Isabella de Roldão e a vivência da mulher na política

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Isabella de Roldão e a vivência da mulher na política


Todas as segundas-feiras, a Coluna João Alberto apresenta entrevistas exclusivas com personalidades de destaque na sociedade pernambucana



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Filha de Roldão Joaquim, grande figura da política pernambucana, Isabella de Roldão ganhou gosto pela política. Foi vereadora do Recife, com intensa atuação, depois, eleita a primeira mulher vice-prefeita da capital pernambucana, quando representou o Recife em vários eventos internacionais. Atualmente comanda a Secretaria de Trabalho e Qualificacao Profissional do capital. É casada com Fábio Fiorenzano e tem três filhos: Luca, Cleo e Nina.


Arquivo Pessoal

Isabella foi eleita a primeira mulher vice-prefeita da capital pernambucana – Arquivo Pessoal

Como entrou na política?

Costumo dizer que já nasci na política, mas foi em 2010 que tomei a decisão de entrar de forma mais efetiva. Essa escolha veio da necessidade de mostrar que a política, quando feita com responsabilidade e propósito, é um verdadeiro serviço público, voltado para o bem comum. Eu tinha receio de entrar na política por ser filha de político e ter vivido ausências na infância, e temia repetir isso com meus filhos. Foi então que meu maridome disse: “Bela, na vida não existem espaços vazios. Se você não ocupa, pode ser que quem venha a ocupar não tenha o mesmo propósito de servir que você tem”. Aquilo me trouxe um forte senso de responsabilidade. E, a partir dali, eu realmente me entreguei à vida pública.

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A experiência como vice-prefeita influenciou o trabalho como secretária?

Eu tive a experiência de ocupar como mulher pela primeira vez um espaço historicamente ocupado por homens na capital mais antiga do Brasil. Para mim já foi ali um descortinar de possibilidades e uma certeza no meu coração de que eu abria caminhos para que outras tantas mulheres pudessem se enxergar no espaço que eu estava e pudessem dizer sim para aquilo que elas desejam fazer.

Sua visão sobre as divergências de gênero?

Sabemos que uma grande pergunta que passa pela cabeça das mulheres ao concluir os estudos é o que vão fazer e se terão tempo de conciliar a vida pessoal com a profissional. A maioria das meninas e mulheres ainda não se sustenta, porque não é remunerada em consonância com sua formação. Nesse contexto, a economia do cuidado, que eu mencionei durante anos, ainda não é reconhecida como uma economia pulsante que sustenta uma nação. Seguimos lidando com o terceiro, quarto e quinto expediente e, ainda assim, precisamos continuar sorrindo e demonstrando todas as habilidades e competências que esse mundo masculino espera de nós.

À frente de uma secretaria do Trabalho, você traz esse pensamento?

É essa experiência que trago de forma muito forte para dentro da Secretaria, com a responsabilidade de capacitar as mulheres e de promover a consciência de que as responsabilidades domésticas devem ser compartilhadas não vistas como ajuda, mas como uma obrigação de todos no cuidado e na vida em comum.

Teve alguma decisão que marcou sua trajetória?

Como vice-prefeita para ampliar a licença paternidade no serviço público. No privado não tínhamos autonomia, mas no serviço público sim. Não queríamos apenas criar uma licença de 30 dias, o que já é importante, inclusive em nível nacional , mas conscientizar que essa licença não é férias. Por isso, conseguimos, na legislação do Recife, ampliar a licença paternidade do servidor público para 30 dias, condicionada à qualificação dele por um curso online de poucas horas sobre paternidade responsável e participativa.

De onde surgiu essa queixa?

É comum que aconteça quando os homens têm cinco dias de licença, quando a mulher tem bebê, eles vão todos felizes, e passam a ser mais um peso para essa mulher do que um suporte. Eles vão pra praia, eles trazem os amigos pra casa, querem comida. Então o homem precisa aprender que a licença paternidade não é férias pra ele, mas sim um momento super importante pra ele enquanto pai, que está se tornando pai, descobrindo um novo movimento para ele. Para essa mulher que está recém-parida, afinal de contas esse homem deve ser o suporte para essa mulher, especialmente no pós-parto, nos dias que se sucedem o nascimento do bebê, e para ele construir vínculo com essa criança, com esse bebê que está chegando ao mundo. Então, é uma coisa que eu me orgulho muito, é a gente ter conseguido aprovar.

Aprendizados da política que leva para a sua vida pessoal?

São tantas coisas, mas acima de tudo conciliar esforços. A vida pública exige muito e na forma como tem se tratado hoje ela exige que você esteja disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Isso traz uma anulação para a vida pessoal.

Ser mulher nesta posição é mais difícil?

Nenhuma mulher que tem criança para cuidar, tem casa, tem pais, pai e mãe idosos, sofre sovo, porque todo esse cuidado recai sobre a gente. E a gente entende também que o cuidado da própria saúde é que é o descanso. Então, para mim, o grande aprendizado que a vida pública trouxe para a minha vida privada é que a gente precisa aprender a conciliar o trabalho com descanso, com lazer, com afeto, com cuidado.

Na secretaria, quais são as suas prioridades?

Sairmos do conceito necessário da formação técnica exclusiva. A gente precisa sair desse conceito para entender que eu sou humana, eu preciso da minha formação técnica, mas eu preciso da formação de habilidades comportamentais no ambiente de trabalho.

O papel da qualificação profissional na redução das desigualdades no Recife?

É um papel crucial, eu diria que é determinante para que a gente consiga transpor a barreira da desigualdade. Por mais que a gente tenha hoje um campo de trabalho ampliado, necessitando de pessoas para trabalhar, se eu não tiver uma mão de obra qualificada para este lugar vai continuar havendo o desequilíbrio. Mas é o que eu digo. A qualificação técnica com a qualificação comportamental para exercer a função de forma plena e feliz, porque a infelicidade adoece.

Como equilibra o serviço público com a sua vida pessoal?

Foi um grande desafio pra mim. Porque eu comecei minha vida pública eleitoral com seis eleições que eu disputei. Eu diria que eu senti no corpo e na mente, o peso dessa dedicação exclusiva. Eu sofri com minha ausência com minhas filhas e com o meu filho, o que me trouxe um peso muito grande de responsabilidade e de tristeza. E eu cheguei à beira de um burnout. Percebi isso a tempo e comecei a equilibrar. Porque foi muito trabalho, era muita exigência. Eu diria que o último ano e meio como vice-prefeita foi quando eu me percebi em início de adoecimento. Todas as pessoas precisam de descanso, precisam de prazer, de lazer, de trabalho, claro, porque o trabalho a gente está contribuindo para o mundo. Mas a gente precisa desse equilíbrio, então esse foi o meu grande desafio e eu consegui compreender a tempo antes de chegar no fundo do poço.


Arquivo Pessoal

A secretária lançou o seu livro ” Diário de uma Mulher no Mundo” em dezembro de 2025 – Arquivo Pessoal

Quem te inspira no dia a dia?

Eu sou uma mulher muito cristã e encontro inspiração diária em Maria, mãe de Jesus. Sou apaixonada por essa mulher frágil, mas grande sustentadora de Jesus. Ela gestou e pariu em condições impossíveis, sem assistência ou abrigo, sabendo do destino do filho. Criou-o para se tornar homem, e graças à sua visão e compreensão, o primeiro milagre aconteceu. Ela também suportou a dor de perder o filho da forma que perdeu. Para mim, Maria é minha grande inspiração.

Conselho para as jovens mulheres que querem entrar na política?

Não temam. Não subestimem. Vão dizer que é impossível, que não é lugar ou que é péssimo, ou até nem vão dizer, mas farão de tudo para te tirar. O grande desafio, depois da conquista da legislação das cotas, que foi um grande ganho para as mulheres na política, é eleger essas mulheres. Hoje, as cotas existem apenas para cumprir a lei, mas ninguém quer eleger mulher, e é por isso que a sub-representação persiste. Cada um de nós tem seus talentos. Diria às meninas e mulheres: se apeguem ao que está dentro de vocês, resista, siga e seja aquilo que merece sua força.

Qual legado você gostaria de deixar?

A possibilidade de ser o que a gente quiser ser. Qualquer pessoa pode ser o que quisermos ser. Nascemos com essa missão, com esse trabalho. Não é fácil, mas é possível.

O que fala no seu livro Diário de Uma Mulher no Mundo?

É um diário que eu tive a ousadia de dizer que é um livro, que conta retalhos importantes da minha vida. São momentos muito valiosos que eu desabafei o que eu estava sentindo e vivendo. A decisão de publicá-lo foi de uma ousadia que até hoje penso como é que eu tive coragem de fazer isso. Na véspera do lançamento, eu dizia a todo mundo aqui ‘que loucura foi essa? Vocês não me seguraram, não me botaram numa camisa de força para não fazer essa loucura’. Porque eu me mostrei de forma muito honesta e eu tenho recebido mensagens lindas de pessoas que não me conhecem de quanto o livro conectou com esse mais íntimo da gente.

Hábito ou ritual que você tenha para começar o dia bem?

Eu me acordo às quatro da manhã todos os dias. Então, a primeira coisa que eu faço quando acordo é, efetivamente, mentalizar um dia lindo, agradecer por ter acordado. Não pego o celular, eu só desligo o despertador. Me seguro para não pegá-lo ali pelos primeiros 15, 20 minutos do dia, faço uma leitura com trechos filosóficos que despertam reflexões, rezo um terço e saio às cinco da manhã vendo o dia nascer, o sol chegando, eu acho a coisa mais mágica do mundo, e vou fazer meu exercício físico.

Uma curiosidade dessas reflexões?

Eu até escrevi isso no meu livro, tem essa frase lá “sabedoria é viver a vida do jeito que ela vem”. Então, agradece, segue e vá.

E o que gosta de fazer no fim de semana?

Eu adoro ler, tenho muitos livros em casa, eu amo escutar música, e amo fazer uma boa faxina. O dia perfeito seria se eu puder ficar a manhã toda em casa, tomar café da manhã, lavar minha louça, escutar música, depois escrever alguma coisa, no domingo de manhã eu vou para a Missa no Poço da Panela. e de tardezinha, encontrar com os amigos, tomar um vinho, conversar, fechando um final de semana maravilhoso.

Momento da sua carreira que mais te marcou?

Sou uma mulher de carreiras diversas: advogada, nutricionista, professora e, hoje, ocupando espaço público. Mas o que mais me marcou foi, primeiro, ter sido professora de pré-escola e pré-alfabetização. Eu amava esse trabalho; foi meu primeiro emprego e muito importante para iniciar minha vida profissional como educadora. Outro momento que também me marcou profundamente foi ter sido conciliadora do Juizado Especial. Adorei a experiência e acredito que conciliar é, de fato, um dos meus talentos.

RAIO-X

  • Time: Sport.
  • Restaurante: Ponte Nova.
  • Comida: Tudo que tem tofu, cogumelo e berinjela.
  • Filme: “Frozen”, que o amor verdadeiro é a irmã.
  • Livro: “Um café com Sêneca: Um guia estoico para a arte de viver”, de David Fideler.
  • Música: “Enjoy The Ride”, de Malu Magalhães.
  • Cantor(a): Ilana Queiroga.
  • Local favorito: Minha casa e o sítio da nossa família.
  • Hobby: Ouvir música.






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