Benjamin Netanyahu cita danos à indústria iraniana; Donald Trump fala em líderes “eliminados” e crise se intensifica no Golfo
Estadão Conteúdo
Publicado em 04/04/2026 às 22:28
| Atualizado em 04/04/2026 às 22:34
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste sábado (4) que as forças armadas israelenses atacaram fábricas petroquímicas no Irã, além de destruírem 70% da capacidade de produção de aço do país persa.
“Essas duas coisas são a máquina de dinheiro deles para financiar a guerra terrorista contra nós e contra o mundo inteiro. Continuaremos a esmagá-los, como prometi”, afirmou Netanyahu em vídeo publicado no X.
Mais cedo, o Irã reportou ter sofrido ataques próximos à usina nuclear de Bushehr, na região sudoeste do país. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grassi, lamentou os ataques e pediu “máxima contenção militar para evitar o risco de um acidente nuclear”.
A estatal russa Rosatom afirmou que o risco de um acidente nuclear na usina de Bushehr está aumentando, enquanto realiza a evacuação do local. Segundo a Al Jazeera, a companhia já retirou mais de 198 funcionários da usina neste sábado (4) e vem retirando trabalhadores desde o início da guerra, no fim de fevereiro.
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A evacuação mais recente já estava planejada antes de a Agência Internacional de Energia Atômica informar no X que um dos funcionários da usina foi morto por um fragmento de projétil. A agência acrescentou que um edifício no local foi afetado por ondas de choque e estilhaços. O chefe da Rosatom, Alexei Likhachev, disse que o funcionário morto era um cidadão iraniano.
Anteriormente, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, alertou que os ataques dos EUA e de Israel perto da usina de Bushehr neste sábado representam riscos significativos para o país e para a região do Golfo.
A Rússia emitiu nota condenando o ataque de EUA e Israel à usina de Bushehr e pediu que ações contra instalações nucleares cessem imediatamente. “Condenamos fortemente este ato maligno, que resultou em perda de vidas”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova. “Os ataques às instalações nucleares iranianas, incluindo a usina de Bushehr, devem cessar imediatamente”, acrescentou.
Trump afirma que líderes militares do Irã foram ‘eliminados’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 4, em nova publicação no Truth Social, que “muitos dos líderes militares do Irã”, que teriam conduzido o país de forma “incompetente e imprudente”, foram eliminados, juntamente com outras pessoas, em um ataque massivo em Teerã.
Pelo menos uma pessoa morreu em um ataque com míssil em uma área residencial no norte de Teerã na manhã deste sábado, segundo a agência estatal iraniana Mehr News.
Trump não detalhou quais lideranças teriam sido atingidas nem forneceu informações adicionais sobre o alegado ataque.
Repúdio
Em tom alarmado, em mais um repúdio às ameaças de Donald Trump contra o Irã, o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, fez um apelo público neste sábado (4) aos países do Golfo Pérsico diante da escalada das tensões no Oriente Médio. “Por favor, novamente, façam tudo o que estiver ao alcance de vocês antes que esse lunático [Donald Trump] transforme a região em uma bola de fogo”, disse em postagem na rede X.
Mais cedo, o comando militar central iraniano reagiu com dureza às ameaças de Washington. Em comunicado do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, o general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a postura de Trump como “desesperada, nervosa, desequilibrada e estúpida”. O militar também elevou o tom ao afirmar que, em caso de ataque, “os portões do inferno se abrirão” contra os EUA.
As declarações remetem ao ultimato ao governo iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Em publicação na Truth Social, no fim da manhã deste sábado, Trump disse que o Irã tem prazo de 48 horas para um acordo ou a reabertura da passagem marítima. “O tempo está se esgotando: 48 horas antes de todo o inferno cair sobre eles”, escreveu.
O ultimato original havia sido estabelecido em 26 de março, quando Trump concedeu dez dias (até 6 de abril, próxima segunda-feira) para que o Irã aceitasse um acordo ou reabrisse totalmente o estreito, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Na ocasião, o presidente norte-americano ameaçou atingir a infraestrutura energética iraniana caso suas demandas não fossem atendidas, ampliando o risco de um confronto direto na região.

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