Feriado da Páscoa: saiba como a celebração ganha diferentes sentidos entre religiões

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Feriado da Páscoa: saiba como a celebração ganha diferentes sentidos entre religiões


A data reúne interpretações que vão da ressurreição cristã à libertação judaica e à espiritualidade presente nas religiões de matriz africana



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Para além dos ovos de chocolate e das celebrações populares, a Páscoa carrega significados distintos entre diferentes tradições religiosas. Embora amplamente associada ao cristianismo, a data não se resume a uma única interpretação.

Em diferentes crenças, a celebração ganha sentidos próprios, que vão da ressurreição à memória da libertação de um povo e à valorização da vida e da espiritualidade. As diferenças não estão apenas nos rituais, mas também na forma como cada religião compreende figuras centrais, como Jesus, e os significados atribuídos a esse momento.

No Brasil, a celebração chegou com os colonizadores portugueses no século XVI, profundamente marcada pela tradição católica.

O professor doutor de Teologia, Degislando Nóbrega, explica que os missionários, especialmente os jesuítas, como José de Anchieta, “desempenharam papel importante ao integrar a celebração pascal ao processo de evangelização”.

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“Com o tempo, elementos culturais locais foram sendo incorporados – como expressões populares, encenações da Paixão e, mais recentemente, símbolos como o ovo de Páscoa, que remete à vida nova”, destaca.

Apesar de integrar significados que atravessam o tempo, as gerações e os territórios, a Páscoa dialoga com propósitos universais das religiões: recomeço, o bem querer e a esperança.

A ressurreição como eixo central da Páscoa no cristianismo


GUGA MATOS/JC IMAGEM

No cristianismo, a Páscoa simboliza a vitória sobre a morte e a renovação da vida – GUGA MATOS/JC IMAGEM

No cristianismo, a Páscoa é considerada a principal celebração da fé, marcada pela crença na ressurreição de Jesus Cristo após a crucificação. A data simboliza a vitória sobre a morte e a renovação da vida, sendo interpretada como um dos fundamentos da doutrina cristã.

De acordo com o professor Jamerson Marques, mestre e doutor em História e sacerdote de culto afro-brasileiro, essa leitura está diretamente ligada a uma construção teológica específica do cristianismo.

“Os cristãos, os protestantes e os católicos vão celebrar essa dimensão do Jesus divinizado, do Jesus transformado num super-Deus, transformado em Deus, no próprio Deus, no próprio Criador”, explica .

Segundo ele, é essa compreensão de Jesus como parte da própria divindade que sustenta a ideia da ressurreição como um acontecimento central. Nesse sentido, os cristãos interpretam os evangelhos a partir da crença de que Jesus é um Deus encarnado, um com o Pai, o que fundamenta a leitura da ressurreição como expressão direta dessa natureza divina.

Para o professor Degislando Nóbrega, a Páscoa é, para os cristãos, o coração da fé. “Celebra a ressurreição de Jesus Cristo, isto é, a vitória da vida sobre a morte, da esperança sobre o desespero e a solidão da cruz. Não se trata apenas de um evento do passado, mas de uma experiência que renova o sentido da existência, convidando à transformação pessoal e comunitária”, pontua.

Não se trata apenas de um evento do passado, mas de uma experiência que renova o sentido da existência, convidando à transformação pessoal e comunitária

Professor doutor em Teologia, Degislando Nóbrega

A libertação como fundamento da Páscoa no judaísmo

Diferente do cristianismo, a Páscoa no judaísmo, conhecida como Pessach, não está relacionada à figura de Jesus, mas sim a um dos episódios mais importantes da história do povo judeu: a libertação da escravidão no Egito.

“O Pesach, em hebraico, conhecido como a Páscoa judaica, está ligado a eventos ocorridos há cerca de 3.300 anos atrás, no Antigo Egito, quando os israelitas foram escravizados”, explica Jáder Tachlitsky, economista, professor de Cultura Judaica e História Judaica e coordenador de Comunicação da Federação Israelita de Pernambuco.

A celebração relembra a condução do povo hebreu rumo à liberdade, sob a liderança de Moisés, e é marcada por rituais que reforçam a memória coletiva e a transmissão de valores entre gerações. 

A vida e a ancestralidade nas religiões afro-brasileiras e indígenas


UENNI/DIVULGAÇÃO

Páscoa também simboliza valores como a vida, a espiritualidade e a ancestralidade – UENNI/DIVULGAÇÃO

Nas religiões de matriz africana, a Páscoa não é uma celebração estruturada da mesma forma que no cristianismo, mas o período é reconhecido e reinterpretado a partir de outros valores, como a vida, a espiritualidade e a ancestralidade.

Segundo Jamerson Marques, embora Jesus Cristo não seja um elemento central em tradições como o candomblé, há respeito e reconhecimento da sua importância simbólica.

Já em outras vertentes, como a Umbanda e a Jurema, a presença cristã é mais evidente, o que faz com que a figura de Jesus seja incorporada como um mestre espiritual. “A umbanda, a jurema, vai prestar culto, de fato, a esta figura, a este mestre, um espírito muito evoluído”, explica.

Mais do que um evento específico, o período é associado a um sentido mais amplo de renovação. “No final das contas, o que se celebra é a vida, né? A vida, todo esse lance de ressurreição fala muito de vida, de celebrar a vida”, completa o sacerdote.

Entre povos originários das Américas, muitas tradições religiosas estão profundamente ligadas aos ciclos da natureza, como explica Degislando Nóbrega.

“Em diversos rituais indígenas, a passagem das estações, o plantio e a colheita expressam a ideia de que a vida morre e renasce. Não há uma equivalência com a ‘ressurreição’ de Jesus Cristo no cristianismo, mas essa percepção forte de que a vida é cíclica, sempre se renovando apresenta estruturas simbólicas semelhantes com a esperança pascal”, conclui.

A renovação espiritual e a vitória do bem sobre o mal


FREEPIK/BANCO DE IMAGENS

Páscoa é uma festividade em que religiões convergem na renovação da esperança e amparam no afeto a reconstrução de laços – FREEPIK/BANCO DE IMAGENS

No lado oriental do globo, a Páscoa também carrega simbologias similares ao cristianismo. De acordo com o teólogo Degislando Nóbrega, é possível entender as singularidades de cada religião – e suas semelhanças – com ajuda da Antropologia Cultural e de estudos etnográficos.

“No islã, festas como o Eid al-Fitr (Festa da Quebra do Jejum) marcam renovação espiritual após o jejum do Ramadã”, afirma.

Já em tradições orientais, como no Hinduísmo, ele diz que celebrações como o Holi (Festival da Primavera) simbolizam a vitória do bem sobre o mal e a renovação da vida.

Mais do que o evento histórico que marcou a celebração, a Páscoa é uma festividade em que religiões convergem na renovação da esperança e amparam no afeto a reconstrução de laços. É um período onde as culturas se encontram com um fim em comum: a reconstrução.

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