Filme sobre Kongjian Yu, criador das ‘cidades-esponja’, é retomado ao abordar o luto

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Filme sobre Kongjian Yu, criador das ‘cidades-esponja’, é retomado ao abordar o luto


Em setembro do ano passado, um acidente aéreo matou o arquiteto chinês Kongjian Yu, os cineastas Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Júnior e o piloto Marcelo Pereira de Barros. Na ocasião, eles viajavam para o Pantanal, onde gravariam cenas de um documentário dedicado às “cidades-esponja“.

Criado por Yu, o conceito diz respeito a cidades pensadas para absorver grandes quantidades de água, capazes de evitar alagamentos e realimentar lençóis freáticos por meios sustentáveis. Meses após a tragédia, “Planeta Esponja” será retomado com nova abordagem —o filho mais velho do arquiteto, Tony Yu, que voltou à China para herdar o legado do pai, traz reflexões sobre várias formas de se lidar com o luto.

“Os sentimentos universais que conectarão espectadores ao arquiteto e aos seus filhos aproximarão os estudos de Yu do público”,afirma o produtor Gustavo Mello, que assina a produção ao lado de Gal Buitoni. As filmagens já foram retomadas e o projeto deve ser lançado no primeiro semestre de 2027.

Às vésperas do acidente, quando Kongjian veio a São Paulo para a Bienal Internacional de Arquitetura, o arquiteto disse considerar o Brasil a “última esperança para salvar o planeta”. A empolgação que provocou em uma palestra lotada, nas palavras dos produtores, serve de combustível para a retomada da produção.

“Não queríamos fazer mais um filme sobre mudanças climáticas, dos quais muitos se afastam por preconceito contra o ativismo”, afirma Buitoni. “Queremos proporcionar uma mensagem de esperança, que pense soluções para o futuro, ancorada por essa bagagem sentimental.”

Numa época em que países do Leste Asiático, entre outras regiões do mundo, desafiam a hegemonia cultural dos Estados Unidos, interessa ao longa retratar o cruzamento entre hábitos orientais e ocidentais. Para a filha de Kongjian, Hope, isso traz ao projeto uma espécie de lirismo.

Distantes de práticas individuais típicas de europeus e americanos, que costumam ver a morte como um processo doloroso e definitivo, são comuns rituais orientais, geralmente coletivos, que entendem a partida como passagem natural entre “estágios de alma”. Assim, busca-se manter relações entre os vivos e os que partiram.

“São culturas que entendem o trabalho e a ideia de propósito de formas muito diferentes, por exemplo. A força da obra está justamente no espírito poético que essas discussões proporcionam”, diz Mello.

Reconhecidos pelos filmes de não ficção, Ferraz dirigia o projeto e Crispim Júnior estava à frente da fotografia. Eles eram colegas de vários membros da equipe e seus trabalhos terão continuidade nas mãos de amigos próximos, como o próprio Mello, que será um dos codiretores, e o fotógrafo Eduardo Piagge.

“O processo de luto que veremos em frente à câmera também está acontecendo atrás dela, e estamos fazendo o possível para preservar a essência de uma equipe parceira e sensível.”

Diretor de “Dossiê Chapecó: O Jogo por trás da Tragédia“, série sobre o acidente do time da Chapecoense, Ferraz será homenageado, ao lado de Júnior, com a exibição de “Em Nome do Jogo” no festival É Tudo Verdade, voltado à produção documental. O longa explora relações entre o futebol e a fé pela perspectiva de jogadores, torcedores e grupos religiosos de Salvador.

De certa forma, é outro título que investiga a força de laços coletivos. “Finalmente estamos conseguindo olhar para frente”, diz Buitoni. “Queremos que o filme carregue essa espécie de alquimia, pela qual estamos tentando transformar as perdas em arte.”



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