Comerciantes relatam esvaziamento e insegurança na via, enquanto projeto da UFPE e Sudene busca caminhos para frear a degradação urbana
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
Antes conhecida como o grande polo de compras da capital pernambucana, a Rua Imperatriz Teresa Cristina hoje estampa um cenário desolador.
Onde antes mal se conseguia transitar devido à multidão, o que se vê agora é um corredor esvaziado, marcado por imóveis de portas fechadas, andares superiores desocupados e fachadas que evidenciam o abandono da região central.
“Antigamente, o movimento por aqui era imenso; a gente quase não conseguia transitar durante o dia, principalmente em épocas de festa, de tão importante que essa rua era para o centro da cidade”, relembra o aposentado Carlos de Vasconcelos.
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}
O colapso do comércio diurno e a insegurança
A deterioração estética e comercial não aconteceu da noite para o dia. O comerciante Josemir Dias, que atua na via há 47 anos, lembra que o declínio começou quase uma década antes da pandemia.
“Naquela época, a Imperatriz era um espetáculo de gente; era tanta gente que as pessoas tinham até dificuldade de transitar pela rua. Todo mundo queria alugar um ponto, havia disputa e ganância pelos lugares, porque todo mundo ganhava dinheiro aqui. Era uma rua espetacular, mas hoje ela se encontra nessa calamidade de falta de pessoas”, relata.

Josemir Dias trabalha há 47 anos na Rua Imperatriz – Maria Clara Trajano/JC
“Quando eu era jovem, eu via essa rua aqui como uma maravilha, sabe? Era tudo muito movimentado. Mas, infelizmente, hoje ela está entregue às baratas. O que a gente vê agora é o comércio fechando as portas; o comércio de rua está acabando e a Rua Imperatriz está ficando cada vez mais vazia, sem lojas. Infelizmente, não existe mais aquele movimento de antes aqui nesta rua; é essa a realidade que eu vejo hoje”, explica Norma Silva, frequentadora da região.
A sensação de insegurança, o avanço do comércio ambulante e a falta de policiamento sistemático afastaram a clientela que antes lotava a via.
“É uma junção de vários problemas que afetam o comércio, começando pela falta de clientes, que deixam de vir para o centro por causa da falta de segurança e de policiamento, que é algo raro de se ver por aqui. Além disso, as paradas de ônibus ficam muito distantes e o próprio comércio nos bairros acaba segurando o pessoal por lá”, observa o segurança patrimonial Paulo Alexandre.
“Agora, quando começa a escurecer, o povo se recolhe”, lamenta Jackson Porfirio, atendente da Padaria Imperatriz, que funciona há 129 anos no endereço.
Resistência centenária
Apesar do cenário hostil, há quem resista. A tradicional padaria da rua, que já acumula mais de um século de história no coração do Recife, é um símbolo dessa teimosia comercial.
Jackson lembra de um passado recente em que o estabelecimento ficava intransitável. “A padaria vivia tão cheia que não tinha nem lugar para sentar; as pessoas ficavam em pé, com a nota fiscal na mão, esperando por uma oportunidade para lanchar porque a comida era muito boa”, conta.

Jackson Porfírio atende na Padaria Imperatriz há 13 anos – Maria Clara Trajano
Hoje, o movimento é classificado por ele como precário, impulsionado quase exclusivamente por eventos esporádicos no centro.
Novas perspectivas com a vida noturna
Enquanto o comércio diurno tradicional de roupas e utilidades domésticas míngua, a vida noturna surge como uma aposta isolada. O empreendedor Bruno Barros decidiu abrir o Conchittas Bar no local, enxergando uma infraestrutura propícia: rua calçada, pontos comerciais disponíveis e ausência de residências nas proximidades para não gerar conflitos com o barulho.

Bruno Barros acaba de abrir o Conchittas Bar em novo endereço, na Rua Imperatriz – Maria Clara Trajano/JC
“Para o futuro, enxergo a Imperatriz como a grande ‘rua dos bares’ de Pernambuco. Imagino bares tocando jazz, frevo e, claro, o brega, já que somos a capital do gênero, além de samba e forró”, projeta Bruno.
A iniciativa, no entanto, divide opiniões entre os veteranos da via. Para o comerciante Elias Beltrão, a operação noturna não traz alívio para o lojista do dia a dia.
“Não notamos um impacto real na movimentação do comércio ou na atração de pessoas para a rua durante o dia; esse não é o tipo de atrativo que a Imperatriz precisa, pois para o comércio normal não mudou nada”, argumenta.

Elias Beltrão, comerciante há 25 anos na Rua Imperatriz – Maria Clara Trajano
Estudos vocacionais: a busca por um novo destino
Para além de soluções imediatistas, o futuro da via agora é objeto de ciência. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) deram início a um projeto de estudos vocacionais que durará 12 meses.
“Este é um trabalho desenvolvido em parceria entre a Sudene e a Universidade Federal de Pernambuco, através do curso de Arquitetura e Urbanismo e de laboratórios especializados, como o de urbanismo (com o grupo de estudo de mercado imobiliário) e o de patrimônio cultural. Além desses laboratórios, contamos com um grupo de consultores especialistas em áreas como espaço público, mobilidade, preservação do patrimônio, diálogo social e mercado imobiliário”, explica a arquiteta e pesquisadora Juliana Barreto.
O objetivo é identificar o potencial urbanístico, cultural e econômico da área para propor soluções definitivas contra a degradação urbana. A ideia é realizar um diagnóstico participativo e fugir de respostas fáceis.
“Ao longo do tempo, a rua passou por transformações e muitas vezes buscamos respostas imediatistas para a situação atual, culpando os shoppings, a pandemia ou o e-commerce. No entanto, neste estudo, queremos fugir dessas respostas imediatas e realizar uma análise aprofundada para entender o que realmente fundamenta o que acontece na Rua Imperatriz hoje, permitindo prever o que ela pode vir a ser”, aponta a arquiteta e pesquisadora Iana Ludermir.
O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, reforça a gravidade da situação estrutural.
“Precisamos ter em mente que o centro está bastante degradado; é uma tarefa de toda a sociedade e de todos os setores da economia buscar uma solução, pois não podemos permitir que um espaço histórico e privilegiado como o nosso continue se degradando”, conclui.
/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-vista-aerea-impressionant-2853918738.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-batatas-fritas-douradas-e-2851393467.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/previsao-do-horoscopo-do-dia.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)




/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-vista-aerea-impressionant-2853918738.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-batatas-fritas-douradas-e-2851393467.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)

