue à espera inclusive da assinatura de Lula

Por

JC


Publicado em 02/07/2026 às 19:15


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Em uma demonstração de forte apoio político e financeiro ao desenvolvimento da infraestrutura do Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou, nesta quinta-feira (2), o canteiro de obras da Ferrovia Transnordestina. O chefe do Executivo formalizou a liberação de mais R$ 600 milhões por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), mecanismo de fomento gerido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O novo aceno presidencial consolida o ritmo acelerado dos investimentos na malha ferroviária cearense, ao mesmo tempo em que evidencia o forte contraste com o cenário em Pernambuco, onde o trecho local da ferrovia permanece estagnado e sem qualquer cronograma definido para receber aportes. Incusive à espera de assinatura de Lula para liberação de recursos.

A agenda presidencial em solo cearense foi marcada pela entrega oficial dos lotes 4 e 5 da ferrovia, abrangendo os municípios de Acopiara, Piquet Carneiro e Quixeramobim, além da assinatura da ordem de serviço para o início das obras do lote 6, que conectará Quixeramobim a Quixadá. Com um orçamento global estimado em R$ 15 bilhões e previsão de conclusão definitiva para 2029, a Transnordestina já alcança 82% de execução em sua primeira fase no Ceará. Segundo dados oficiais, a estimativa é que esta etapa inicial esteja concluída até 2027, impulsionada por um volume projetado de R$ 7,4 bilhões em recursos do FDNE, dos quais R$ 6,4 bilhões já foram efetivamente liberados.

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Durante a solenidade, o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, e o diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Autarquia, Wandemberg Almeida, defenderam o papel integrador da ferrovia como vetor de redução de custos logísticos e de ampliação da competitividade da economia regional. A governança do projeto, que conta com a Sudene também na condição de acionista da Transnordestina Logística S.A., tem assegurado frentes de trabalho ativas que empregam, atualmente, cerca de cinco mil trabalhadores diretos e indiretos na região.

REALIDADE DA TRANSNORDESTINA EM PERNAMBUCO

Apesar do entusiasmo federal com o progresso verificado no Ceará, a realidade em solo pernambucano é de indefinição. A tão esperada ordem de serviço para as obras do trecho de Pernambuco segue sem qualquer previsão de acontecer. O cenário causa frustração no meio político e empresarial local, sobretudo porque o próprio presidente Lula havia prometido, anteriormente, que assinaria o documento. Sem o aval técnico e financeiro do Governo Federal, as obras no Estado continuam paralisadas, deixando o ramal pernambucano fora das frentes de trabalho imediatas da maior obra logística em execução no Nordeste, sem iniciar o trecho de 73 km entre Custódia e Arcoverde.

Além da dependência de Lula para liberação da obra, Pernambuco ainda tem o entrave jurídico e regulatório junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu a liberação de novos recursos federais para a ferrovia em solo pernambucano.  

Para tentar reverter essa paralisia e destravar o debate institucional, a Sudene e a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) uniram forças na elaboração de uma alternativa técnica. As entidades anunciaram que apresentarão, na próxima terça-feira (7), no Recife, um estudo técnico aprofundado com foco exclusivo no trecho que liga Salgueiro ao Porto de Suape. O documento detalha a matriz de demanda para o mercado doméstico, traz análises de impactos socioeconômicos, aponta os efeitos multiplicadores de emprego e renda e sugere um modelo de governança integrada.

A expectativa de lideranças industriais e da autarquia federal é que este novo levantamento sirva como o subsídio técnico que faltava para destravar a tramitação do processo. A articulação busca dar o respaldo necessário para que as autoridades de controle deem sinal verde ao projeto para a chegadas de mais investimentos. 






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