A saída de Rodrigo Pacheco da disputa mineira enfraquece estratégia construída entre PT e PSB e amplia incertezas até sobre Pernambuco.
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A entrada do senador Rodrigo Pacheco no PSB parecia resolver vários problemas políticos ao mesmo tempo. O acordo envolveu o presidente nacional do partido, João Campos, o presidente Lula e o próprio senador mineiro. Pacheco deixaria o PSD para disputar o Governo de Minas Gerais pelo PSB, oferecendo ao petismo um palanque competitivo em um dos estados mais importantes do país.
Em troca, os socialistas esperavam fortalecer a defesa de uma candidatura praticamente exclusiva de Lula em Pernambuco, ampliando o alinhamento entre PT e PSB na eleição estadual. Mas, até agora, deu tudo errado.
Minas
A construção começou a apresentar rachaduras antes mesmo de sair do papel. Pacheco enfrentou resistência dentro do próprio campo lulista. Parte do PT passou a criticá-lo por sua postura durante o processo de indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O ambiente se deteriorou rapidamente. O senador desistiu da disputa pelo governo mineiro e o PT iniciou a procura por alternativas.
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Hoje, as conversas em Minas Gerais passam muito mais pelo MDB e por nomes do próprio PT do que pelo PSB. Isso muda completamente a equação política construída meses atrás. O partido de João Campos ainda luta, mas começou a deixar de ser a principal ferramenta para resolver um problema estratégico do presidente da República em um estado decisivo como MG.
Espelho
A importância de Minas Gerais para a eleição presidencial é conhecida há décadas. O estado costuma reproduzir, com impressionante frequência, o comportamento do eleitorado brasileiro. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro em Minas por uma margem muito próxima daquela que garantiu sua vitória nacional.
Existe uma explicação geográfica e política para isso. Minas faz divisa com estados de praticamente todas as grandes regiões do país e recebe influências econômicas, culturais e eleitorais muito distintas. O Norte mineiro possui características sociais e eleitorais semelhantes às do Nordeste. O Sul de Minas se aproxima do perfil encontrado em parte do Sudeste. Há regiões que dialogam com o Centro-Oeste e áreas fortemente integradas ao eixo Rio-São Paulo. Poucos estados conseguem reunir tantas características do eleitor brasileiro em um único território.
Por isso, qualquer dificuldade de Lula para montar um palanque competitivo em Minas deixa de ser um problema regional e passa a ser uma preocupação nacional.
Troca
O cálculo do PSB era relativamente simples. O partido aceitaria hospedar lideranças consideradas estratégicas pelo PT. Rodrigo Pacheco em Minas Gerais e Simone Tebet em São Paulo são exemplos dessa lógica. Em troca, os socialistas esperavam reciprocidade onde realmente precisam dela: Pernambuco.
A expectativa era que Lula restringisse seu apoio estadual ao projeto liderado por João Campos. O raciocínio político era objetivo. Se o presidente conseguisse concentrar seu eleitorado pernambucano em uma única candidatura ao governo, parte dos votos lulistas que hoje também alcançam a governadora Raquel Lyra poderia migrar para o ex-prefeito do Recife.
O problema é que essa conta dependia da capacidade do PSB de entregar ativos relevantes para Lula em outros estados. Com a saída de Pacheco do jogo mineiro, esse argumento perdeu força. E existe uma realidade difícil de ignorar: o PSB continua sendo um partido de porte pequeno quando analisado sob a perspectiva nacional.
Recado
Nesse contexto, ganhou relevância uma declaração recente do senador Humberto Costa (PT). Em entrevista a uma rádio do interior, o parlamentar afirmou que o apoio de Lula a Raquel Lyra continua sendo discutido em Pernambuco. Acrescentou ainda que “ninguém renuncia a votos em uma eleição”. E ela tem votos.
A frase parece simples, mas carrega significado político. Presidentes disputando reeleição ou tentando eleger sucessores costumam ampliar alianças, não as reduzir. Quanto menor a margem nacional, maior a tendência de incorporar apoios regionais.
A observação de Humberto surgiu justamente quando o PSB encontra mais dificuldades para oferecer contrapartidas nacionais ao PT. Pode ter sido apenas uma constatação objetiva da realidade eleitoral. Pode também ter funcionado como um aviso de que as negociações permanecem abertas.
Tempo
A eleição pernambucana foi antecipada com intensidade incomum. Movimentos que normalmente ocorreriam perto das convenções passaram a ser discutidos meses antes. Palanques foram desenhados, alianças foram tratadas como definitivas e algumas disputas foram apresentadas ao público como se estivessem resolvidas.
A política não funciona dessa forma. A definição do comportamento de Lula em Pernambuco continua ligada a fatores que ultrapassam as fronteiras do estado. Minas Gerais é um exemplo evidente. Um acordo que parecia consolidado em Belo Horizonte produzia efeitos diretos sobre o cálculo eleitoral no Recife.
Até posições consideradas centrais para a disputa pernambucana ainda dependem da conjuntura de estados localizados a milhares de quilômetros daqui. A política nacional continua interferindo na política local. E toda antecipação será castigada.











