Investigações do caso Master que apontam relações suspeitas do sistema financeiro com representantes dos poderes da República precisam ir adiante
JC
Publicado em 12/02/2026 às 0:00
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No editorial de segunda-feira, lamentamos a discrepância entre a profusão de casos de roubo do dinheiro público e a posição secundária do combate à corrupção na agenda nacional. Em especial, dos governos petistas, que dominam o poder no Planalto a maior parte do século 21. Os casos do mensalão, sob Lula, e do petrolão, com Dilma Rousseff, foram ilustrativos dessa normalização, que está longe de ser exclusiva do PT. Na atualidade brasileira, difícil é não encontrar uma agremiação partidária envolvida em esquemas, ainda mais quando todos os principais partidos ocupam cargos e orçamentos no governo federal.
Enquanto não for considerada um problema de alto risco para o desenvolvimento econômico, a redução das desigualdades e o amadurecimento democrático, a corrupção continuará exibindo formas bizarras de manifestação. Depois das cédulas na cueca, o arremesso de dinheiro pela janela desponta, de novo, como ato de desespero diante da chegada policial. Como fazer de conta que não há culpados? Que os bandidos estão sempre em outro lugar – quem sabe noutra dimensão? E o pior, que a nação que sustenta a ladroagem aguenta a tunga interminável dos recursos públicos, tal e qual um país de milionários? Os pobres ficam mais pobres, os ricos, mais ricos. A política e as instituições, menos confiáveis, e os governos, mais inócuos, enquanto se brincar de indiferença diante da roubalheira.
Numa operação de busca realizada em Santa Catarina, a Polícia Federal apreendeu dois veículos de luxo e R$ 429 mil em espécie. O investigado é o ex-presidente do Rioprevidência, preso na semana passada devido a investigações sobre o aporte de cerca de R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master. A rede que também aglutina o BRB, de Brasília, e a Amapá Previdência, parece lançar tentáculos sobre nomes pesados dos Três Poderes, e vem gerando tensão na capital federal há alguns meses. Por isso mesmo, e apesar dos obstáculos interpostos pelo Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o primeiro a salvaguardar os princípios democráticos contra o sequestro da República pelo poder financeiro, a rede de influência do Master e seu proprietário precisa ser, com urgência, desvendada e vir a público.
Durante a operação, uma mala de dinheiro foi atirada pela janela. O ex-presidente do Rioprevidência foi preso exatamente por tentar ocultar provas. A mala voadora seria mais uma tentativa. A vinculação partidária dos dirigentes de autarquias públicas com o escândalo do Master, poderá ser explorada na vindoura campanha eleitoral. Mas o difícil será destrinchar governo e oposição do cipoal bilionário que fez um banco dar as cartas no Brasil. E o impossível é tratar o Master como caso isolado, no histórico da corrupção no país da impunidade, da falta de vergonha dos ladrões e na repetitiva e perigosa narrativa que desacredita e deseja inibir ou constranger o trabalho da Polícia Federal e dos atores institucionais que resistem à cooptação, insistindo na elucidação da mentira dos corruptos, sustentando a esperança em um país melhor – cuja realização depende, entre outras coisas, de haver menos ladrões no poder e nas suas bordas.


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