O senador cumpre agenda na Argentina como convidado de honra do jantar de encerramento da Latin America Chairman’s Conference, em Buenos Aires
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Em mais um movimento para tentar consolidar a imagem de candidato de direita no maior país da América Latina, o senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), se encontrou ontem com o presidente da Argentina, Javier Milei, a quem qualificou de “exemplo para o mundo”. Há um mês, o senador esteve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Enquanto procura consolidar as alianças em outros países, Flávio enfrenta uma crise em sua própria base política.
Flávio esteve com Milei na residência presidencial do país vizinho. O senador cumpre agenda na Argentina como convidado de honra do jantar de encerramento da Latin America Chairman’s Conference, em Buenos Aires. Milei, em suas redes sociais, publicou foto junto ao brasileiro. “A onda azul está chegando ao Brasil”, escreveu Milei. Flávio compartilhou a postagem. “Obrigado por todo o carinho e consideração! Que a maré azul liberte todas as Américas”, escreveu o pré-candidato do PL.
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Flávio se movimenta na direção dos aliados fora do País, enquanto tenta debelar a cisão em sua base local, criada por vídeos divulgados na semana passada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Após o encontro com o presidente argentino, o senador fez uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, antes do jogo entre Brasil e Japão, na Copa do Mundo, em que defendeu a “pauta das mulheres”, dias após Michelle ter dito que sofreu “humilhação” e foi “desrespeitada” pelo enteado.
Na live, Flávio disse ter “preocupação com as mulheres”. “As mulheres que sustentam mais de 70% dos lares brasileiros, que sofrem com a violência. Não adianta a gente negar isso, gente, porque essa pauta de mulher não é uma pauta de ideologia, é uma pauta de economia”, declarou.
O senador do PL acrescentou: “As mulheres só querem ter a sua autonomia financeira, querem sustentar os seus lares, querem garantir que não vai faltar nada para os seus filhos. É isso”.
A busca pela simpatia do eleitorado feminino do Brasil, em meio à agenda internacional, é tentativa clara de conter parte do estrago causado pelas falas de Michelle. Mas ele enfrenta também a crítica de outros personagens da direita no País. Um deles é o ex-ministro do Meio Ambiente da gestão de Jair Bolsonaro Ricardo Salles (Novo-SP), que defendeu Michelle, em entrevista ao Estadão.
“Eu tenho grande respeito pela (ex-)primeira-dama Michelle. E a Michelle teve um papel e tem ainda um papel muito importante de quebrar essa resistência, de mostrar que a direita também respeita as mulheres”, disse.
PRESSÃO
Salles viu, na maneira como ela escolheu de se manifestar publicamente, uma característica típica de alguém que já não aguenta mais a pressão. O ex-ministro sustentou ainda que, assim como se queixou Michelle nos vídeos, influenciadores ligados especialmente ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estão atacando a ex-primeira-dama “de forma reiteradamente baixa”.
“E ela se revoltou contra isso. Você pode até dizer que a manifestação dela é eleitoralmente ruim para a candidatura da direita para derrotar Lula e, de fato, não é positivo. Realmente, é ruim. Mas também ela é um ser humano que chegou ao limite da tolerância com esse tipo de abuso, com esse tipo de crítica, com esse tipo de atuação desleal contra ela”, afirmou o ex-ministro em entrevista ao Estadão.
‘BASTA À ESQUERDA’
No encontro com o presidente da Argentina, ontem, Flávio reforçou “a importância da vitória dos partidos de direita nas eleições da América do Sul, em um movimento que representa um ‘basta’ aos governos de esquerda”. Na América Latina, a direita e a centro-direita comandam hoje 12 países – são a “onda azul” a que se referiu Milei.
Durante a conversa, segundo a assessoria do senador, ele disse a Milei que “a eleição brasileira de outubro será a última peça que falta no mapa da direita no continente”.
O pré-candidato à Presidência destacou as recentes vitórias da direita na América do Sul, como no Peru e na Colômbia, e disse que os brasileiros sentem “inveja” de seus vizinhos sul-americanos.
“Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque, enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa.
E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda”, disse Flávio. O tema discutido com Milei também interessa a Trump, que chegou a publicar artigo na semana passada que cita a ascensão da direita na América Latina.












