Infantilidade se conceituar que a pobreza é sinal de virtude ou que a riqueza é sinal de corrupção e apego insensato ao materialismo
JC
Publicado em 29/03/2026 às 0:00
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“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. João 10:10
Para muitos, a pobreza é um sinal de virtude e, até mesmo, de santidade; e, para outros, a riqueza é sinal de corrupção e apego insensato ao materialismo. É de uma infantilidade grotesca se conceituar que o rico só é rico porque explora, e o pobre só é pobre porque é explorado. Sabemos que a distribuição de riquezas não é justa, que existe exploradores vorazes e, ainda, o propósito de se manter remunerações baixas a fim de se garantir mão de obra barata e aumentar lucros.
Entretanto, sabemos também que há pessoas empreendedoras que se qualificam para setores do mercado e se tornam muito bem-sucedidas. E há muitos que jogam oportunidades fora, não têm iniciativa, desistem fácil de um projeto e, ainda, gente que não quer nada com a vida e curte a companhia da miséria. Com poucas palavras e numa análise bem superficial, procurei não exaltar pessoas vitimizadas, bem como não premiar exageradamente pessoas prósperas. A abundância existe para todos, porém, muitos são penalizados por estar fora desta atmosfera.
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Os pobres sempre existirão, quaisquer que sejam as razões. Moisés e Jesus afirmaram isto: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra” (Deuteronômio 15:11) e “Porque os pobres, sempre os tendes convosco” (Mateus 26:11). É preciso afirmar que ser pobre não é maldição e que pode ser bênção. Jesus mesmo disse que não possuía nada aqui: “as raposas têm os seus covis e as aves os seus ninhos, mas os Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20).
Os apóstolos abandonaram empregos, empresas e carreiras promissoras, como: Mateus trabalhava na coletoria de impostos; Pedro, André, Tiago e João tinham empresa de pesca; Paulo era um brilhante teólogo judeu. Mas, voluntariamente abriram mão delas por um propósito maior: anunciar o Reino de Deus aos homens em todas as nações. O desapego às riquezas os transformaram em bênção incalculáveis para a humanidade.
O nosso planeta terra é extremamente rico. Tecnicamente, todos os seus habitantes deveriam desfrutar de suas riquezas, afinal, ninguém é dono de nada, porque ninguém construiu ou deu origem a nada do que existe. Porém, todos deveriam ter acesso e direito às suas riquezas. É verdade que alguns sabem multiplicar as suas riquezas de forma honesta. Outros são criativos e, de um invento patenteado, se tornam milionários. Já outros herdam da família e têm a capacidade de desenvolver e se expandir diligentemente. E há aqueles que começam bem de baixo e alcançam níveis altos. Gente que sabe viver na abundância e criar a abundância. Tudo isso é legítimo se estiver dentro da legalidade prescrita e da ética do bem.
Onde quero chegar? A riqueza lícita é bênção de Deus. Jesus disse que veio trazer vida abundante. Ou seja, a vida eterna e a vida exuberante. Não há vida abundante onde não há riqueza abundante. Os mares, por exemplo, sustentam trilhões e trilhões de vidas, porque têm a capacidade para isso. Diferentemente de um lago qualquer que é bem limitado e com capacidade restrita. O nosso planeta tem a capacidade de sustentar com abundância o triplo de habitantes que hoje existe. Nós, hoje, já produzimos alimento suficiente para isso, e podemos aumentar exponencialmente sem dificuldades. Deus é o Criador da superabundância!
“Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos”, afirma o profeta Ageu (2:8). “Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo”. (Salmos 50:10,11) Ele é o Dono de tudo! “O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta” (1 Samuel 2:7). A sua fortuna ele a dá a quem quiser. No entanto, a responsabilidade da administração é de quem a recebe. Na Parábola dos Talentos, Jesus elogia os que receberam cinco e dois talentos e os multiplicaram (Mateus 25:14-30) e pune severamente ao que foi relapso. O fato é que Deus graciosamente compartilha conosco as suas posses. Tudo é Dele, inclusive a nossa vida.
Rev. Miguel Cox é mestre em teologia, pastor e membro da Academia Pernambucana Evangélica de Letras

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