Recentemente fui a Garanhuns. Cumprindo uma promessa pessoal de visitar algum lugar que me pareça, pela memória minha ou de outros, aprazível fui à cidade agrestina. O projeto é simples, uma vez ao mês, escolher um lugar que diste no em torno de 200 quilômetros do Recife e passar um final de semana. Objetivo, conhecer lugares. Normalmente a classe média se põe horizontes maiores decidi encurtá-los no tempo e no espaço.
Estando numa das cidades mais agradáveis deste Estado de degradação socioeconômica, o que fazer? Coube à minha esposa escolher, como sempre ela faz: “vamos ao Cristo do Magano!!!”. “O que é um Magano?” – questionei. Pesquisei e vi que pode ser uma denominação antiga, apenas os antigos usam palavras desconhecidas, para brincalhão ou travesso. Ou uma canção de Sérgio Mendes: “Dia de festa de largo. Dia de se pintar”. Nada do que vi me lembra alegria. Os sinônimos para o Cristo do Magano em Garanhuns são abandono, tristeza, talvez até melancolia. Encontrei um registro de dezembro de 2025 que o pintava como “fechado, deserto e perigoso”. Minha esposa concordaria.
De longe, só é possível ver o Cristo à distância tendo em vista uma proteção decadente que nos impedia. Vislumbrei um crucificado desbotado, até mesmo sujo. Impossível imaginar que o maior mártir da cristandade esteja naquele estado. No caminho as calçadas estão cobertas cocô de cavalo e mato. Pouco antes do ponto mais alto de Garanhuns temos um teatro ao ar livre onde deveria ser encenada a Paixão de Cristo. Tudo está lá: o local da Santa Ceia, o espaço do julgamento, as portas de entradas, só faltaram os burrinhos. Até um local que minha companheira identificou como o da realização do bacanal. Tudo está lá, mas não por muito tempo. Colunas já foram ao chão e não aconselhamos ninguém descuidar na passagem pelas pontes lá construídas. Que falta faz uma sociedade teatral amadora naquele local.
Vale a visita? Vale, mas com cuidado, o perigo de quedas são maiores do que as que vitimaram o Nosso Senhor no caminho ao Gólgota. Vale também porque pode ser que a Prefeitura, a FUNDARPE, o Ministério Público Estadual e a sociedade garanhuense olhando os visitantes lembrem-se de preservar aquele patrimônio histórico e cultural que foi inaugurado no não tão distante ano de 1954.
Fábio André de Farias é Desembargador TRT em Pernambuco
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