Uma garota estende uma canga no chão de concreto, sobre a qual coloca os seus coturnos e se senta com um pote de açaí nas mãos. A poucos metros dali, no grande palco à frente, a vocalista do Jinjer, uma banda de heavy metal progressivo da Ucrânia, anima uma plateia cada vez mais enérgica com sua voz ora melódica, ora cavernosa.
No festival de música pesada Bangers Open Air, que aconteceu neste final de semana, em São Paulo, dois tipos de público conviveram no mesmo espaço —os que queriam mais tranquilidade, dentre os quais se incluíam também as muitas famílias com crianças pequenas, e os metaleiros atrás de som alto para pular e bater cabelo junto ao palco.
A quarta edição do festival —antes chamado Summer Breeze Brazil— consolidou de vez a sua posição como uma data central no calendário dos fãs de metal no Brasil. Primeiro porque atende a diferentes tipos de público e segundo porque, ao contrário das edições anteriores, o Memorial da América Latina já estava bem cheio no meio da tarde de sábado, mesmo que a banda principal só fosse tocar próximo das 21h.
A numerosa plateia tem razão de ser. À parte a oferta de três shows simultâneos em quatro palcos distintos, o festival apostou em diferentes gêneros dentro do guarda-chuva do metal. No sábado, enquanto a Crypta mandava ver seu death metal agressivo, a poucos metros dali o Killswitch Engage engatava seu metalcore com ritmo bom para pular. Antes deles, o Torture Squad destruía tudo com seu thrash metal sujo, estilo anos 1980.
Nesta edição, a exemplo dos anos anteriores, o evento manteve uma escalação com diversas bandas lideradas por mulheres —mas agora isso estava mais evidente. Jinjer, Torture Squad, Crypta, Lucifer, Arch Enemy e Within Temptation, todas com vocalistas mulheres, provaram que, felizmente, a música pesada não é mais um território comandado só por homens.
Elas dominaram também as guitarras. O Korzus estreou a sua nova formação com a revelação Jessica Falchi no instrumento, e Primal Fear e Smith/Kotzen foram outros grupos em que as mulheres comandaram os riffs. A maior presença feminina nas bandas é uma mudança significativa em relação aos anos 1990 e mesmo 2000, quando o metal era mais conhecido por ser uma espécie de clube do bolinha.
Em cima do palco, embora o tradicional look metaleiro de roupas pretas com tachinhas predominasse, vale destacar a vocalista do Jinjer. Tatiana Shmayluk se apresentou num vestido rosa com saia de tule, sobre o qual colocou um corset vermelho. Com este visual, ela parecia afirmar a sua feminilidade enquanto se destacava dos demais integrantes da banda, todos homens e de preto.
O sábado também foi marcado por homenagens a Ozzy Osbourne, o líder do Black Sabbath morto no ano passado. Num dos palcos principais, Zakk Wylde, que foi guitarrista da banda solo de Osbourne, tocou uma cover de “No More Tears”, música clássica do ídolo. No palco menor, do auditório, um tributo ao cantor britânico reuniu nomes da cena brasileira como Mayara Puertas e Yohan Kisser.
Música à parte, o Bangers Open Air foi ainda um festival para passar o tempo ou só socializar com amigos. Se nenhuma banda que você curte estivesse tocando em determinado horário, era possível comprar discos, roupas e acessórios em diversas lojas estilo Galeria do Rock ou marcar a pele com uma tatuagem. Ou, então, entrar na fila para pegar autógrafos com os artistas que haviam se apresentado.
A julgar pela animação do público e pelos shows competentes, a fórmula do festival está pronta. No ano que vem, a quinta edição do Bangers Open Air acontece dias 24 e 25 de abril.

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